O especial The Punisher: One Last Kill, lançado no Disney+, marca um ponto de virada definitivo para o personagem no Universo Cinematográfico Marvel. Durante décadas, o Justiceiro foi um desafio complexo para os estúdios; embora Frank Castle pareça, em teoria, um dos personagens mais simples de adaptar — dada a vasta tradição de filmes de vigilantes no cinema —, nenhuma das três tentativas anteriores (1989, 2004 e 2008) conseguiu capturar plenamente o que torna o anti-herói especial. O projeto atual, coescrito pelo próprio Jon Bernthal, finalmente acerta o tom ao equilibrar a fúria incontrolável com a humanidade fragmentada do protagonista.

Bernthal provou ser a escolha perfeita para o papel, trazendo uma profundidade que faltou em outras encarnações. Embora tenha tido um início promissor como convidado na segunda temporada de Demolidor, sua série solo na Netflix foi amplamente criticada por ser profundamente falha. Em One Last Kill, o MCU corrige esses erros, apresentando um dia sombrio na vida de Castle que escala rapidamente para um confronto violento contra um vilão em busca de vingança.
O equilíbrio entre ação e narrativa
A recepção crítica tem sido majoritariamente positiva, destacando a exploração corajosa da psique quebrada de Castle e a brutalidade das sequências de combate. Em um momento marcante, o especial transita para uma estética que remete ao aclamado filme The Raid, com o Justiceiro abrindo caminho por um prédio repleto de assassinos. Embora existam críticas pontuais sobre a qualidade de um efeito visual em CGI específico, o consenso aponta que este é o melhor desempenho do personagem sob o selo da Marvel Studios até o momento.
A principal queixa dos espectadores, contudo, reside na duração do material. Historicamente, as produções da era Netflix eram limitadas por contratos que exigiam 13 episódios por temporada, resultando em tramas esticadas artificialmente. Séries como Jessica Jones conseguiram aproveitar o espaço, mas, no geral, o excesso de episódios de O Justiceiro é lembrado como um ponto negativo, onde oito episódios de conteúdo eram dolorosamente estendidos para treze. Ironicamente, One Last Kill sofre do problema oposto: é curto demais. Com cerca de vinte minutos de introdução seguidos por vinte minutos de ação ininterrupta, a narrativa encerra-se de forma abrupta, deixando a sensação de que o enredo precisava de mais tempo para respirar durante suas sequências de combate.

O futuro de Frank Castle no cinema
O próximo passo de Bernthal no papel ocorrerá em spider-man: Brand New Day. Devido à classificação indicativa da nova produção, espera-se uma abordagem mais contida em comparação à brutalidade vista no especial do Disney+. Diante disso, cresce o debate sobre a necessidade de um filme solo para o personagem, que serviria como um meio-termo ideal entre a brevidade do especial e o formato estendido das séries antigas. É importante notar que Bernthal já trabalhou com o astro de Spider-Man, Tom Holland, no filme Pilgrimage (2017).
A mudança de paradigma da Marvel, que passou a abraçar produções com classificação para maiores após o sucesso de Deadpool & Wolverine, abre espaço para um longa-metragem de orçamento médio focado no Justiceiro. Um projeto cinematográfico futuro poderia explorar vilões clássicos como Barracuda ou The Russian, consolidando de vez o status de Frank Castle. O essencial é que futuras produções abandonem a ideia de que Castle precisa estar em constante conflito interno sobre sua identidade como vigilante. One Last Kill termina com o protagonista em paz com sua guerra contra o crime, e esse deve ser o ponto de partida para qualquer narrativa subsequente.
Fonte: ScreenRant