Após uma trajetória marcante de sete anos, a sátira de super-heróis The Boys, do Amazon Prime Video, encerrou sua jornada. Durante anos, a série foi amplamente aclamada por sua visão corajosa e realista de um mundo dominado por indivíduos corruptos com superpoderes, entregando uma experiência sem filtros que universos cinematográficos mais tradicionais, como os da Marvel e DC, evitaram explorar. Embora a quinta e última temporada tenha enfrentado críticas por focar excessivamente na preparação de um spin-off em detrimento do fechamento adequado dos arcos dos personagens, a obra permanece como um marco do gênero. Contudo, com o fim desse capítulo, uma nova produção já domina as paradas da Netflix, preenchendo o vazio deixado pela série da Amazon: The WONDERfools.
Este K-drama de oito episódios traz um elenco de peso, protagonizado por Park Eun-bin, conhecida por seu papel em Uma Advogada Extraordinária, e pelo ídolo e ator Cha Eun-woo, de Beleza Verdadeira. A série se destaca ao subverter o gênero sobrenatural, conferindo poderes bizarros a um grupo de desajustados comuns e falhos. A indústria de entretenimento coreana tem expandido suas fronteiras para além das tradicionais comédias românticas, e esta produção é a prova dessa evolução.
Uma trama de origens caóticas
Ambientada durante o pânico do bug do milênio em 1999, a história acompanha Eun Chae-ni (Park Eun-bin), uma jovem caótica que sofre de uma condição cardíaca terminal. Desesperada para realizar uma última viagem ao exterior, ela planeja forjar o próprio sequestro para obter dinheiro. O plano, no entanto, resulta em um desastre quando ela sofre um ataque cardíaco fatal. Em um momento de pânico, seus amigos — o gigante gentil Kang Ro-bin e o financeiramente instável Son Gyeong-hun — tentam esconder o corpo perto de um lixão, acabando por expor o grupo a resíduos químicos tóxicos de um laboratório ilegal. O acidente bizarro ressuscita Chae-ni e concede ao trio poderes incontroláveis diretamente ligados às suas emoções. O incidente é presenciado por Lee Un-jeong (Cha Eun-woo), um funcionário público desajeitado que, secretamente, já possuía habilidades telecinéticas.
Química e vilania
O que torna The WONDERfools uma experiência tão envolvente é a química autêntica e caótica entre o elenco. Observar esses personagens tentando dominar suas habilidades únicas proporciona risadas constantes sem parecer forçado, especialmente nas interações entre Son Gyeong-hun e Kang Ro-bin. Para elevar o nível da narrativa, a série apresenta Ha Won-do e os Wunderkinder, um grupo de super-humanos implacáveis criados em laboratório. Treinados desde a infância para aprimorar suas capacidades letais, eles representam uma ameaça aterrorizante para o esquadrão de protagonistas, que se encontra hilariamente despreparado.
Paralelos sombrios com The Boys
The WONDERfools consegue realizar algo que levou várias temporadas para ser consolidado em The Boys: estabelecer backstories emocionais e profundos para seu elenco desde o início. A série explora o passado trágico de Lee Un-jeong, revelando sua conexão horrível com o projeto Wunderkinder. Como uma grande produção original da Netflix, os valores de qualidade são elevados, com efeitos visuais que não parecem baratos ou apressados — como visto na cena em que Un-jeong utiliza sua telecinesia para destruir um edifício.
A série se consolida como a sucessora ideal ao espelhar a origem dos poderes: assim como o Composto V da Vought, as habilidades aqui não são dons naturais, mas resultados distorcidos de experimentos secretos em crianças inocentes. Embora não atinja o mesmo nível de brutalidade extrema de The Boys, a produção utiliza bem sua classificação indicativa para entregar cenas repletas de sangue e ação intensa. Para quem sente falta da violência e do caos de super-heróis, esta obra coreana é uma alternativa indispensável.
Fonte: ScreenRant