Maioria dos jogadores evita pagar preço cheio em novos jogos

Estudo aponta que 62% dos consumidores optam por esperar promoções ou buscar alternativas mais baratas diante do aumento dos valores no mercado.

O mercado de jogos eletrônicos atravessa um momento de tensão financeira, onde o custo para o consumidor final tem se tornado um ponto de atrito significativo. Atualmente, o padrão da indústria para um lançamento de um estúdio Triple-A é de 70 dólares, mas a pressão econômica sugere que esse valor pode escalar para 80 dólares ou mais em um futuro próximo. Contudo, a viabilidade dessa estratégia de precificação depende inteiramente da disposição dos jogadores em aceitar tais valores, e os dados mais recentes indicam que a maioria do público não está disposta a seguir essa tendência.

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Mudança no comportamento de compra

Conforme revelado por um estudo abrangente conduzido pela IGN Entertainment (IGNE) e compartilhado pelo portal GamesIndustry.biz, a resistência ao preço de lançamento é uma realidade consolidada. A pesquisa, que ouviu milhares de pessoas em países como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, constatou que 62% dos entrevistados não pagam mais o preço integral por novos jogos. Este dado engloba tanto as cópias físicas quanto as digitais, demonstrando que o fenômeno é transversal a todos os formatos de mídia.

Para colocar esse número em perspectiva, o mesmo levantamento revelou que 71% das pessoas não compram mais música em formato físico. Embora a queda no consumo de música física seja um comportamento já esperado e amplamente aceito, o fato de que a disposição para pagar o preço cheio em jogos esteja apenas dez pontos percentuais abaixo é um dado alarmante para a indústria. Isso sugere que o hábito de adquirir produtos de entretenimento pelo valor de lançamento está perdendo força, forçando as empresas a reavaliarem suas expectativas de receita diante de um público que se tornou muito mais cauteloso e seletivo.

Diferenças entre gerações

A análise segmentada por faixas etárias oferece uma visão detalhada sobre quem ainda mantém o costume de pagar o valor integral. A Geração Z lidera a lista, com 42% de seus membros ainda dispostos a arcar com o preço de tabela, seguida pelos Millennials, com 38%. A Geração X, por outro lado, é a que apresenta a maior resistência, com apenas 20% dos entrevistados dispostos a realizar a compra imediata no lançamento, sendo o grupo responsável por elevar a média de desinteresse para os 62% observados globalmente.

Essa disparidade geracional pode estar atrelada à forma como diferentes públicos definem o que é um jogo de “preço cheio”. Embora o mercado tente impor o padrão de 70 dólares, a realidade é que apenas uma parcela dos lançamentos chega ao mercado por esse valor. Títulos de grande relevância, como Hollow Knight: Silksong, precificado em 20 dólares, ou Clair Obscur: Expedition 33, por 50 dólares, provam que existem alternativas de alta qualidade e aclamadas pela crítica que não exigem o investimento máximo.

O futuro dos preços na indústria

A tendência de encarecimento é evidente, com títulos como as edições para o sucessor do Nintendo Switch e a franquia Mario Kart sendo precificados em 80 dólares, valor que muitos especulam ser o patamar de GTA VI. Enquanto alguns estúdios gigantes podem se dar ao luxo de manter vendas elevadas independentemente do custo, o restante da indústria enfrenta um cenário onde o consumidor prefere aguardar promoções ou migrar para alternativas mais acessíveis. Com o custo dos consoles também em ascensão, a estratégia de esperar tornou-se a norma, forçando as desenvolvedoras a competirem não apenas pela qualidade técnica, mas pela viabilidade financeira perante um público que prioriza o custo-benefício acima da novidade imediata.

Fonte: Thegamer