Para os entusiastas da franquia Stargate, a espera por novos conteúdos tem sido uma jornada longa e paciente. Com as recentes notícias de que o Prime Video está trabalhando em um reboot desta peça fundamental da ficção científica, surge uma esperança renovada de que novas aventuras através do portal e por toda a galáxia estejam finalmente a caminho. Este sentimento de expectativa não era sentido com tanta intensidade desde a conclusão de Stargate Universe. No entanto, para aqueles que buscam saciar a sede por conteúdo inédito ou revisitar a mitologia da saga, existe uma joia escondida que foi lançada há alguns anos: Stargate Origins.
Esta produção, composta por dez episódios, foi lançada originalmente em 2018 para celebrar o vigésimo aniversário de Stargate SG-1. Inicialmente, a minissérie foi disponibilizada na plataforma Stargate Command, um serviço de streaming dedicado exclusivamente ao universo da franquia. Com o fechamento daquela plataforma e a subsequente aquisição da MGM pela Amazon, todo o catálogo de Stargate foi integrado ao Prime Video, tornando-se o destino definitivo para fãs que planejam uma maratona completa neste fim de semana.
Uma história de origem ambientada em 1938
Embora seja a entrada mais recente na cronologia da franquia, Stargate Origins não avança a história para o futuro, mas sim retrocede ao passado. A trama funciona como um prelúdio que se desenrola antes mesmo dos eventos do filme original de 1994, dirigido por Roland Emmerich. A narrativa é situada em 1938, vários anos após o professor Paul Langford, interpretado por Connor Trinneer, e sua equipe terem descoberto o Stargate em Gizé. A minissérie inicia com um breve flashback que remete à cena de abertura do filme de 1994, antes de saltar para o período em que Catherine Langford, vivida por Ellie Gall, ainda lutava para compreender os glifos enigmáticos gravados no dispositivo alienígena.
A trama ganha contornos de urgência quando o professor é forçado a atravessar o portal por um ocultista nazista chamado Wilhelm Brücke, interpretado por Aylam Orian. O vilão busca desesperadamente utilizar o poder dos deuses para conferir ao Terceiro Reich uma vantagem estratégica sobre o restante do mundo. Em uma tentativa desesperada de resgatar seu pai, Catherine recruta seu namorado, o capitão James Beal (Philip Alexander), e o egípcio Wasif (Shvan Aladdin). Juntos, eles cruzam o portal e iniciam uma jornada pelas estrelas, chegando ao mundo de Abydos décadas antes de nomes icônicos como Daniel Jackson e Jack O’Neill sequer sonharem com a existência do dispositivo.
Uma abordagem revisionista e acessível
Em muitos aspectos, Stargate Origins se apresenta como uma história de ficção científica pulp com uma roupagem revisionista, infundindo elementos da literatura especulativa dos anos 1930 com uma sensibilidade voltada para o público da década de 2010. A obra é repleta de referências inspiradas e prepara o terreno para o filme original, que apresentava uma versão mais velha de Catherine, interpretada por Viveca Lindfors. A minissérie é uma experiência rápida, com episódios de dez minutos que totalizam cerca de uma hora e quarenta minutos de duração, sendo perfeita para um consumo ágil.
Para aqueles que preferem uma experiência sem interrupções, a MGM disponibilizou uma versão reeditada chamada Stargate Origins: Catherine. Este “feature cut” oferece uma transição mais fluida, contando com uma trilha sonora revisada e efeitos visuais atualizados, embora a história central permaneça inalterada. É importante ressaltar, contudo, que a produção possui um orçamento mais modesto e uma natureza que se aproxima mais de uma websérie de apoio do que das superproduções como SG-1 ou Atlantis. O desempenho e as escolhas de personagens podem parecer irregulares para alguns espectadores, mas para os fãs devotos, a obra é um item obrigatório por sua conexão direta com a fundação da mitologia.
Por fim, vale um aviso aos marinheiros de primeira viagem: apesar do título, Origins não é o melhor ponto de partida. A recomendação ideal é começar pelo filme de 1994. Embora o longa tenha sido planejado originalmente como o início de uma trilogia, a franquia seguiu um caminho diferente ao migrar para a televisão com SG-1. Assistir ao filme original é essencial para compreender o contexto antes de mergulhar nesta prequela. Com o futuro da série ainda em aberto sob o comando da Amazon, Stargate Origins permanece como um capítulo curioso e essencial para quem deseja explorar cada canto deste vasto universo intergaláctico.
Fonte: Collider