O setor de entretenimento vertical na Ásia, que cresceu rapidamente nos últimos anos, está deixando para trás a fase de experimentação com microdramas para entrar em uma era focada em franquias de longo prazo. A mudança estratégica foi discutida por executivos durante o APOS, evento que reuniu líderes da indústria na última quinta-feira para debater o futuro do consumo de mídia em dispositivos móveis.
Durante a sessão intitulada “Construindo a Pilha Vertical na Ásia”, os especialistas destacaram que a próxima etapa de expansão não será sustentada apenas pela aquisição de novos assinantes. O foco agora recai sobre o desenvolvimento de propriedade intelectual, a fidelização do público e a criação de ecossistemas de conteúdo mais robustos e integrados.
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Expansão de IPs e novos formatos verticais
Timothy Oh, gerente geral e diretor de marketing da COL Group International, descreveu o momento atual como uma fase de amadurecimento que ultrapassa os limites dos microdramas tradicionais. Segundo o executivo, o mercado já observa o surgimento de documentários verticais e a transformação de propriedades intelectuais em franquias completas, desenhadas especificamente para o formato de tela cheia.
Como exemplo dessa tendência, Oh citou a expansão da parceria entre a FlareFlow e a produtora Refinery Media, sediada em Singapura. O projeto mais recente é SupermodelMe: The Runway Kings, uma edição masculina do reality show de longa data, agora reimaginada para o consumo vertical. Essa iniciativa segue o lançamento bem-sucedido de uma das primeiras adaptações verticais do formato SupermodelMe, consolidando a estratégia de transformar marcas conhecidas em produtos nativos para o mobile.
Engajamento emocional e fidelidade do público
A sustentabilidade financeira tornou-se uma prioridade central à medida que a competição por tempo de tela se intensifica contra gigantes como TikTok e Meta. Para enfrentar esse desafio, as plataformas estão investindo na criação de momentos culturais que mantenham os espectadores engajados muito além de um único título.
Beatrice Lee, CEO da ROCK Networks, reforçou que a relação com a audiência é o ativo mais valioso do setor. De acordo com a executiva, os espectadores de microdramas demonstram níveis de envolvimento emocional significativamente mais altos do que em outros formatos. “No mundo dos microdramas, os usuários finais são altamente engajados emocionalmente. É isso que cria a lealdade à marca”, afirmou Lee durante o painel.
A busca por essa conexão profunda também é observada em outros mercados, lembrando como grandes produções buscam manter relevância, similar ao que ocorre quando Game of Thrones: conheça os projetos derivados que a HBO cancelou, demonstrando a complexidade de gerenciar franquias de sucesso. A necessidade de manter o público fiel é um desafio constante, mesmo para estúdios que tentam inovar, como visto em casos onde All American encerra era de produções originais na The CW, marcando o fim de um ciclo de conteúdo tradicional.
O papel do storytelling na nova era mobile
Para Karen Seah, fundadora e CEO da Refinery Media, a próxima fronteira do entretenimento vertical reside no storytelling de não-ficção. A executiva defende que o sucesso nesse formato exige histórias que sejam compreensíveis de imediato, entregando um gancho emocional fresco em cada episódio para construir uma sensação de intimidade com o espectador.
A transição para o modelo de franquia não é apenas uma mudança de formato, mas uma reestruturação de como o valor é extraído do conteúdo. Enquanto o setor ainda é movido majoritariamente por assinaturas, a diversificação de receitas e a criação de marcas fortes parecem ser o caminho escolhido pelos líderes asiáticos para garantir a longevidade das plataformas em um mercado global cada vez mais saturado.
O movimento reflete uma tendência mais ampla de profissionalização do conteúdo digital, onde a qualidade da produção e a força da propriedade intelectual passam a ditar o sucesso, superando a fase inicial de vídeos curtos de baixo orçamento. A aposta é que, ao tratar o conteúdo vertical com a mesma seriedade de uma produção de TV tradicional, as plataformas consigam reter o público e construir legados duradouros.
Fonte: Variety