Kevin Hart defende Tony Hinchcliffe após polêmica em seu roast

O comediante Kevin Hart se posicionou sobre as críticas ao especial da Netflix, defendendo o estilo de seus colegas e pedindo distância das polêmicas.

O comediante Kevin Hart decidiu se posicionar publicamente sobre a repercussão negativa em torno de piadas feitas durante o especial Roast of Kevin Hart, transmitido pela Netflix. O evento, que reuniu diversos nomes do humor para satirizar a carreira e a vida pessoal do artista, tornou-se alvo de críticas intensas, especialmente devido a uma fala do comediante Tony Hinchcliffe envolvendo o nome de George Floyd, homem negro assassinado por policiais em 2020.

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Em entrevista ao programa The Breakfast Club, Kevin Hart buscou distanciar sua imagem das escolhas criativas dos convidados que participaram da produção. O humorista enfatizou que, embora o conteúdo possa ter soado ofensivo para parte do público, o formato de um roast pressupõe a existência de humor ácido e, por vezes, racialmente carregado. Para Hart, o público que acompanha esse tipo de programa já possui consciência sobre a natureza das piadas apresentadas.

Kevin Hart e Tony Hinchcliffe durante o especial da Netflix
Kevin Hart afirmou que Tony Hinchcliffe entregou um dos melhores sets da noite, apesar das críticas recebidas.

Kevin Hart comenta o estilo de comédia de Tony Hinchcliffe

Ao ser questionado sobre a piada específica de Tony Hinchcliffe, que mencionou que George Floyd estaria rindo tanto a ponto de não conseguir respirar, Kevin Hart admitiu que o comentário não foi de bom gosto para a cultura e para a audiência em geral. No entanto, o artista reforçou que não ficou surpreso com a abordagem. Segundo ele, o comportamento de Hinchcliffe é consistente com seu estilo de comédia, que frequentemente explora limites e temas sensíveis.

“Eu não esperava menos. Eu não esperava mais”, declarou Kevin Hart durante a conversa. O comediante argumentou que, ao assistir a um roast, o espectador deve compreender que o humor racial está sobre a mesa como parte da dinâmica do espetáculo. Ele comparou a situação ao Roast of Tom Brady, destacando que esse tipo de evento anual segue uma lógica própria onde o politicamente correto raramente é o foco principal dos participantes.

Reconhecimento do desempenho de Hinchcliffe e Pete Davidson

Apesar da controvérsia, Kevin Hart não hesitou em elogiar a performance técnica de Tony Hinchcliffe no palco. Para o anfitrião do evento, o comediante entregou, possivelmente, um dos melhores sets da noite. Hart também mencionou Pete Davidson, que também foi alvo de discussões por suas piadas, incluindo uma referência a Charlie Kirk. O artista explicou que, embora ele pessoalmente não contasse aquelas piadas, ele entende o contexto e a intenção por trás das falas de seus colegas.

“Eu não olho para o Pete de forma estranha. Eu não olho para o Tony de forma estranha. Esse é o estilo de comédia deles, e eu sei o que eles vão fazer quando sobem ao palco”, afirmou Hart. Essa postura de neutralidade do anfitrião visa, segundo ele, manter a integridade da produção como um todo, tratando o evento como um produto de entretenimento que segue regras próprias de um gênero específico de humor.

Apelo para que o público separe a figura de Kevin Hart das piadas

Um dos pontos centrais da fala de Kevin Hart foi o pedido direto para que o público pare de associá-lo ao conteúdo das piadas feitas pelos convidados. O comediante foi enfático ao dizer que, independentemente do diálogo que se formou nas redes sociais, sua resposta é simples: ele não é o autor das falas. Hart reforçou que o evento é uma produção complexa e que ele não tem controle sobre o roteiro ou sobre o que cada comediante decide dizer no momento de sua apresentação.

“Removam-me disso. Eu não disse aquilo. Se vocês estão chateados porque a noite seguiu esse caminho, essa é uma conversa diferente. Não há nada que eu possa fazer. É uma produção”, desabafou o artista. O posicionamento de Hart surge após críticas severas, inclusive de familiares de George Floyd, como Terrence Floyd, que sugeriu que o comediante deveria ter intervindo durante o evento para repreender o uso do nome de seu irmão em um contexto de piada.

Reação de Chelsea Handler e o debate sobre limites no humor

O especial da Netflix também gerou reações negativas de outros nomes do entretenimento. Chelsea Handler, que participou do roast, utilizou suas plataformas para criticar abertamente Tony Hinchcliffe e o apresentador Shane Gillis. Handler classificou as piadas feitas por ambos como racistas e sexistas, destacando que certos temas, como o linchamento de pessoas negras, não deveriam ser tratados como material de comédia sob nenhuma circunstância.

A comediante expressou sua indignação com uma piada específica de Shane Gillis, que comparou a altura de Kevin Hart à necessidade de linchá-lo em uma árvore bonsai. Handler afirmou que o linchamento é um tema histórico grave e que não pode ser banalizado em nome do entretenimento. O debate reacende a discussão sobre até onde o formato de roast pode ir e quais são as responsabilidades dos envolvidos, tanto dos artistas que performam quanto das plataformas que distribuem o conteúdo para um público global.

A polêmica em torno do especial da Netflix reflete uma tensão crescente entre a liberdade criativa no mundo da comédia e a sensibilidade do público contemporâneo diante de temas históricos e sociais sensíveis. Enquanto Kevin Hart defende a autonomia dos comediantes dentro do formato, vozes como a de Chelsea Handler apontam para a necessidade de um filtro ético, mesmo em ambientes desenhados para a provocação. O caso permanece como um exemplo de como o humor, ao cruzar certas fronteiras, pode gerar consequências que vão muito além do palco, impactando a imagem dos envolvidos e a própria percepção da audiência sobre o que é aceitável no entretenimento atual.

Fontes: THR Variety