Vixens anuncia nova lista de filmes com diretores renomados

Produtora francesa expande atuação com seis novos projetos, incluindo thrillers e dramas autorais, focando em talentos emergentes e cineastas consagrados.

A Vixens, produtora sediada em Paris e fundada pelo trio Gary Farkas, Clément Lepoutre e Olivier Muller, chega ao mercado do Festival de Cannes com sua lista de produções mais ambiciosa até o momento. A empresa, que se estabeleceu como uma força criativa e financeira no cenário cinematográfico, apresenta um catálogo diversificado que abrange thrillers em francês e inglês, estreias de diretores promissores e projetos encabeçados por cineastas de renome internacional. Esta nova fase marca um ponto de inflexão para a produtora, que busca equilibrar o cinema autoral com o apelo comercial de produções de grande escala.

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Fundadores da produtora Vixens
Os fundadores da Vixens, Gary Farkas, Clément Lepoutre e Olivier Muller, expandem o alcance da produtora com uma nova lista de projetos em Cannes.

Uma estrutura de grupo integrada

A Vixens não opera de forma isolada. Ela é parte de um ecossistema mais amplo que inclui a Phantasm, uma potência na produção de comerciais e videoclipes, e a Phenomena, uma agência de fotografia lançada há três anos. Essa estrutura permite à Vixens atuar em múltiplas frentes: produção, financiamento de marcas, captação de recursos privados e, mais recentemente, a prestação de serviços de produção executiva para filmes estrangeiros que escolhem a França como locação.

Farkas, Lepoutre e Muller cultivaram uma comunidade vibrante de talentos em torno da Phantasm. A produtora realiza entre 40 a 50 projetos de publicidade e videoclipes anualmente, incluindo campanhas de alto perfil para marcas de luxo como Hermès, Prada e Dior. Além disso, a expertise da equipe se estende ao entretenimento musical, tendo produzido o videoclipe de Olivia Rodrigo, dirigido por Petra Collins no icônico Château de Versailles, e um trabalho recente para The Weeknd, sob a direção do cineasta Gaspar Noé. Essa rede de contatos e a agilidade logística da Phantasm servem como alicerce para as ambições cinematográficas da Vixens.

Cannes e o modelo de financiamento

Durante o Festival de Cannes, a Vixens destaca sua participação em dois projetos de grande envergadura: “Full Phil”, de Quentin Dupieux, estrelado por Kristen Stewart e Woody Harrelson, e “Paper Tiger”, de James Gray, com Scarlett Johansson e Adam Driver. A empresa não apenas produziu, mas também desempenhou um papel crucial na conclusão do financiamento de ambos os filmes.

“Ao longo dos anos, aproveitamos as oportunidades para explorar um modelo multifacetado”, explicou Gary Farkas em entrevista à Variety na véspera do festival. “Dentro da Vixens, temos quatro atividades distintas, além de todas as sinergias com a Phantasm e o restante do grupo.” Esse modelo híbrido permite que a produtora navegue entre diferentes escalas de orçamento e complexidade, mantendo a integridade artística enquanto garante a viabilidade financeira dos projetos.

Trajetória e evolução

A jornada da Vixens começou há uma década com o filme de baixo orçamento “Sam Was Here”, rodado nos Estados Unidos. Desde então, a empresa escalou significativamente suas operações. Entre seus marcos recentes estão a coprodução de “The Fence”, de Claire Denis, em parceria com a Curiosa de Olivier Delbosc, e o documentário “D’un monde à l’autre”, dirigido por Jérémie Renier e coproduzido com a Chi-Fou-Mi de Hugo Sélignac, que tem lançamento previsto na França para 10 de junho pela Pan Européenne.

A nova fase da Vixens é composta por seis projetos que refletem essa identidade híbrida: três filmes em francês, dois em inglês e um em árabe. A lista inclui três estreias de longas-metragens e três projetos de diretores já estabelecidos, com locações divididas entre a França e outros países.

Destaques da nova lista

Um dos pilares dessa expansão é a renovação da parceria com a diretora libanesa Jessy Moussallem, que colabora com a Phantasm há quase uma década. A Vixens está produzindo seu aguardado longa de estreia, “Faux Bijoux”, baseado no curta-metragem homônimo que teve sua estreia mundial no Festival de Sundance e passou pelo prestigiado Festival de Clermont-Ferrand. O longa, escrito em parceria com Jihad Hojeily (de “Capernaum”), narra a história de uma família libanesa presa em um ciclo de dívidas que coloca sua união à prova.

Olivier Muller destacou o compromisso da produtora com o projeto: “Para ajudar a financiar o longa, a Vixens autofinanciou o curta-metragem, que foi rodado no Líbano e se tornou um sucesso de crítica. Isso ajudou a posicionar o longa junto aos financiadores”. O projeto conta com a distribuição da Le Pacte na França e vendas internacionais pela Charades, com produção conjunta da belga Frakas. As filmagens estão previstas para o final de setembro no Líbano, sujeitas às condições locais.

No cenário francês, a produtora aposta no novo trabalho de Kim Chapiron, outro cineasta de sucesso vindo do mundo dos videoclipes. O projeto, ainda em desenvolvimento, promete manter o estilo autoral e visceral que caracteriza a filmografia de Chapiron. A Vixens continua a diversificar seu portfólio, provando que sua capacidade de transitar entre a publicidade de luxo e o cinema de autor é o diferencial que a coloca em uma posição de destaque no mercado global.

A estratégia de crescimento da Vixens demonstra uma compreensão clara das dinâmicas atuais do cinema: a necessidade de flexibilidade, a importância de redes de talentos consolidadas e a habilidade de integrar diferentes formas de financiamento. Ao apostar em diretores como Chapiron, Moussallem e outros nomes de peso, a produtora não apenas garante a qualidade de seu catálogo, mas também reafirma seu compromisso com a inovação narrativa. Com o suporte de uma estrutura robusta e uma visão clara de futuro, a Vixens se prepara para um ciclo de lançamentos que promete impactar tanto o público quanto a crítica especializada, consolidando-se como um nome indispensável na indústria cinematográfica contemporânea.

Fonte: Variety