Star Wars: O Despertar da Força marca início ideal da era Disney

Embora a trilogia sequencial tenha enfrentado desafios narrativos, o primeiro capítulo estabeleceu bases sólidas para a nova geração da franquia.

A era da Disney em Star Wars tem sido, na melhor das hipóteses, uma experiência mista. Para os fãs de longa data, a trajetória da franquia sob o novo comando tem sido marcada por frustrações, com projetos que não atenderam às expectativas e outros que foram abertamente rejeitados pelo público. Em contrapartida, a crítica especializada também demonstrou descontentamento com certas produções. Independentemente da posição pessoal de cada espectador sobre os filmes e séries lançados, o consenso geral é que a qualidade tem sido oscilante, com momentos de brilho absoluto intercalados por falhas significativas que impediram a franquia de manter um impulso constante.

poe dameron escaping in a tie fighter in the force awakens
Cena do universo Star Wars.
han and chewie from force awakens
Cena do universo Star Wars.
darth sidious in the rise of skywalker
Cena do universo Star Wars.

Exemplos dessa disparidade são evidentes. Enquanto Andor é amplamente aclamado como uma das melhores produções já feitas dentro do universo Star Wars, e títulos como Rogue One: Uma História Star Wars e Maul – Shadow Lord possuem uma recepção positiva, o cenário muda drasticamente com outros lançamentos. Star Wars: Os Últimos Jedi, por exemplo, enfrenta um forte desdém de grande parte da base de fãs, enquanto O Livro de Boba Fett foi amplamente considerado decepcionante. O encerramento da trilogia, Star Wars: A Ascensão Skywalker, parece não ter agradado a praticamente ninguém, o que torna a tarefa de manter a coesão da saga um desafio monumental.

No entanto, é inegável que a era Disney começou com o pé direito graças a Star Wars: O Despertar da Força. Embora alguns fãs tenham mudado sua percepção sobre o filme ao longo dos anos, existem razões fundamentais pelas quais este longa foi o ponto de partida ideal para esta nova fase da franquia.

O Despertar da Força consolida sucesso com crítica e público

O fator principal que torna O Despertar da Força uma excelente porta de entrada é, simplesmente, a qualidade do filme como obra cinematográfica. A crítica especializada foi extremamente favorável, mantendo uma impressionante pontuação de 93% no Rotten Tomatoes. O público também validou a produção, com o medidor de audiência (Popcornmeter) registrando sólidos 84%, o que demonstra que o filme funciona tanto para os críticos quanto para o espectador casual. Curiosamente, essa nota de 93% empata com O Império Contra-Ataca como a segunda maior pontuação de toda a franquia, um feito notável para um filme que precisava carregar o peso de reiniciar uma saga tão amada.

O filme entrega a escala épica que tornou a franquia famosa em seu auge. Mesmo que alguns aspectos da narrativa não funcionem exatamente no mesmo nível da trilogia original, a sensação é a de um grande evento cinematográfico, algo que o público ansiava ver. Além disso, o longa se beneficia de atuações sólidas de praticamente todo o elenco, desde os recém-chegados como Daisy Ridley e John Boyega até os veteranos que retornaram às telas, como Harrison Ford e Carrie Fisher. O filme cumpre, com eficiência, a difícil missão de estabelecer um novo normal para a galáxia.

A introdução de um novo trio de protagonistas

A trilogia original presenteou o mundo com um trio de heróis icônicos: Luke Skywalker, Princesa Leia e Han Solo. A trilogia sequencial enfrentou a árdua tarefa de criar novos personagens que pudessem, eventualmente, alcançar o mesmo status cultural. Embora, em última análise, isso não tenha ocorrido, O Despertar da Força proporcionou a Rey, Finn e Poe Dameron introduções memoráveis e promissoras.

Rey destacou-se como uma protagonista intrigante justamente por ser, inicialmente, uma pessoa comum. Ela não era uma ‘escolhida’ por profecia, nem possuía conexões familiares com figuras importantes — uma abordagem que foi posteriormente alterada em decisões que a maioria dos fãs desaprovou. A ideia de que uma nova heroína pudesse trilhar seu próprio caminho, sem estar obrigatoriamente ligada à linhagem Skywalker, era um conceito refrescante. Embora ela demonstrasse habilidades acima do esperado, o mesmo poderia ser dito de Luke em Uma Nova Esperança.

Oscar Isaac trouxe um carisma inegável ao papel de Poe Dameron, que parecia ser o sucessor espiritual mais próximo de Han Solo. Novamente, trata-se de um personagem que as sequências subsequentes não souberam aproveitar, mas O Despertar da Força lhe deu uma introdução vibrante e estabeleceu uma relação fundamental com Finn. Falando em Finn, ele representou o aspecto mais interessante do filme. A jornada de um ex-Stormtrooper que decide mudar de lado após testemunhar a crueldade da Primeira Ordem foi exatamente o tipo de perspectiva nova que a franquia precisava.

O uso equilibrado da nostalgia

Um dos maiores acertos do filme foi o equilíbrio no uso da nostalgia. Ao contrário de outras produções que se apoiam excessivamente em referências ao passado, O Despertar da Força utilizou elementos nostálgicos para servir à trama. O retorno de personagens como Han Solo e Chewbacca foi pontual e significativo, ajudando a impulsionar o desenvolvimento de novos personagens e a estabelecer o novo status quo da galáxia. O filme conseguiu honrar o legado da trilogia original enquanto abria caminho para o futuro, provando que, com o planejamento correto, a era Disney poderia ter mantido o sucesso que este primeiro capítulo alcançou com tanta maestria.

Fonte: ScreenRant