Nintendo registra queda de 10% nas ações após projeção de vendas

Empresa revisa expectativas para o Switch 2 e enfrenta desafios com custos de produção e margens de lucro menores no atual ano fiscal.

As ações da Nintendo sofreram uma queda de 10% em seu valor de mercado na manhã do dia 11 de maio, marcando o declínio mais acentuado da companhia em um período de três meses. Este movimento negativo ocorre logo após a empresa revelar uma projeção de vendas considerada decepcionante para o ano fiscal de 2027, gerando um clima de incerteza e cautela entre os investidores, que não se mostraram impressionados com os dados recentes apresentados pela gigante japonesa dos jogos.

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O cenário de incerteza no mercado

A companhia vinha desfrutando de uma fase extremamente positiva, com o console Switch 2 superando o desempenho de seu antecessor e títulos de peso, como Pokemon Pokopia e Tomodachi Life: Living the Dream, alcançando números expressivos de popularidade. No entanto, o cenário atual apresenta contornos mais instáveis. De acordo com um relatório recente da Bloomberg, a Nintendo projeta a venda de apenas 16,5 milhões de unidades do Switch 2 para o atual ano fiscal. Embora este volume ainda seja expressivo dentro da indústria de hardware, ele representa uma desaceleração notável se comparado ao ritmo acelerado de vendas registrado anteriormente.

Para colocar em perspectiva, apesar de um início de trajetória que quebrou recordes, as vendas do Switch 2 ficaram atrás do PlayStation 5 nos dois primeiros meses de 2026. A expectativa da Nintendo é que essa tendência de queda relativa persista ao longo de todo o ano fiscal de 2027. É importante notar que, mesmo com a meta de 16,5 milhões de unidades, o console ainda superaria o desempenho do Switch original em seus primeiros 22 meses de mercado. Contudo, a queda acentuada em relação aos 19,86 milhões de unidades vendidas no ano fiscal de 2026 foi suficiente para deixar os investidores cautelosos quanto à sustentabilidade do crescimento a longo prazo.

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A Nintendo busca estratégias para manter o valor do Switch 2 em meio a desafios econômicos.

Custos de produção e pressão econômica

Um fator determinante para o desânimo do mercado é o aumento do preço do console. Em 8 de maio, a Nintendo confirmou o que muitos analistas já temiam: o valor do Switch 2 foi elevado globalmente. Quando o reajuste de US$ 50 entrar em vigor, o sistema se tornará o console mais caro já comercializado pela empresa, sem considerar os ajustes inflacionários. Esta é uma mudança de rumo desfavorável para os consumidores, que já enfrentam condições macroeconômicas desafiadoras que pressionam o poder de compra das famílias. O impacto desse aumento nas vendas futuras ainda é uma incógnita, mas a falta de otimismo por parte da Nintendo e de seus acionistas sugere que o cenário é preocupante.

Além da queda nas projeções de vendas, o presidente da Nintendo, Shuntaro Furukawa, trouxe à tona questões estruturais ao discutir planos para aumentar o valor de propriedade do console. Furukawa admitiu que o aumento de preço não cobre integralmente os custos crescentes de fabricação. A empresa enfrenta uma crise de oferta de componentes, incluindo a escassez de memória RAM, além de outros custos elevados na cadeia de suprimentos que estão comprimindo as margens de lucro por unidade vendida. A combinação de uma demanda potencialmente menor com margens de lucro mais estreitas criou a tempestade perfeita para afastar investidores.

Comparação histórica e perspectivas

Como resultado desses fatores, o valor das ações da Nintendo atingiu seu ponto mais baixo desde agosto de 2024. Naquela época, a empresa, juntamente com outras gigantes do setor como a Sega, sofreu perdas significativas no mercado de ações devido à estagnação nas vendas de hardware e à pressão econômica global que afetou diversos setores industriais. O fato de a empresa estar sendo comparada a esse período de dificuldades passadas não é um sinal positivo para os acionistas. Embora a Nintendo tenha conseguido superar o revés de 2024 para atingir patamares recordes posteriormente, a situação atual exige uma resposta estratégica robusta. A empresa agora se encontra em uma posição onde precisa provar que sua linha de produtos e a força de suas franquias são capazes de sustentar o valor de mercado, mesmo diante de um ambiente econômico adverso e custos operacionais que continuam a desafiar a rentabilidade do hardware no curto e médio prazo.

Fonte: GameRant