A Nintendo consolidou sua estratégia de expandir o alcance de suas propriedades intelectuais para além dos consoles, transformando personagens icônicos em pilares de grandes franquias cinematográficas. O sucesso estrondoso de The Super Mario Bros. Movie, que arrecadou US$ 1,4 bilhão em 2023, serviu como o ponto de partida para uma nova era de adaptações. Com o lançamento de The Super Mario Galaxy Movie, o público pôde retornar ao universo do encanador após um intervalo de três anos, reafirmando o interesse global pela marca.
A sequência, que caminha para atingir a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria mundial, deixou claro que The Super Mario Movie 3 já integra os planos de longo prazo da companhia. Embora o próximo capítulo da jornada de Mario e seus amigos ainda não tenha recebido uma confirmação oficial detalhada, a cena pós-créditos de The Super Mario Galaxy Movie estabeleceu as bases para o futuro. Com a introdução de Rosalina, a expectativa agora gira em torno da chegada de Daisy ao elenco, que já conta com figuras centrais como Luigi e a Princesa Peach.
Apesar do entusiasmo, a janela de lançamento para o terceiro filme levanta questões estratégicas. Em declarações recentes, o ator Keegan-Michael Key, responsável pela voz de Toad, indicou que a produção mira uma estreia em 2029. Considerando o histórico de lançamentos da franquia, um cronograma que aponte para o início de abril de 2029 parece ser a aposta mais provável, mantendo a cadência que a Illumination e a Nintendo estabeleceram para o público.
O desafio do hiato de 2028 para o universo cinematográfico
A perspectiva de um intervalo de três anos até o próximo filme do Mario apresenta um problema logístico para o calendário de produções da Nintendo. A empresa tem acostumado o público a ver seus personagens nas telonas com frequência, mas o ano de 2028 corre o risco de se tornar um hiato na agenda cinematográfica do estúdio. A ausência de um título de peso nesse período pode ser um ponto de atenção para a manutenção do engajamento dos fãs.

O plano original parecia ser manter uma presença constante nos cinemas. Após o lançamento de 2026, a adaptação em live-action de The Legend of Zelda está confirmada para 2027, tendo inclusive antecipado sua data para o final de abril, buscando se aproximar da janela habitual de estreias da Nintendo. Se The Super Mario Movie 3 realmente ficar para 2029, 2028 se torna o único ano sem um lançamento de peso no cronograma imediato.
Embora a Nintendo ainda seja responsável por três filmes em um período de quatro anos, a lacuna entre Zelda e o terceiro filme do Mario soa como uma oportunidade perdida. Em um mercado onde a atenção do público é disputada por gigantes como Marvel, DC e Star Wars, evitar anos de hiato é uma tática comum para manter a relevância. A concorrência por tempo de tela é intensa, e o esquecimento pode ser um risco real para franquias que dependem de uma presença constante na cultura pop.
Possibilidades para preencher o calendário de 2028
Como ainda estamos em meados de 2026, a Nintendo possui uma margem de manobra para definir se deseja preencher o ano de 2028 com algum projeto adicional. A falta de anúncios oficiais sobre outros filmes em desenvolvimento não exclui a possibilidade de que o estúdio esteja trabalhando silenciosamente em diversas frentes que poderiam estar prontas em dois anos. A diversificação do catálogo é uma estratégia que a empresa tem explorado com cautela e sucesso.

Um exemplo claro é o rumor sobre um filme spin-off focado em Donkey Kong. Em julho de 2025, a Nintendo e a Universal registraram direitos autorais para um projeto intitulado Untitled Donkey Kong Project. Considerando o tempo de produção de uma animação, um lançamento em 2028 para o personagem dublado por Seth Rogen seria um cronograma perfeitamente viável e estratégico para evitar o vácuo no calendário.
Além disso, outras propriedades como Star Fox ou até mesmo uma aventura focada em Luigi’s Mansion poderiam estar em estágios avançados de planejamento. A Nintendo tem um vasto catálogo de personagens que possuem apelo suficiente para sustentar produções menores ou spin-offs. A existência de tais projetos daria uma chance real de a empresa manter seu ritmo de lançamentos enquanto finaliza The Super Mario Movie 3.
Por fim, não se pode descartar a possibilidade de que a produção do terceiro filme do Mario ganhe velocidade. Se o desenvolvimento avançar de forma mais ágil do que o previsto, a estreia poderia ser antecipada, resolvendo o problema do hiato de forma natural. O que fica claro é que, para a Nintendo, o desafio não é apenas criar filmes de sucesso, mas gerenciar o tempo e a expectativa do público em um mercado cada vez mais competitivo e exigente por novidades constantes.
A gestão de franquias de fantasia e aventura exige um equilíbrio delicado entre qualidade e frequência. Enquanto a Nintendo avalia seus próximos passos, o público aguarda para ver se a empresa conseguirá manter o ímpeto conquistado nos últimos anos. A estratégia de longo prazo da companhia será testada pela sua capacidade de preencher esses espaços vazios no calendário, garantindo que o público continue engajado com suas marcas, independentemente do tempo de espera entre os grandes lançamentos.
A indústria de entretenimento, como visto em 10 séries de fantasia que superam House of the Dragon, demonstra que a consistência é a chave para a longevidade. A Nintendo parece ter compreendido essa lição, mas o desafio de 2028 será um teste importante para sua estrutura de produção e planejamento estratégico. Resta saber qual será a próxima grande aposta do estúdio para manter a chama acesa nos cinemas mundiais.
Fonte: ScreenRant