Increase ganha elenco internacional para thriller futurista

O novo longa de ficção científica dirigido por Nicolas Bary explora os limites da performance humana e o transhumanismo através de uma atleta paralímpica.

O cineasta francês Nicolas Bary, amplamente reconhecido por sua direção em Trouble at Timpetill, está atualmente em fase de preparação para o seu mais ambicioso projeto cinematográfico até o momento: o thriller futurista intitulado Increase. O longa-metragem, que será produzido inteiramente em língua inglesa, promete reunir um elenco de peso, composto por talentos internacionais de renome. Entre os nomes confirmados para protagonizar a obra estão Matilda Lutz, conhecida por sua atuação intensa em Revenge; Suzanne Clément, aclamada por seu papel em Mommy; o veterano Holt McCallany, que ganhou destaque mundial em Mindhunter; e a atriz Fernanda Urrejola, vista recentemente em Cry Macho.

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Detalhes da produção e cronograma

A expectativa em torno da produção é alta, com as filmagens principais programadas para ocorrerem no Canadá a partir de 2027. O projeto é uma colaboração internacional robusta, contando com a expertise de Valérie d’Auteuil, da Caramel Films, no Canadá, e Annabella Nezri, da Kwassa Films, na Bélgica. Além disso, a equipe técnica de alto nível inclui Axel Cosnefroy, que assume a direção de fotografia, e Nicolas Tescari, responsável pela composição da trilha sonora original. A produção executiva está sob os cuidados de Amélie Melkonian.

A premissa central e o arco de Genie

A narrativa de Increase foca na trajetória de Genie, personagem interpretada por Matilda Lutz. Genie é apresentada como uma corredora profissional dedicada, cuja vida pessoal e carreira sofrem uma reviravolta traumática após enfrentar uma gravidez indesejada. O destino da protagonista muda drasticamente após um acidente catastrófico que resulta na amputação de ambas as suas pernas. A partir desse ponto, o filme explora a integração de Genie com próteses tecnologicamente avançadas, que possuem a característica única de estarem conectadas diretamente ao seu sistema nervoso central.

O que começa como um processo de reabilitação para voltar a caminhar transforma-se rapidamente em uma jornada de superação física sem precedentes. Genie não apenas se recupera, mas passa a superar os limites da performance humana, tornando-se uma atleta paralímpica de elite. No entanto, o sucesso meteórico de Genie traz consigo uma sombra de desconfiança. À medida que ela conquista o mundo, começam a surgir questionamentos perturbadores sobre a natureza real do acidente que a deixou amputada: teria sido um evento fortuito ou uma escolha deliberada, motivada por um desejo obscuro de aprimoramento físico?

Temas, filosofia e o horror corporal

O roteiro, desenvolvido por Sheila Erdmann, Mary Noelle Dana e pelo próprio Nicolas Bary, é descrito como uma fusão entre o suspense psicológico e o horror corporal, temperado com discussões profundas sobre o transhumanismo. Em uma entrevista exclusiva, Bary explicou que a gênese do projeto reside nas ansiedades modernas em relação à tecnologia e à nossa dependência crescente de ferramentas digitais e inteligência artificial. O diretor reflete sobre como a humanidade tem delegado funções essenciais — como a orientação geográfica ao GPS, a memória à nuvem e até o devaneio ao Instagram — em busca de uma eficiência que, paradoxalmente, nos desconecta de nossa própria essência.

“A promessa era economizar tempo e gerar contentamento, mas estamos perdendo o contato com o que nos torna humanos: o reconhecimento de nossos limites e de nossas imperfeições”, afirmou Bary. O cineasta também revelou que o projeto foi parcialmente inspirado por conversas profundas com a campeã paralímpica francesa Marie-Amélie Le Fur, que atua como consultora técnica e conselheira no filme. Le Fur, que perdeu uma perna em um acidente de moto na adolescência antes de se tornar uma das atletas mais condecoradas da França, compartilhou com o diretor reflexões sobre o desejo de maximizar a eficiência das próteses, chegando a imaginar, em momentos de superação, a remoção do membro remanescente para atingir uma simetria perfeita.

“O sonho de se libertar da carne e, assim, superar o sofrimento, a doença e a morte, está no cerne da ideologia transhumanista”, comentou Bary. “Ao nos recusarmos a reconhecer nossa própria fragilidade, perdemos a conexão com nossa capacidade de sentir.”

Influências estéticas e visuais

Para construir a atmosfera de Increase, Nicolas Bary buscou referências em um espectro variado de obras cinematográficas. O diretor cita influências que vão desde o clássico de ficção científica Gattaca até o cinema visceral de horror corporal de David Cronenberg. A fascinação pelo corpo, pela transformação e pela ideia de hibridismo humano é um pilar central da estética do filme. Além disso, Bary menciona a influência de thrillers focados na carga emocional dos personagens, como Cisne Negro e Eu, Tonya.

Visualmente, o filme adotará uma linguagem contrastante para refletir o estado psicológico de Genie. As sequências ambientadas no presente serão filmadas com uma estética “fria, nítida e clínica”, reforçando a natureza tecnológica e, por vezes, desumanizada da nova vida da protagonista. Em contrapartida, os flashbacks que retratam a infância de Genie e sua paixão inicial pelo esporte serão apresentados com uma paleta de cores “mais quente, livre e terna”, servindo como um lembrete da humanidade que ela tenta preservar enquanto se transforma em algo novo e, possivelmente, inumano.

Com uma premissa que desafia a ética da ciência e a obsessão pela perfeição, Increase se posiciona como uma das produções mais instigantes do cinema futurista para os próximos anos, prometendo não apenas entreter, mas provocar debates necessários sobre o futuro da nossa espécie.

Fonte: Variety