Sindicatos do Reino Unido e França protestam contra longas jornadas no entretenimento

Trabalhadores da indústria denunciam a normalização de turnos exaustivos e exigem condições mais seguras durante o Festival de Cannes.

Os sindicatos de trabalhadores do entretenimento do Reino Unido e da França uniram forças em uma campanha internacional para denunciar as condições de trabalho na indústria cinematográfica. A iniciativa, divulgada durante o Festival de Cannes de 2026, aponta que a cultura atual normalizou jornadas excessivas, gerando riscos graves à saúde, segurança e bem-estar dos profissionais.

A campanha contra turnos exaustivos

A ação é parte central da campanha Broken Turnaround, liderada pelo sindicato britânico Bectu. O objetivo principal é eliminar a prática recorrente em produções de cinema e televisão onde trabalhadores são pressionados a ignorar o período mínimo de descanso obrigatório entre turnos. Embora a legislação garanta o direito à recusa, os sindicatos afirmam que a pressão por cronogramas irreais torna a violação dessas pausas uma prática disseminada.

Impacto na sustentabilidade da indústria

O secretário nacional do Bectu, Spencer MacDonald, destacou que o sucesso das produções não deve ser construído sobre o esgotamento dos profissionais. Segundo o representante, a indústria precisa de mudanças estruturais para garantir carreiras sustentáveis em todos os níveis e funções. A campanha utiliza o slogan “You Can(nes) say no to long hours” para conscientizar sobre a necessidade de limites mais rígidos nas escalas de trabalho.

Contexto do mercado cinematográfico

A mobilização ocorre em um momento em que a indústria discute o futuro das produções globais, um tema que também permeia debates sobre a longevidade de grandes estúdios e a gestão de talentos. A pressão por melhores condições de trabalho reflete a busca por um ambiente profissional mais equilibrado. A união entre as entidades britânicas e francesas sinaliza uma tendência de cooperação internacional para enfrentar desafios comuns que afetam equipes técnicas e criativas em todo o mundo.

Fonte: THR