Masters of the Universe tem estreia morna nas bilheterias

A temporada de verão nos cinemas recebeu uma nova aposta de grande orçamento, mas o desempenho inicial de Masters of the Universe indica um desafio.

A temporada de verão nos cinemas recebeu uma nova aposta de grande orçamento, mas o desempenho inicial de Masters of the Universe indica um desafio considerável para a produção. O longa, que marca o retorno da icônica franquia dos anos 1980 às telonas, registrou números abaixo do esperado em suas sessões de pré-estreia, levantando questionamentos sobre a força da marca junto ao público contemporâneo e sua capacidade de sustentar uma nova saga cinematográfica.

De acordo com informações divulgadas, o filme arrecadou US$ 4,4 milhões domesticamente em suas exibições de quinta-feira, 4 de junho. O valor ficou significativamente atrás de outros lançamentos do gênero, como o recente sucesso de terror Scary Movie, que alcançou US$ 7,7 milhões no mesmo período. A comparação com outros blockbusters de franquias estabelecidas também é desfavorável; The Mandalorian and Grogu, por exemplo, registrou US$ 12 milhões em suas prévias, consolidando um desempenho muito mais robusto antes de sua abertura oficial.

Desempenho abaixo das projeções iniciais

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Masters em cena relacionada a Desempenho abaixo das projeções iniciais. Crédito: DC Studios/Warner Bros. Pictures.

Antes do fim de semana de estreia, havia um otimismo moderado em relação ao potencial de Masters of the Universe. O boca a boca inicial sugeria uma aventura de fantasia divertida, e a inclusão do filme no cronograma de exibições em IMAX foi vista como um impulso estratégico para atrair o público de formatos premium. No entanto, as projeções de mercado indicam que o longa deve arrecadar entre US$ 30 milhões e US$ 35 milhões em seu primeiro fim de semana doméstico, um valor considerado modesto para uma produção com orçamento estimado próximo a US$ 200 milhões.

A situação coloca a Amazon e a Sony em uma posição delicada. O histórico recente de reboots de fantasia, como Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves, serve como um alerta. Embora tenha recebido críticas positivas, o filme de 2023 também teve uma abertura tímida de US$ 37,2 milhões e não conseguiu gerar uma sequência, apesar de ter arrecadado US$ 4,1 milhões em suas prévias. A falta de um apelo de “evento imperdível” parece ser um obstáculo comum para essas produções.

A estreia de She-Ra no live-action

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Masters em cena relacionada a A estreia de She-Ra no live-action. Crédito: DC Studios/Warner Bros. Pictures.

Apesar dos números desanimadores nas bilheterias, o filme traz elementos que buscam engajar os fãs de longa data. Sob a direção de Travis Knight, a obra expande o universo da franquia ao incluir personagens que não apareceram na versão de 1987, como Fisto, Ram-Man e os pais de He-Man, o Rei Randor e a Rainha Marlena. O destaque, contudo, fica por conta de uma revelação importante nas cenas pós-créditos.

Conforme detalhado em Masters of the Universe revela cenas pós-créditos com She-Ra, a personagem faz sua primeira aparição em um projeto live-action. Interpretada por Lauren Saliu, a irmã gêmea perdida de He-Man surge brevemente, marcando um momento histórico para a franquia. Embora a Amazon tenha desenvolvido uma série live-action de She-Ra desde 2021, a aparição no filme de 2026 é o primeiro registro oficial da personagem em carne e osso, o que pode servir como um gancho para futuras expansões, caso o desempenho comercial permita.

Concorrência acirrada e futuro da franquia

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Masters em cena relacionada a Concorrência acirrada e futuro da franquia. Crédito: DC Studios/Warner Bros. Pictures.

O cenário para as próximas semanas não é favorável. O mês de junho apresenta um calendário de lançamentos extremamente competitivo, com títulos como Disclosure Day, de Steven Spielberg, Toy Story 5, da Pixar, e Supergirl, da DC, disputando a atenção do público. A necessidade de uma abertura forte era vital para que Masters of the Universe estabelecesse uma trajetória lucrativa, algo que, segundo os dados atuais, parece improvável.

A recepção crítica, embora não seja o fator determinante para o fracasso, reflete a dificuldade do filme em se conectar com um público mais amplo. Enquanto produções como Scary Movie conseguem mobilizar uma base de fãs nostálgicos e curiosos, a nova aventura de Eternia enfrenta o desafio de ser vista como uma obra de nicho. A Masters of the Universe tem estreia morna nas bilheterias, e o estúdio agora observa se o interesse do público pode crescer organicamente nas próximas semanas ou se o projeto se tornará mais um exemplo de dificuldade em revitalizar propriedades intelectuais clássicas para o mercado atual.

