A temporada televisiva de 2025-26, que compreendeu o período entre 14 de setembro de 2025 e 20 de maio de 2026, trouxe uma mudança significativa na forma como os dados de audiência são analisados pela indústria. Com a integração crescente de métricas de streaming aos números tradicionais de transmissão linear, o mercado passou a adotar uma visão mais abrangente do comportamento do espectador. Recentemente, foram divulgados os primeiros dados consolidados que cobrem a totalidade da temporada, focando no desempenho de sete dias em múltiplas plataformas, um recorte que oferece uma perspectiva mais clara sobre o alcance real das produções atuais.
Historicamente, as listas de audiência costumavam excluir eventos ao vivo, como esportes e programas jornalísticos, concentrando-se exclusivamente em entretenimento roteirizado. No entanto, a análise atual incorporou essas categorias para oferecer um panorama mais fiel ao consumo real do público. Mesmo sem a totalidade dos dados de streaming para todos os programas, a inclusão de esportes e notícias alterou o topo do ranking, demonstrando que o interesse por eventos ao vivo permanece como um pilar fundamental para as redes de televisão.
Sunday Night Football lidera o ranking de audiência
O grande destaque da temporada foi o Sunday Night Football, transmitido pela NBC. Com uma média impressionante de 23,5 milhões de espectadores em sete dias, a competição esportiva superou todas as produções de entretenimento no período. Esse número, que combina a audiência linear da Nielsen com dados de streaming fornecidos pela Adobe Analytics, reforça a força do esporte como o principal motor de audiência na televisão norte-americana. Para comparar, a série Stranger Things, um dos maiores sucessos da Netflix, alcançou 22,38 milhões de espectadores no mesmo recorte de sete dias, embora tenha apresentado um crescimento expressivo ao longo de 35 dias, chegando a 32,9 milhões.
A dominância dos esportes também se reflete na demografia de adultos entre 18 e 49 anos. O Sunday Night Football e o Monday Night Football, este último uma parceria entre a ABC e a ESPN, ocuparam as duas primeiras posições, distanciando-se consideravelmente das demais atrações. A ABC, por sua vez, manteve uma presença forte no ranking, com cinco das sete posições seguintes, liderada pela série High Potential, que registrou um índice de 2,27 na demografia, equivalente a aproximadamente 3,1 milhões de espectadores nessa faixa etária.
O papel das redes abertas e o crescimento do streaming
Um dado curioso da temporada é que, no recorte de sete dias, a grande maioria das produções no topo do ranking — especificamente 25 das 30 listadas — teve sua origem em redes de transmissão aberta. Esse cenário, contudo, sofre uma alteração notável à medida que o período de medição se estende. Quando a Nielsen avalia o desempenho em 28 ou 35 dias, a participação de produções exclusivas de plataformas de streaming cresce significativamente, representando cerca de metade das atrações mais assistidas, excluindo eventos esportivos.
Essa disparidade entre os dados de sete e 35 dias evidencia o comportamento de consumo sob demanda. Um exemplo claro dessa tendência é a minissérie His & Hers, da Netflix. Após sete dias de exibição, a produção acumulou 9,56 milhões de espectadores. Contudo, ao longo das quatro semanas seguintes, o título apresentou o maior crescimento entre todos os programas analisados, mais do que dobrando sua audiência para 24,2 milhões de espectadores após 35 dias. Esse fenômeno mostra como o público tem adotado o hábito de consumir séries em ritmos diferentes, muitas vezes aguardando a liberação de todos os episódios ou a recomendação boca a boca para iniciar a maratona.
Impacto das métricas na estratégia das plataformas
A necessidade de entender esses números vai além da simples curiosidade estatística. Para executivos de estúdios e plataformas, como a Netflix, Disney+ ou HBO Max, a análise de 35 dias é crucial para medir a longevidade de um conteúdo. Enquanto o desempenho de sete dias é vital para a publicidade tradicional e para o impacto imediato de um lançamento, a retenção de público a longo prazo define o sucesso de investimentos em novas temporadas ou em projetos de alto orçamento, como se vê em produções que buscam o impacto de Corlys Velaryon em House of the Dragon.
A complexidade de medir o sucesso atual também se reflete na forma como o público percebe a qualidade. Assim como Erin Moriarty detalha salto temporal no final de The Boys, a indústria precisa equilibrar a narrativa com a necessidade de manter o espectador engajado por períodos mais longos. A fragmentação do público, que agora se divide entre o consumo linear e o digital, exige que as emissoras e serviços de streaming sejam mais precisos em suas estratégias de lançamento e renovação.
Conclusão sobre o cenário da temporada 2025-26
Ao final da temporada 2025-26, fica claro que a televisão não está morrendo, mas se transformando em um ecossistema híbrido. A força dos esportes ao vivo, como o Sunday Night Football, garante uma base sólida de audiência que poucas produções roteirizadas conseguem igualar em curto prazo. Por outro lado, o streaming provou ser o terreno onde as séries encontram seu público de forma sustentada, com títulos crescendo exponencialmente semanas após a estreia.
A indústria continuará a refinar essas métricas, com novas rodadas de dados de 35 dias sendo esperadas para as próximas semanas, o que deve consolidar ainda mais o entendimento sobre o comportamento do espectador. Para o público, o resultado é uma oferta cada vez mais diversificada, onde o sucesso de uma obra é medido não apenas pelo impacto inicial, mas pela capacidade de permanecer relevante em um mercado saturado de opções. A transição para esse modelo de medição multiplataforma é, sem dúvida, o maior legado estatístico desta temporada, estabelecendo um novo padrão para o futuro da televisão global.
Fonte: THR