O cenário do streaming, que começou de forma modesta com poucas opções no mercado, atravessa um momento de transformação profunda. Nos últimos anos, a proliferação de plataformas gerou uma concorrência intensa, mas o mercado agora caminha para uma fase de consolidação. Dentro do próximo ano, dois nomes significativos, Hulu e Paramount+, devem ser integrados a outros serviços, reduzindo o número de assinaturas independentes e concentrando conteúdos em ecossistemas maiores.
Embora a contração seja um movimento natural de maturação do setor, a mudança impacta diretamente o acesso a produções consagradas. O Hulu, por exemplo, é a casa de séries aclamadas como The Bear e Only Murders in the Building, além de abrigar conteúdos da rede ABC. Já o Paramount+ consolidou-se como o lar de franquias como Dexter: Resurrection e produções de Taylor Sheridan, como Landman, além de títulos da CBS como Tracker. A migração desses catálogos não significa o fim das obras, mas altera fundamentalmente a forma como o público as consome.
Integração do Hulu ao ecossistema Disney+
Desde que a Disney adquiriu a participação majoritária no Hulu em 2019, a estratégia de integração tem sido gradual. A partir de 2025, a empresa iniciou o processo de incorporar a biblioteca do serviço ao Disney+. Contudo, a plataforma deve permanecer como uma assinatura separada por tempo indeterminado. Isso permite que o assinante mantenha acesso a conteúdos de marcas como Pixar, Marvel e Star Wars, enquanto a gestão das produções originais do Hulu segue uma estrutura própria.
A promessa é que os usuários mantenham acesso integral ao conteúdo, incluindo assinaturas premium. Embora o aplicativo e o site do Hulu continuem operando no curto prazo, o plano de longo prazo da Disney é encerrar a marca como um serviço independente, transformando-a na marca de entretenimento geral dentro do Disney+. Esse movimento espelha a estratégia adotada pela Google com o Fitbit, que após anos de transição, teve suas contas migradas para o ecossistema de saúde da gigante de tecnologia. Assim como em Blade Runner 2049 que ganha força no streaming após anos de culto, a longevidade de um catálogo depende de sua disponibilidade em plataformas robustas.
Fusão do Paramount+ com HBO Max
A trajetória do Paramount+ tem sido marcada por mudanças constantes desde 2021, quando o antigo CBS All Access foi renomeado. Após absorver o Showtime e encerrar aplicativos de marcas como Nickelodeon, MTV e Comedy Central, a plataforma se tornou um hub centralizado. A fusão da Paramount Global com a Skydance Media em 2025, seguida pela intenção de adquirir a Warner Bros. Discovery, colocou o serviço em uma nova rota estratégica.
A união com a HBO Max promete criar um gigante do entretenimento, reunindo títulos como The White Lotus e The Sopranos ao lado de produções da Paramount. Essa nova plataforma, que deve adotar um nome inédito, busca competir diretamente com os líderes do mercado. O impacto dessa consolidação é comparável ao fenômeno visto quando Divergente retorna ao streaming e conquista público no Peacock, demonstrando como a migração de catálogos pode revitalizar o interesse por obras estabelecidas.
Impactos no mercado e no bolso do assinante
A consolidação do mercado de streaming traz consequências claras para o consumidor. Com a redução do número de plataformas, a tendência é que os preços das assinaturas aumentem, refletindo o custo de produção e licenciamento de conteúdos de alto orçamento. Enquanto gigantes como Netflix e Amazon Prime Video ajustam seus valores, plataformas como Apple TV+ e Peacock seguem apostando em produções originais para manter sua relevância.
O mercado de streaming em 2026 será substancialmente diferente do que conhecemos hoje. A organização dos conteúdos em silos mais definidos, sob o comando de grandes conglomerados, sugere um futuro onde a escolha do usuário será ditada por grandes pacotes de entretenimento. Enquanto a audiência da TV em 2026 revela domínio de esportes e streaming, a disputa pela atenção do público continua sendo o motor principal dessas fusões bilionárias. O fim da independência do Hulu e do Paramount+ marca, portanto, o encerramento de uma era de fragmentação excessiva, dando lugar a uma nova fase de concentração industrial.
Fonte: Movieweb