The Tick antecipa sátira de super-heróis antes de The Boys

Embora ofuscada pelo sucesso de The Boys, a série The Tick oferece uma abordagem cômica e inteligente sobre o gênero que merece ser redescoberta no Prime Video.

The Tick, a série de super-heróis disponível no Prime Video, estabelece um padrão de sátira que precedeu o fenômeno global de The Boys. Enquanto a produção focada em Billy Butcher e sua equipe conquistou o público com violência gráfica e cinismo corporativo, a adaptação dos quadrinhos de Ben Edlund explorou o gênero sob uma ótica de absurdo e afeto, mantendo uma qualidade narrativa que permanece subestimada pelo grande público.

the tick and arthur
Cena da série The Boys.
the tick hugging arthur in the amazon prime video series
Cena da série The Boys.

Lançada em 2016, a obra acompanha a jornada de Arthur Everest, interpretado por Griffin Newman, um homem comum que se vê envolvido em uma trama bizarra ao lado do enigmático e otimista The Tick, vivido por Peter Serafinowicz. Diferente de outras produções que apenas replicam tropos, a série utiliza o humor para desconstruir a figura do vigilante, tratando-os como figuras excêntricas em um mundo que, muitas vezes, os encara como um incômodo cotidiano.

A sátira inteligente de The Tick

Peter Serafinowicz como The Tick e Griffin Newman como Arthur em The Tick
A dinâmica entre The Tick e Arthur Everest desafia os clichês tradicionais dos super-heróis.

O grande trunfo de The Tick reside no equilíbrio entre a comédia e o desenvolvimento emocional de seus personagens. Arthur Everest não é o típico herói destemido; ele é ansioso e frequentemente sobrecarregado pela realidade caótica ao seu redor. Essa vulnerabilidade cria um contraste necessário com a positividade inabalável de seu parceiro, permitindo que a série critique arquétipos clássicos sem perder a essência do que torna as histórias de super-heróis cativantes.

Enquanto muitos projetos tentam apenas parodiar elementos superficiais, a série demonstra um conhecimento profundo do material de origem. Ao exagerar elementos como identidades secretas e monólogos dramáticos, a trama alcança um nível de humor que evita o cinismo gratuito. Mesmo com apenas duas temporadas, a produção consolidou-se como uma das joias escondidas do catálogo da Amazon, servindo como um estudo de caso sobre como abordar o gênero de forma inventiva.

Diferentes ângulos sobre o mesmo tema

The Tick abraçando Arthur na série do Prime Video
A série explora o absurdo do gênero de super-heróis de maneira única e autêntica.

A comparação com The Boys é inevitável, mas as abordagens são distintas. Enquanto a série sobre a Vought International foca em uma realidade corporativa onde heróis são produtos de marketing, The Tick prefere retratar esses indivíduos como anomalias que a sociedade prefere ignorar. Para quem busca entender como o elenco de The Boys e outras produções do gênero moldam a cultura pop atual, revisitar esta obra é essencial.

A série de Ben Edlund captura a perspectiva de um público que, na época, já demonstrava sinais de exaustão com a saturação de conteúdos heroicos. Ao tratar super-heróis como interrupções bizarras em vez de ícones culturais, a produção oferece uma crítica sutil, porém eficaz. Ambas as séries, cada uma à sua maneira, provam que o gênero ainda possui espaço para reinvenções criativas e inteligentes.

Fonte: ScreenRant