A série The Boroughs, produzida pelos Duffer Brothers, chegou ao catálogo da Netflix em 21 de maio de 2026, consolidando-se como um dos últimos grandes projetos da dupla para a gigante do streaming. Composta por oito episódios, a produção de ficção científica mergulha na vida de um grupo de personagens compassivos que precisam unir forças para enfrentar ameaças sobrenaturais e apoiar uns aos outros em momentos críticos. A obra, que apresenta criaturas peculiares, um cenário singular e revelações surpreendentes, mantém um tom que oscila entre o sombrio e o esperançoso, evocando uma atmosfera que, embora lembre o fenômeno Stranger Things, trilha seu próprio caminho narrativo.



Para os fãs que acompanharam a evolução dos poderes de Eleven (Millie Bobby Brown) e o enfrentamento de entidades como Demogorgons, Demodogs e o temido Vecna, The Boroughs surge como uma curiosidade inevitável. A série levanta questões sobre o futuro criativo dos Duffer Brothers após o encerramento de sua saga mais famosa. Embora o impacto de Stranger Things seja inegável, a nova produção oferece uma perspectiva diferente sobre a capacidade da dupla de construir mundos e desenvolver arcos dramáticos, mesmo quando não estão diretamente na cadeira de roteiristas ou diretores.
O fim de uma parceria histórica
A transição dos Duffer Brothers para um novo capítulo profissional foi oficializada em agosto de 2025, quando o portal Deadline noticiou que a dupla encerraria seu contrato com a Netflix para firmar um acordo de quatro anos com a Paramount. Este novo compromisso, iniciado em abril de 2026, confere aos irmãos autonomia para produzir, dirigir e escrever tanto para o cinema quanto para a televisão. Um aspecto notável desta mudança é o reencontro com Matt Thunell, Presidente da Paramount Television, e Cindy Holland, Chair of Direct-to-Consumer da Paramount. Ambos foram figuras cruciais no início da carreira dos Duffers, sendo os primeiros a acreditar no roteiro original que se tornaria Stranger Things em 2015. Em declaração oficial, os irmãos expressaram entusiasmo por retomar essa parceria com quem apostou neles quando ainda eram iniciantes.
É importante ressaltar que o encerramento do contrato com a Netflix não implica um abandono total da franquia Stranger Things. Os criadores continuarão envolvidos com o universo, especialmente na produção da segunda temporada da série animada Tales from ’85, que tem lançamento previsto para o outono de 2026. Além disso, o legado dos Duffers na plataforma é selado por três projetos finais: a própria The Boroughs, a animação mencionada e a série de suspense Something Very Bad Is Going to Happen, ambientada durante um fim de semana de casamento, que também recebeu elogios pela sua execução.
Análise de The Boroughs e o arco de Sam Cooper
Um dos pilares de The Boroughs é o personagem Sam Cooper, interpretado por Alfred Molina. Sam é um protagonista complexo, cujo arco narrativo aborda temas profundos como a perda, a dinâmica familiar e os desafios da terceira idade. A série se beneficia de um elenco talentoso e de uma premissa que explora as vidas de vizinhos que se tornam uma espécie de família escolhida. Personagens como Wally, interpretado por Denis O’Hare, um ex-médico cujo passado ganha relevância conforme a trama avança, exemplificam como a série utiliza o histórico profissional dos personagens para definir suas identidades e motivações.
Apesar da recepção positiva, com 94% de aprovação no Rotten Tomatoes, a série deixa algumas lacunas. Comparativamente, os elementos de ficção científica de The Boroughs são menos complexos do que os mistérios do Upside Down, e o monstro central não possui o mesmo peso icônico de Vecna. Além disso, o final da primeira temporada deixa uma sensação de insatisfação, assemelhando-se mais a uma minissérie fechada do que a uma saga de cinco temporadas. Enquanto o final de Stranger Things deixava claro que a história precisava continuar, The Boroughs parece ter uma conclusão que, embora permita uma segunda temporada, funciona bem como uma narrativa contida.
O legado dos Duffer Brothers
Ao refletir sobre a trajetória dos criadores, é difícil não comparar o sucesso de Stranger Things com seus projetos subsequentes. Enquanto Taylor Sheridan, por exemplo, mantém uma produção constante, nem sempre suas obras alcançam o patamar de Yellowstone. Por outro lado, Vince Gilligan conseguiu manter a excelência de Breaking Bad em Better Call Saul e em sua nova série de ficção científica, Pluribus. Os Duffer Brothers, ao não escreverem ou dirigirem The Boroughs — que foi co-criada por Will Matthews e Jeffrey Addiss —, entregaram um produto que reflete apenas parcialmente sua visão artística. O legado que deixam na Netflix é, sem dúvida, o de terem criado um fenômeno cultural global. O futuro na Paramount dirá se eles conseguirão replicar esse impacto ou se Stranger Things permanecerá como o ápice inalcançável de suas carreiras.
Fonte: Movieweb