Ubisoft impõe embargo em notícias sobre demissões em estúdios

Empresa tentou controlar a repercussão do fechamento de estúdios e cortes de pessoal, gerando críticas sobre a ética na comunicação corporativa.

A Ubisoft, uma das maiores empresas do setor de jogos eletrônicos, enfrenta críticas após a revelação de que tentou controlar a divulgação de informações sobre sua mais recente rodada de demissões. A prática de aplicar embargos jornalísticos, comum para anúncios de novos títulos ou trailers, foi utilizada pela companhia para gerenciar a repercussão do fechamento de estúdios e cortes de pessoal, uma estratégia considerada incomum e controversa por profissionais da imprensa especializada.

Embargos são acordos onde veículos recebem detalhes antecipadamente para preparar matérias que serão publicadas simultaneamente ao anúncio oficial. No entanto, aplicar essa restrição a notícias de demissões, que afetam diretamente a vida de trabalhadores, gerou desconforto. Enquanto empresas como a Xbox costumam confirmar cortes após o vazamento por jornalistas ou funcionários, a Ubisoft buscou uma abordagem controlada, tentando ditar o momento exato em que a notícia chegaria ao público.

Jornalistas de diferentes publicações confirmaram que a empresa solicitou o cumprimento de um embargo para o anúncio das demissões. O caso ganhou visibilidade quando veículos que não aceitaram ou que publicaram a informação antes do prazo estipulado foram contatados pela companhia, que alegou violação do acordo. Essa postura levanta debates sobre a ética no jornalismo de games, especialmente quando o controle editorial é usado para suavizar o impacto de decisões corporativas negativas, algo que, em outros contextos, como em produções cinematográficas, seria tratado de forma distinta.

As demissões confirmadas pela Ubisoft incluem o fechamento completo dos estúdios localizados em Winnipeg e em Belgrado. Além disso, o estúdio de Barcelona sofreu cortes significativos em sua força de trabalho e, segundo informações, passará a focar exclusivamente no desenvolvimento de conteúdos para a franquia Rainbow Six. A reestruturação faz parte de um cenário de instabilidade que a empresa atravessa nos últimos meses, marcado por mudanças estratégicas e cortes de custos.

A tentativa de controle sobre a narrativa das demissões foi duramente criticada por profissionais como Tom Henderson, do Insider Gaming. Para ele, o setor caminha para um terreno perigoso ao aceitar embargos sobre notícias de demissões, o que compromete a independência da cobertura jornalística. A preocupação central é que, ao seguir essas diretrizes corporativas, a imprensa acaba atuando como um braço de comunicação da empresa, em vez de reportar fatos de interesse público de forma transparente.

Este não é um evento isolado na trajetória recente da Ubisoft. No início deste ano, a empresa cancelou diversos projetos em desenvolvimento, incluindo um remake de Prince of Persia que, segundo relatos, estava em estágio avançado de produção. A sucessão de cancelamentos e cortes de pessoal reflete os desafios enfrentados pela gestão de Yves Guillemot em um mercado cada vez mais competitivo e exigente. Assim como em outras áreas da indústria criativa, a pressão por resultados financeiros tem levado a decisões drásticas que impactam tanto o catálogo de jogos quanto a estrutura humana da companhia.

Questionada sobre a política de embargos aplicada às demissões, a Ubisoft informou que não comentaria o assunto. A postura da empresa reforça a tensão entre as assessorias de comunicação e os veículos de imprensa, que buscam manter a autonomia na apuração de fatos sensíveis. Enquanto a indústria de jogos continua a passar por ondas de demissões, a forma como essas notícias são comunicadas permanece como um ponto central de debate sobre transparência e responsabilidade corporativa.

Ubisoft

Fonte: Thegamer

Este conteúdo foi produzido pela Redação Máquina Nerd com apoio de inteligência artificial e passa por curadoria editorial.