The Stand de 2020 decepciona fãs da obra de Stephen King

Adaptação da Paramount falha ao transpor o clássico pós-apocalíptico, perdendo a essência da narrativa original e confundindo o público com escolhas criativas questionáveis.

Há pouco mais de cinco anos, a Paramount apresentou ao público uma ambiciosa adaptação de The Stand, obra icônica de Stephen King. O projeto parecia reunir todos os ingredientes necessários para o sucesso: um elenco de peso, um orçamento generoso e o prestígio de um dos maiores nomes da literatura de horror e fantasia. No entanto, o que deveria ser uma produção memorável transformou-se em uma das interpretações mais decepcionantes e subestimadas baseadas nos livros do autor. Após meia década, a série caiu no esquecimento, um destino que muitos críticos consideram merecido diante da execução falha do material.

whoopi goldberg as mother abagail in the stand
all stephen king cameos 3 55 screenshot 1

Baseada no livro homônimo de Stephen King, a minissérie de 2020 não foi a primeira tentativa de levar essa história complexa para as telas. Antes dela, uma produção de 1994, dividida em quatro partes, já havia tentado traduzir a narrativa para o formato televisivo. Devido a esse histórico, as expectativas dos espectadores eram elevadas, com a esperança de que o remake pudesse finalmente fazer justiça à magnitude da história original. Contudo, logo após a estreia, a recepção foi majoritariamente negativa. Atualmente, a série mantém uma pontuação abaixo da média no Rotten Tomatoes, situando-se em 57%, sendo amplamente vista como uma adaptação profundamente problemática.

O que você precisa saber

  • A série de 2020 possui uma pontuação de 57% no Rotten Tomatoes, refletindo uma recepção morna e crítica.
  • A narrativa optou por uma estrutura não linear, o que prejudicou a compreensão da trama e o engajamento emocional.
  • O autor Stephen King chegou a escrever um novo final, uma coda exclusiva para a produção, que não foi suficiente para salvar a série.
  • Apesar de contar com um elenco estelar, incluindo Alexander Skarsgård, James Marsden e Whoopi Goldberg, a série não conseguiu superar suas falhas estruturais.

Um dos pontos mais criticados foi a decisão de abandonar a cronologia linear do livro. Enquanto a obra literária detalha o colapso da sociedade devido à gripe mortal de forma gradual e imersiva, a série de 2020 escolheu iniciar a narrativa já no meio dos acontecimentos. O primeiro episódio salta para o futuro, utilizando flashbacks para preencher as lacunas do surto inicial. Essa escolha narrativa fragmentou a experiência e impediu que o público se conectasse verdadeiramente com a gravidade da pandemia fictícia. Com nove episódios à disposição, a produção tinha tempo suficiente para explorar todos os fios condutores da trama original, mas acabou desperdiçando esse potencial com uma estrutura confusa.

Whoopi Goldberg como Mãe Abagail em The Stand
Whoopi Goldberg interpreta a icônica Mãe Abagail na versão de 2020, um dos nomes de peso que não impediram o fracasso da série.

Falhas na caracterização e ambientação

Além da estrutura narrativa problemática, a adaptação tomou liberdades criativas que alienaram os leitores fiéis. A representação de Las Vegas, sob o domínio do antagonista Randall Flagg, foi um dos pontos mais controversos. Em vez de retratar a cidade como um regime fascista e opressor, a série a transformou em uma espécie de rave pós-apocalíptica constante, perdendo completamente o significado político e social presente no livro. Personagens fundamentais como Frannie Goldsmith, The Trashcan Man e Nick Andros foram reescritos de maneira tão drástica que se tornaram irreconhecíveis para quem conhece a obra original. A série pareceu mais focada em subplots isolados do que em uma progressão coerente da história, resultando em uma narrativa repleta de inconsistências.

Comparação com a versão de 1994

Embora a minissérie de 1994 também não seja perfeita, ela é frequentemente citada como uma adaptação mais fiel e coesa. A versão dos anos 90 possui uma abertura imersiva, que começa com um epígrafe de T.S. Eliot, estabelecendo um tom que a versão moderna não conseguiu replicar. Apesar das limitações técnicas da época, a produção dos anos 90 consegue transmitir a atmosfera de fim de mundo de forma mais eficaz, respeitando a essência do material de Stephen King. Em última análise, a produção da Paramount+ falhou ao tentar modernizar uma história que exigia, acima de tudo, respeito pela sua estrutura e pelo desenvolvimento de seus personagens, deixando um legado de frustração para os fãs do autor.

Fonte: ScreenRant