O Homem-Aranha ocupa um lugar central no Universo Cinematográfico Marvel (MCU), consolidando-se como um dos pilares da franquia. O ano de 2026 marca um momento significativo para o herói, com a estreia do aguardado spider-man: Brand New Day, previsto para chegar aos cinemas durante o verão norte-americano. A expectativa é que o longa seja um dos maiores sucessos de bilheteria do ano, um marco que coincide com o décimo aniversário da introdução de Tom Holland como Peter Parker, ocorrida em Capitão América: Guerra Civil, lançado originalmente em 6 de maio de 2016.


Para celebrar essa década de trajetória do personagem no MCU, os diretores Joe e Anthony Russo concederam uma entrevista ao portal CBR, na qual discutiram os bastidores da criação daquele filme aclamado. Durante a conversa, Joe Russo trouxe à tona um detalhe fascinante sobre a concepção de sua versão do herói e como ela se distancia de outras encarnações cinematográficas, especificamente no que diz respeito ao papel do Tio Ben na vida de Peter.

A visão dos diretores sobre a responsabilidade
Joe Russo compartilhou que o Homem-Aranha sempre foi um de seus personagens favoritos desde a infância. O que mais o atraía na figura do herói era a premissa de um jovem lidando com uma responsabilidade extraordinária. Segundo o cineasta, essa responsabilidade poderia ser manifestada através de uma morte acidental, gerando um senso de perda e pressão na vida do protagonista. No entanto, os diretores tomaram uma decisão deliberada para o MCU: “Na nossa mente, não, ele não foi responsável pela morte do Tio Ben”.
O diretor explicou que, considerando o perfil de Tom Holland como ator, atribuir a ele a culpa pela morte do tio transformaria o personagem em algo muito diferente. Para os Russo, carregar esse peso teria resultado em uma interpretação muito mais intensa e sombria, que não se alinhava com o tom que buscavam estabelecer para o Peter Parker daquela fase do universo compartilhado.
É fundamental notar que esta é uma interpretação específica dos diretores de Capitão América: Guerra Civil. A postura não reflete necessariamente uma regra oficial do Marvel Studios ou de Kevin Feige. Cineastas como Jon Watts, responsável pela trilogia Home, e Destin Daniel Cretton, diretor de Brand New Day, podem ter visões que se aproximam mais da versão tradicional das histórias em quadrinhos, onde a inação de Peter diante de um criminoso comum leva à morte de seu tio, tornando-se o catalisador definitivo para sua jornada heroica.
O histórico do Tio Ben no MCU
O MCU optou por uma abordagem singular ao pular a origem clássica do herói, evitando mostrar a picada da aranha radioativa ou a morte do Tio Ben. O personagem parece já estar morto antes mesmo dos eventos de Guerra Civil. Referências ao seu nome foram extremamente raras ao longo da última década. Em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, houve uma menção vaga quando Peter diz a Ned que não revelaria sua identidade a Tia May após “tudo o que eles passaram”. Já em Longe de Casa, Peter utiliza uma mala com as iniciais BFP, de Benjamin Franklin Parker.
Até o momento, as únicas menções explícitas ao nome do Tio Ben vieram de fontes externas à cronologia principal do MCU: através da variante de Tobey Maguire em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa e na versão alternativa de Tom Holland vista no episódio de What If…? baseado em Marvel Zombies. Em vez disso, o MCU transferiu a culpa motivadora de Peter para a morte da Tia May (Marisa Tomei), que proferiu a icônica frase sobre “grandes poderes e grandes responsabilidades” antes de falecer pelas mãos do Duende Verde. Com o isolamento de Peter após o feitiço que fez todos esquecerem sua identidade, a narrativa prepara o terreno para uma versão mais melancólica e focada no luto em Brand New Day. Após dez anos, resta saber se o novo filme finalmente abordará o status definitivo de Ben Parker nesta cronologia.
Fonte: Movieweb