JioStar aposta no comércio como terceira fonte de receita

CEO Kevin Vaz detalha estratégia da JioStar para integrar comércio e tecnologia ao streaming, visando novas fontes de receita diante da pressão publicitária.

A JioStar, gigante do streaming na Índia, está expandindo seu modelo de negócios para incorporar o comércio eletrônico como uma terceira fonte de receita, operando ao lado da publicidade e das assinaturas tradicionais. A estratégia foi detalhada por Kevin Vaz, CEO de entretenimento da companhia, durante o evento APOS 2026, realizado nesta terça-feira. Segundo o executivo, a medida responde à pressão cíclica que o mercado publicitário indiano enfrenta atualmente, exigindo novas formas de monetização para sustentar o crescimento da plataforma.

O movimento de diversificação já apresenta resultados práticos através de integrações diretas em conteúdos de entretenimento. Entre os exemplos citados por Vaz estão parcerias com plataformas de entrega de alimentos durante transmissões esportivas e colaborações com marcas de moda em produções originais, permitindo que os espectadores adquiram itens vistos na tela em tempo real. Essa abordagem de integração comercial busca transformar a experiência passiva de consumo em uma jornada ativa e transacional para o usuário.

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A JioHotstar, principal serviço de streaming da empresa, consolidou uma posição dominante no mercado indiano, alcançando a marca de 500 milhões de usuários ativos mensais e 260 milhões de assinaturas pagas. Com mais de um bilhão de downloads de seu aplicativo e cobertura em todo o território nacional, a plataforma oferece um catálogo vasto, totalizando cerca de 300 mil horas de conteúdo. Além do streaming, o braço linear da JioStar opera 100 canais, atingindo mais de 85 milhões de domicílios com televisão conectada, o que reforça a escala massiva da operação.

Kevin Vaz, CEO de entretenimento da JioStar
Kevin Vaz, CEO de entretenimento da JioStar, detalha a nova estratégia comercial da plataforma durante o APOS 2026.

Fusão acelerada e foco em tecnologia

A criação da JioStar ocorreu em um período recorde de apenas três meses, após a conclusão da fusão entre a Viacom18 e as operações da The Walt Disney Company na Índia, em 14 de novembro de 2024. Vaz descreveu o processo de integração como um desafio complexo, dado que envolvia unir duas empresas de sucesso com culturas, tecnologias e bases de consumidores distintas. Para o executivo, a escala não deve ser medida apenas pelo volume de audiência, mas pelo impacto real que a plataforma exerce na vida cotidiana de seus assinantes.

Ao definir a identidade da empresa, Vaz posicionou a JioStar primeiramente como uma companhia de tecnologia que utiliza o entretenimento como motor principal. Embora a narrativa continue sendo o pilar central para impulsionar o engajamento e o impacto cultural, a tecnologia é o que viabiliza a personalização e a transmissão em larga escala. Investimentos recentes incluem parcerias com a OpenAI e o desenvolvimento de ferramentas de descoberta de conteúdo baseadas em inteligência artificial, similares a estratégias vistas em outros mercados onde o streaming busca novas formas de engajamento.

Expansão para microdramas e engajamento

Além das produções de longa duração, a empresa investiu no serviço de microdramas Tadka, lançado em 3 de abril. Integrado diretamente ao aplicativo da JioHotstar, o serviço atraiu 100 milhões de espectadores em seus primeiros dois meses. A decisão de manter o conteúdo de formato curto ao lado de filmes e séries de longa duração foi estratégica, visando permitir que o público transite entre diferentes tipos de mídia sem precisar sair do ecossistema da plataforma.

O uso do comércio como pilar de receita foi exemplificado pela parceria com a marca NewMe, que permitiu aos espectadores comprar roupas usadas por participantes em programas de alta audiência. Outro marco importante foi a promoção exclusiva do smartphone Galaxy S26, da Samsung, durante a estreia do filme Dhurandhar The Revenge. Para Vaz, essas ações demonstram como o conteúdo premium pode gerar valor tangível para marcas, estabelecendo um novo padrão para o setor.

Ao olhar para o futuro, o CEO reconhece que a rapidez das mudanças tecnológicas torna difícil prever o cenário exato para os próximos cinco anos. No entanto, ele enfatiza que a tendência clara é a transição do entretenimento como consumo passivo para uma experiência de envolvimento profundo. A conversa com Vivek Couto, diretor executivo da Media Partners Asia, reforçou que a capacidade de adaptação será o diferencial competitivo para as plataformas que desejam manter relevância em um mercado cada vez mais fragmentado e tecnologicamente avançado.

Fonte: Variety

Este conteúdo foi produzido pela Redação Máquina Nerd com apoio de inteligência artificial e passa por curadoria editorial.