O veterano Steve Kroft, ex-correspondente do 60 Minutes, manifestou duras críticas à recente reestruturação do programa jornalístico da CBS News. Em entrevista concedida ao PBS News, o jornalista classificou as mudanças implementadas sob a liderança de Bari Weiss como desastrosas, apontando que a atual gestão ignora o sucesso consolidado da atração e interfere diretamente na integridade editorial do formato.



A declaração de Steve Kroft ocorre em um momento de instabilidade na emissora, marcado pela demissão de figuras centrais do programa, incluindo o correspondente Scott Pelley, a produtora executiva Tanya Simon, além dos desligamentos de Cecilia Vega e Sharyn Alfonsi. Para o veterano, que dedicou 30 temporadas ao programa, as decisões recentes não possuem justificativa comercial, dado que o 60 Minutes permanece como o programa de notícias de maior audiência na televisão norte-americana, tendo registrado um crescimento de 9% no público no último ano.
Interferência editorial e o futuro do 60 Minutes
Durante a conversa com Geoff Bennett, Steve Kroft foi questionado sobre a linha que separa decisões de negócios de interferência jornalística. O jornalista foi enfático ao afirmar que o cenário atual se enquadra na segunda categoria. Segundo ele, o programa, que mantém sua relevância há mais de cinco décadas, está sendo alvo de uma gestão que prioriza interesses externos em detrimento da qualidade e da tradição do jornalismo investigativo da CBS News.
A crise interna ganhou contornos mais graves após o confronto entre Scott Pelley e o novo produtor executivo, Nick Bilton. Durante uma reunião de equipe, Scott Pelley teria confrontado a liderança, alegando que Bari Weiss, editora-chefe da CBS News, estaria destruindo o programa. O clima de CBS News vive crise interna após confronto no 60 Minutes reflete a insatisfação de profissionais veteranos com a nova direção imposta pela Paramount e pelo CEO David Ellison.
Contexto das demissões e a fusão com a Warner Bros… Discovery
A reestruturação do 60 Minutes coincide com um período de pressão corporativa sobre a Paramount, que busca a aprovação da FCC para sua fusão com a Warner Bros.. Discovery. Steve Kroft sugeriu que a empresa estaria disposta a remover qualquer obstáculo que pudesse comprometer o aval regulatório, incluindo o afastamento de jornalistas que não se alinham à nova visão da emissora. O jornalista relembrou que a tensão começou após uma entrevista de Bill Whitaker com Kamala Harris, que resultou em um processo de US$ 17 milhões movido pela administração Trump, valor que a Paramount optou por pagar em um acordo, gerando precedentes preocupantes.
O descontentamento com a gestão de Bari Weiss é compartilhado por diversos membros da equipe, que questionam sua falta de experiência em reportagem televisiva. A situação envolvendo a Bari Weiss defende demissão de Scott Pelley do 60 Minutes como parte de um processo de renovação, mas críticos argumentam que a medida visa apenas o controle político do conteúdo. A contratação de Nick Bilton, ex-colunista de tecnologia do The New York Times, para assumir a produção executiva, é vista por muitos como uma tentativa de digitalizar e alterar o DNA do programa.
A rotina exaustiva e o legado do programa
Ao refletir sobre sua trajetória de 30 anos no 60 Minutes, Steve Kroft admitiu que, embora o trabalho fosse extremamente exigente, a dedicação era recompensada pela qualidade do jornalismo produzido. Ele descreveu a rotina como um ciclo ininterrupto de 24 horas, envolvendo viagens constantes, produção de roteiros complexos e um rigoroso processo de edição. Essa cultura de excelência, segundo o veterano, é o que está sendo ameaçado pelas mudanças atuais.
A incerteza sobre o futuro da atração gera preocupações entre os espectadores e profissionais da indústria. A CBS News enfrenta incerteza no 60 Minutes após demissões, com muitos se perguntando se o programa conseguirá manter sua independência editorial sob a nova estrutura. Para Steve Kroft, a resposta é clara: as mudanças não fazem sentido do ponto de vista de negócios e representam um retrocesso para o jornalismo televisivo.
O impacto dessas decisões vai além dos bastidores da emissora. A saída de nomes como Scott Pelley, que era visto como um dos pilares do programa, sinaliza uma mudança profunda na identidade da CBS News. Enquanto a liderança defende que as alterações são necessárias para a modernização, a recepção crítica e a reação de veteranos como Steve Kroft indicam que a transição está sendo percebida como um desmantelamento de uma das instituições mais respeitadas do telejornalismo mundial.
A situação permanece em desenvolvimento, com a audiência e os críticos observando atentamente como o 60 Minutes se comportará sob a nova gestão. A pressão por resultados financeiros e a necessidade de alinhamento corporativo parecem ter superado o compromisso com a continuidade editorial que definiu o programa por décadas. O desfecho dessa crise poderá definir o futuro não apenas do 60 Minutes, mas também a forma como a CBS News se posicionará diante de desafios políticos e econômicos nos próximos anos.