A Netflix estreou recentemente Brazil ’70: The Third Star, uma série documental de cinco episódios que revisita a trajetória da seleção brasileira de futebol durante a Copa do Mundo de 1970, realizada no México. A produção chega ao catálogo em um momento de alta expectativa para o torneio de 2026, oferecendo um olhar aprofundado sobre os bastidores de uma das conquistas mais emblemáticas do esporte mundial. O projeto não se limita apenas aos gramados, explorando as tensões políticas e os desafios pessoais enfrentados pelos atletas da época.
A narrativa destaca o papel fundamental do jornalista e treinador João Saldanha, interpretado por Rodrigo Santoro, na montagem do elenco que viria a fazer história. A série detalha como Saldanha convenceu Pelé, vivido por Lucas Agrícola, a retornar à seleção após as frustrações nas edições de 1962 e 1966. A transição para o comando de Mário Zagallo, interpretado por Bruno Mazzeo, após o afastamento de Saldanha por conflitos com a ditadura militar, é um dos pontos centrais que moldam a dinâmica do grupo antes da competição.
O peso da expectativa sobre Pelé e o elenco

Para Pelé, a Copa de 1970 representava a última oportunidade de consolidar seu legado como o maior jogador de futebol de todos os tempos. A produção utiliza depoimentos e reconstituições para ilustrar a pressão psicológica que o craque carregava, algo que ressoa com temas universais de superação e medo do fracasso. Em um dos momentos mais marcantes da série, o jogador Tostão, interpretado por Ravel Andrade, compartilha com o protagonista a importância da união do grupo para dividir o peso das expectativas nacionais.
O elenco conta ainda com nomes como Gui Ferraz no papel de Jairzinho, Daniel Blanco como Rivelino e Maicon Rodrigues como Paulo Cézar Caju. A série, criada por Naná Xavier e Rafael Dornellas, enfatiza que o sucesso daquele time não dependia apenas de talento individual, mas da capacidade de resiliência coletiva diante de um cenário de incertezas. A obra funciona como um complemento histórico para fãs que buscam entender a complexidade por trás do tricampeonato mundial.
Temas universais além do futebol

Embora o foco seja o futebol, Brazil ’70: The Third Star aborda questões que transcendem o esporte, como o custo de se posicionar contra injustiças políticas e a dificuldade de lidar com a transição de carreira. A série consegue conectar o público jovem, que talvez não conheça os detalhes daquele período, com a intensidade emocional de um evento que parou o país. A produção é uma recomendação ideal para quem busca conteúdos de qualidade no streaming, similar ao impacto de outras obras de peso, como Chernobyl, que também soube equilibrar fatos históricos com uma narrativa envolvente.
A série também explora a herança deixada por ícones como Garrincha, cujo legado foi carregado por Jairzinho ao assumir a camisa 7. A pressão sobre o capitão Carlos Alberto Torres, interpretado por Caio Cabral, para manter a coesão do time em meio a lesões e inseguranças, é retratada com sensibilidade. Ao final, a obra se estabelece como um registro necessário sobre a importância da amizade e do suporte mútuo em momentos de alta performance, servindo como um aquecimento emocional para os espectadores que aguardam a Copa do Mundo de 2026.
O contexto histórico e o impacto da ditadura no futebol

Para compreender a magnitude de Brazil ’70: The Third Star, é preciso olhar para o Brasil de 1970. A série documental não ignora o clima político tenso da época, marcado pelo auge do regime militar. A figura de João Saldanha é central aqui: ele não era apenas um técnico, mas um jornalista combativo que não se calava diante das autoridades. Sua saída, retratada com precisão na obra, serve como um lembrete de como o esporte era instrumentalizado pelo governo para fins de propaganda nacionalista. A transição para Mário Zagallo não foi apenas uma troca de comando técnico, mas uma mudança de paradigma que exigiu dos jogadores uma adaptação rápida a um regime de treinos muito mais rigoroso e, por vezes, exaustivo.
A série acerta ao mostrar que o tricampeonato não foi um passeio. O México, sede da Copa, impôs desafios climáticos e logísticos que testaram a resistência física dos atletas. A narrativa de Naná Xavier e Rafael Dornellas humaniza esses ídolos, mostrando que, por trás das camisas amarelas, havia homens lidando com lesões, inseguranças e o medo constante de não corresponder a uma nação inteira que via no futebol sua única válvula de escape.
A importância da série como aquecimento para 2026
Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, a Netflix entrega um produto que vai além da nostalgia. Ao revisitar 1970, a plataforma convida o público a refletir sobre a evolução do esporte. Enquanto hoje temos tecnologias de monitoramento e análise de dados, em 1970 a conexão entre os jogadores era puramente humana. O diálogo entre Pelé e Tostão, recriado na série, é um dos pontos altos do roteiro. Ele ilustra a solidão do craque, que, mesmo cercado por multidões, sentia o peso de ser o rosto de uma era. Esse sentimento de “fim de ciclo” é algo que veremos ecoar em 2026, com a possível despedida de grandes nomes do futebol mundial, como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. A série, portanto, funciona como um espelho temporal.
Bastidores e a construção do elenco
Um dos maiores méritos da produção é a escolha do elenco. A performance de Lucas Agrícola como Pelé é notável, não apenas pela semelhança física, mas pela captura da vulnerabilidade do jogador. Já Marcelo Adnet, interpretando o comentarista Eusébio Teixeira, traz uma camada de verossimilhança ao ambiente da imprensa esportiva da época, que vivia sob censura e pressão constante. A reconstituição dos treinos e das conversas de vestiário oferece ao espectador brasileiro uma perspectiva rara sobre o que acontecia longe das câmeras de televisão da época.
A série também dedica tempo para explorar a herança de Garrincha. Quando Jairzinho assume a camisa 7, ele não está apenas vestindo um uniforme; ele está carregando o peso de um antecessor que era a alma do povo. Essa passagem de bastão é tratada com uma sensibilidade que raramente vemos em documentários esportivos, tornando a obra um registro histórico fundamental.
Onde assistir e disponibilidade
Brazil ’70: The Third Star já está disponível na íntegra no catálogo da Netflix Brasil. Composta por cinco episódios, a série é uma maratona ideal para o fim de semana, especialmente para quem deseja se preparar para a cobertura da Copa de 2026. A produção está acessível para todos os assinantes da plataforma, sem custo adicional, e reforça o compromisso do streaming em investir em narrativas brasileiras de alta qualidade técnica e valor documental. Não há previsão de exibição em canais de TV aberta, sendo a Netflix o canal exclusivo de distribuição desta obra.
Fontes: Collider ScreenRant