Everytime vence o prêmio principal da mostra Un Certain Regard

O drama austríaco sobre luto dirigido por Sandra Wollner conquista o júri em Cannes, enquanto produções do Nepal e França também recebem destaque.

O longa-metragem Everytime, um drama denso sobre o luto dirigido pela cineasta austríaca Sandra Wollner, foi o grande vencedor da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes. A cineasta, que já havia ganhado notoriedade com o filme The Trouble With Being Born, consolida sua trajetória ascendente com esta nova obra. O filme narra a história de uma família que, durante as férias de verão, é subitamente atingida por uma tragédia devastadora. O evento traumático desencadeia uma série de repercussões que alteram profundamente a dinâmica, as relações e a vida de cada um dos membros do grupo familiar. O elenco principal, responsável por dar vida a essa narrativa emocional, conta com as atuações de Birgit Minichmayr, Lotte Keiling, Tristan López e Carla Hüttermann. A produção é assinada pela Panama Films e The Barricades, com a distribuição internacional sendo gerida pela Charades.

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Sandra Wollner’s ‘Everytime’ Wins Un Certain Regard Award at Cannes
Sandra Wollner’s ‘Everytime’ Wins Un Certain Regard Award at Cannes

Destaques e diversidade na premiação

A cerimônia de encerramento da mostra destacou a diversidade de vozes no cinema global. O Prêmio do Júri foi concedido ao drama nepalês Elephants in the Fog, que marca a estreia em longas-metragens do roteirista e diretor Abinash Bikram Shah. O filme explora a vida da comunidade Kinnar, um grupo de mulheres transgênero que faz parte do chamado “terceiro gênero” (meti), legalmente reconhecido no Nepal. A obra investiga a natureza da aceitação trans no contexto do Sul da Ásia. O projeto foi produzido por uma colaboração internacional envolvendo a Bubbles Project, Zischlermann Filmproduktion, Storm Films e Jayantii Creations, com a Best Friend Forever responsável pelas vendas mundiais.

Outro momento de destaque foi a entrega do Prêmio Especial do Júri para Iron Boy, uma animação realizada com a técnica de pintura à mão. Dirigido por Louis Clichy, o filme acompanha a trajetória de um menino de onze anos vivendo na zona rural da França. Este trabalho é particularmente significativo por ser o primeiro projeto de Clichy como diretor solo, após uma longa e bem-sucedida carreira como animador em grandes produções da Pixar, como WALL-E e Up. O potencial comercial da obra foi validado pela Sony Pictures Classics, que adquiriu todos os direitos de exibição para a América do Norte e América Latina, além de garantir os direitos de transmissão televisiva para a Índia e o Sudeste Asiático. A Playtime é a empresa encarregada das vendas globais do filme.

Reconhecimento de atuações

As categorias de atuação celebraram talentos que trouxeram profundidade a histórias complexas. O prêmio de melhor ator foi entregue a Bradley Fiomona Dembeasset por sua performance em Congo Boy, dirigido por Rafiki Fariala. No filme, Dembeasset interpreta um adolescente talentoso na República Centro-Africana que nutre o sonho de seguir uma carreira musical, mesmo enquanto seu país é dilacerado por uma guerra civil. Já o prêmio de melhor atriz foi concedido de forma conjunta a Marina de Tavira, Daniela Marín Navarro e Mariangel Villegas. O trio protagoniza o drama familiar Siempre Soy Tu Animal Materno, dirigido por Valentina Maurel e ambientado na Costa Rica, sendo reconhecido pela força de suas interpretações coletivas.

A premiação encerra um ciclo de exibição na mostra Un Certain Regard, que este ano apresentou uma seleção variada de narrativas, desde dramas familiares intensos até animações autorais e crônicas sociais, reafirmando o papel de Cannes como um palco fundamental para o cinema de autor internacional.

Fontes: THR Variety