O desafio de adaptar Eternia para o século XXI

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Masters em cena relacionada a O desafio de adaptar Eternia para o. Crédito: DC Studios/Warner Bros. Pictures.

A trajetória de Masters of the Universe até as telas foi marcada por um longo período de desenvolvimento, passando por diversos estúdios e roteiristas antes de encontrar seu caminho sob a tutela da Amazon e da Sony. Para o público brasileiro, que cresceu acompanhando as aventuras de He-Man através das exibições televisivas nas décadas de 80 e 90, a expectativa era alta. No entanto, o desafio de traduzir a estética camp e a mitologia expansiva de Eternia para um blockbuster moderno de 200 milhões de dólares provou ser uma tarefa complexa. A produção buscou equilibrar o tom nostálgico com uma narrativa que pudesse atrair novos espectadores, mas o resultado nas bilheterias sugere que essa ponte entre gerações ainda não foi totalmente construída.

Contexto de mercado e o impacto das franquias de fantasia

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Masters em cena relacionada a Contexto de mercado e o impacto das. Crédito: DC Studios/Warner Bros. Pictures.

O mercado cinematográfico atual tem demonstrado uma seletividade rigorosa com propriedades intelectuais de fantasia. O caso de Masters of the Universe ilustra uma tendência preocupante para grandes estúdios: o esgotamento do efeito nostalgia quando desacompanhado de uma inovação narrativa que justifique o alto custo de produção. Ao contrário de franquias que conseguiram se reinventar com sucesso, como o universo de super-heróis da Marvel ou as adaptações de fantasia épica que mantêm uma base de fãs engajada, He-Man enfrenta a dificuldade de ser percebido como um produto de nicho. A comparação com Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves é particularmente pertinente, pois ambos os filmes tentaram revitalizar marcas clássicas com orçamentos elevados, apenas para encontrar um público doméstico cauteloso que não se traduziu em um fenômeno global.

O papel dos formatos premium e a estratégia de exibição

A inclusão de Masters of the Universe no circuito IMAX foi uma manobra estratégica clara para maximizar a receita por ingresso, dado que o público de grandes produções de fantasia costuma buscar a experiência imersiva de telas gigantes. Contudo, a baixa adesão nas sessões de pré-estreia indica que nem mesmo a promessa de uma qualidade técnica superior foi suficiente para impulsionar a venda antecipada de ingressos. Para o mercado brasileiro, que possui uma infraestrutura robusta de salas premium, esse desempenho inicial serve como um termômetro sobre o interesse local na marca, que, embora possua um valor afetivo inegável, pode estar enfrentando dificuldades para se posicionar como um evento cinematográfico obrigatório diante de uma concorrência tão agressiva em junho.

O futuro da marca e a expansão do universo

A introdução de She-Ra no live-action, embora seja um momento de celebração para os fãs, levanta questões sobre a viabilidade de um universo compartilhado. A estratégia de utilizar cenas pós-créditos para plantar sementes de futuras continuações é uma prática comum em Hollywood, mas sua eficácia depende inteiramente do sucesso comercial do filme base. Com o orçamento de 200 milhões de dólares, a margem para erro é mínima. Caso o filme não consiga reverter sua trajetória nas próximas semanas, a Amazon e a Sony podem ser forçadas a reavaliar seus planos para a franquia, o que poderia significar o cancelamento de projetos derivados ou uma mudança drástica na abordagem criativa para futuras iterações de He-Man e seus aliados.

Disponibilidade e janela de exibição no Brasil

Para os espectadores brasileiros, a janela de exibição de Masters of the Universe segue o padrão global de lançamentos de grandes estúdios. O filme encontra-se atualmente em cartaz nos principais complexos de cinema do país. Dada a natureza da parceria entre Amazon e Sony, é esperado que, após o término do período de exclusividade nos cinemas, o título seja disponibilizado na plataforma de streaming Prime Video, permitindo que uma parcela maior do público brasileiro tenha acesso à obra. Acompanhar a performance do filme nas próximas semanas será fundamental para entender como o mercado nacional reagirá à proposta de Travis Knight e se o fator nostalgia será capaz de sustentar a permanência do longa em cartaz frente aos próximos lançamentos do mês de junho.

Fontes: ComicBook Movieweb ScreenRant