O filme Underworld: Blood Wars, lançado originalmente como o quinto capítulo da longeva franquia de ação e fantasia, vive um momento de redescoberta inesperada. Estrelado por Theo James e dirigido por Anna Foerster, o longa-metragem, que chegou aos cinemas sob uma recepção crítica bastante negativa, consolidou-se recentemente como um dos títulos mais assistidos na plataforma Hulu nos Estados Unidos. O fenômeno de audiência chama a atenção justamente pelo contraste entre o desempenho comercial modesto de sua época e o interesse renovado do público atual.
A trajetória da produção é marcada por desafios desde o seu lançamento. Na época de sua estreia, o filme foi alvo de críticas severas, acumulando apenas 21% de aprovação no agregador Rotten Tomatoes. Apesar da recepção técnica desfavorável, o projeto conseguiu manter uma base de fãs fiel, transformando um orçamento de US$ 35 milhões em uma bilheteria global de US$ 81,2 milhões. Esse desempenho, embora não tenha sido um sucesso estrondoso, garantiu que a obra não fosse esquecida, servindo como um exemplo de como produções de gênero podem encontrar longevidade fora das salas de cinema.
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O papel de Theo James na franquia
Para Theo James, o trabalho em Underworld: Blood Wars representou um período importante em sua carreira antes de se consolidar em projetos de maior prestígio na televisão. O ator, que posteriormente brilhou em produções como The Gentlemen, de Guy Ritchieis, demonstrou versatilidade ao transitar entre o cinema de ação e dramas criminais complexos. A popularidade atual do filme no streaming reforça a capacidade de atração que o nome do ator exerce sobre o público, mesmo em obras que não foram unanimidade entre a crítica especializada.
A dinâmica de consumo no streaming tem revelado padrões curiosos, onde filmes com recepções mornas ou negativas ganham uma segunda chance. Esse comportamento é similar ao que ocorre com outras produções que, após um período de esquecimento, retornam ao topo das paradas, como visto em House of the Dragon que assume liderança no streaming da HBO Max. O público parece disposto a revisitar franquias de fantasia, independentemente das notas atribuídas por especialistas no momento do lançamento original.
O fenômeno de produções criticadas no streaming

O caso de Underworld: Blood Wars não é isolado. Recentemente, o filme Return to Silent Hill, terceira adaptação cinematográfica da famosa franquia de jogos, também alcançou o topo das paradas no Hulu, apesar de ter sido classificado por analistas como uma adaptação pouco inspirada. Esse movimento sugere que o algoritmo das plataformas de streaming e a curiosidade dos assinantes por títulos de horror e fantasia superam, muitas vezes, o peso das críticas negativas publicadas no lançamento.
A busca por entretenimento de fácil acesso, que não exige um compromisso narrativo profundo, parece ser um dos motores dessa tendência. Enquanto o mercado de cinema busca grandes blockbusters, o streaming se torna o refúgio para obras que, embora tenham falhado em conquistar a crítica, possuem elementos visuais e temáticos que ainda ressoam com o espectador casual. É um cenário que permite a reavaliação de obras que, em outros tempos, seriam relegadas ao esquecimento.
A importância da curadoria no streaming

A ascensão de títulos como Underworld: Blood Wars levanta questões sobre como o público escolhe o que assistir. Muitas vezes, a escolha é guiada pela familiaridade com a franquia ou pela presença de atores conhecidos, como Theo James. Esse comportamento de consumo é um lembrete de que o valor de uma obra cinematográfica não é estático e pode ser alterado pelo contexto de sua exibição. Assim como ocorre com Geena Davis que lamenta cancelamento de The Boroughs pela Netflix, o destino de muitas produções é incerto, mas o streaming oferece uma sobrevida que antes era impossível.
Em última análise, o sucesso de Underworld: Blood Wars no Hulu serve como um termômetro para a indústria. Ele demonstra que, para o espectador médio, a diversão e a nostalgia muitas vezes prevalecem sobre a análise técnica rigorosa. Enquanto a franquia permanece em um hiato, a audiência continua a explorar o catálogo, provando que, no mundo do entretenimento digital, nenhum filme está verdadeiramente enterrado enquanto houver alguém disposto a dar o play.
Fonte: Collider