A série Tracker, protagonizada por Justin Hartley, enfrentou recentemente sua primeira queda significativa de audiência desde a estreia, um movimento que acende um alerta importante para a CBS. Após dois anos desde que o ator deixou o papel de Kevin Pearson em This Is Us para assumir a pele do sobrevivencialista Colter Shaw, a produção se consolidou como um fenômeno de audiência na televisão aberta. O público demonstrou um forte interesse pela abordagem moderna do formato procedural, garantindo números expressivos que colocaram a obra no topo das paradas desde o inverno de 2024.
No início do ciclo televisivo 2025-2026, Tracker manteve sua posição como a série roteirizada mais assistida da TV tradicional. O sucesso era um reflexo direto do engajamento dos espectadores com a jornada de Colter Shaw, especialmente após a renovação do elenco de apoio. No entanto, o cenário mudou drasticamente em março de 2026 com a estreia de Marshals, produção apoiada por Taylor Sheridan. A nova série não apenas competiu diretamente com a obra de Hartley, como também superou seus índices de audiência, assumindo o primeiro lugar no ranking geral do ciclo.
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A dinâmica interna da CBS e o impacto de Marshals


Embora a disputa pela liderança tenha sido intensa, é importante notar que tanto Tracker quanto Marshals são produções da CBS. Por esse motivo, a emissora não demonstra preocupação imediata com a troca de posições no topo da audiência. A rede mantém a estratégia de exibir ambas as séries em sequência nas noites de domingo, com Marshals ocupando o horário nobre das 20h e Tracker sendo exibida logo em seguida, às 21h. Mesmo com o sucesso da nova série, a manutenção desse cronograma é vista como uma forma de sustentar o bloco de programação.
Contudo, analistas apontam que a mudança de horário de Tracker para um bloco mais tardio pode ter contribuído para a oscilação nos números. Dados do TV Series Finale indicam que a segunda metade da terceira temporada, quando a série foi movida para um horário posterior, registrou alguns dos índices mais baixos de toda a sua trajetória. Embora a série já tenha ocupado o bloco das 22h em momentos anteriores, a insistência da CBS em mantê-la fora do horário nobre inicial pode representar um risco de declínio contínuo, caso a emissora não tome medidas para recuperar o ímpeto da produção.
O potencial de Tracker como franquia original

Apesar de Marshals ter alcançado um desempenho notável, é fundamental que a CBS não negligencie o potencial de Tracker. Diferente de outras produções que se beneficiam da marca Yellowstone, a série de Justin Hartley é uma propriedade intelectual original, baseada em um livro, e não um derivado ou sequência. Esse diferencial confere à obra uma capacidade única de expansão dentro da grade da emissora, funcionando como uma nova franquia que pode ser cultivada de forma exclusiva.
A estratégia de investir em Tracker pode ser comparada ao sucesso de longo prazo de NCIS, que gerou diversos derivados ao longo dos anos. Se a CBS dedicar o tempo necessário para desenvolver o universo de Colter Shaw, a emissora terá em mãos uma marca valiosa para explorar mesmo após o encerramento da série principal. Enquanto isso, a rede lida com outros desafios, como quando Matlock enfrenta nova polêmica após roteirista processar a CBS, o que reforça a necessidade de manter o foco em seus sucessos consolidados.
A preocupação com a gestão de talentos e projetos é constante, especialmente em um cenário onde Matlock enfrenta processo de roteirista contra a CBS por racismo, trazendo instabilidade jurídica para a emissora. Para Tracker, o futuro depende de uma estratégia que valorize sua identidade única. A série, que acompanha o sobrevivencialista solitário em sua busca por recompensas e resolução de mistérios enquanto lida com traumas familiares, provou ter uma base de fãs sólida. O desafio agora é garantir que essa base permaneça engajada, mesmo diante da forte concorrência interna e das mudanças na grade de programação.
Fonte: ScreenRant