O ambiente de produção da série Matlock, exibida pela CBS, tornou-se alvo de uma grave disputa judicial. John Lowe, roteirista que integrou a equipe da atração entre outubro de 2023 e julho de 2025, protocolou uma ação na justiça da Califórnia contra o estúdio, a showrunner Jennie Snyder Urman e os produtores executivos Nicki Renna e Jeffrey Lieber. O profissional alega ter sido vítima de um ambiente de trabalho hostil, marcado por comentários racistas e sexuais, além de retaliação profissional.
A denúncia detalha um cenário de abusos que, segundo o autor, atingia não apenas ele, mas outros membros negros do elenco e da equipe técnica. O processo aponta que a liderança da produção utilizava termos depreciativos e estereótipos raciais de forma recorrente. Entre as acusações mais graves, Lowe relata que Jennie Snyder Urman teria se referido ao feriado de Juneteenth — que celebra o fim da escravidão nos Estados Unidos — utilizando um insulto racial. O roteirista afirma que sua demissão, ocorrida em julho de 2025, foi uma represália direta por ter reportado essas condutas à administração do estúdio.
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Acusações de assédio e comportamento inadequado

O documento judicial descreve episódios de comportamento invasivo e humilhante. Lowe alega que Urman realizava chamadas de vídeo noturnas em trajes íntimos e que, em uma ocasião específica, trouxe seu cachorro para a sala de roteiristas, justificando que seus filhos não gostavam da estética do animal devido à sua cor preta. O roteirista afirma ter sido coagido a cuidar do cão por quase um ano, sob a ameaça implícita de perda do emprego, o que ele interpreta como uma tentativa deliberada de humilhação baseada em sua raça.
Além disso, o processo cita ataques pessoais e comentários sexuais explícitos feitos por Nicki Renna e Jeffrey Lieber. Em um trecho da petição, Lowe recorda declarações ofensivas direcionadas ao ator Eme Ikwuakor. Segundo o relato, Renna teria feito comentários de cunho sexual e racial sobre o intérprete, desmerecendo sua capacidade intelectual e utilizando termos depreciativos que, conforme o autor da ação, não possuíam qualquer relação com funções criativas ou de produção, servindo apenas para degradar os profissionais negros presentes no set.
Posicionamento da CBS e histórico da produção

Em resposta às alegações, a CBS Television Studios emitiu um comunicado oficial negando as acusações. A empresa afirmou que realizou uma investigação interna rigorosa sobre o caso e que, após o procedimento, não encontrou evidências que sustentassem as denúncias feitas por John Lowe. O estúdio declarou que está comprometido em manter um ambiente de trabalho seguro e respeitoso para todos os colaboradores e que pretende se defender vigorosamente na justiça contra as alegações apresentadas.
Este caso coloca em evidência as tensões nos bastidores de produções televisivas de grande porte, um tema que frequentemente gera debates sobre a cultura corporativa em Hollywood. O processo de Matlock enfrenta nova polêmica após roteirista processar a CBS, levantando questões sobre a eficácia dos protocolos de denúncia em grandes estúdios. A série, que é um reboot do clássico jurídico, agora lida com o impacto reputacional dessas alegações em um momento em que a indústria busca maior transparência em suas práticas internas.
O histórico de Lowe na televisão inclui passagens por outras produções, como Virgin River, e uma carreira consolidada em departamentos de elenco antes de assumir o cargo de editor de histórias executivo em Matlock. A disputa judicial promete ser longa e deve trazer novos desdobramentos sobre a gestão de Jennie Snyder Urman e a supervisão dos produtores executivos. Enquanto o processo segue seu curso legal, o caso serve como um lembrete das complexidades e dos riscos de assédio que ainda persistem em ambientes de alta pressão criativa, reforçando a necessidade de ambientes de trabalho mais éticos e protegidos contra abusos de poder.