Estônia planeja triplicar indústria cinematográfica até 2031

País investe na construção de novos estúdios e busca se consolidar como um polo de produção internacional, atraindo grandes estúdios de Hollywood.

A Estônia estabeleceu uma meta ambiciosa para o horizonte de cinco anos: triplicar o tamanho de sua indústria cinematográfica. O anúncio, feito durante o Festival de Cannes, detalha uma estratégia robusta que coloca a construção de dois novos complexos de estúdios como o pilar central para transformar o país em um centro de produção completo, capaz de atender às demandas de grandes projetos internacionais. A iniciativa foi apresentada em um painel da Variety intitulado ‘Global Conversations’, que reuniu figuras-chave do setor, incluindo Edith Sepp, CEO do Estonian Film Institute; Nele Paves, comissária de cinema da Film Estonia; Joonas Tartu, líder do Tallinnfilm Studios; a produtora Evelin Penttilä, da Stellar Film; e Viljar Lubi, embaixador da Estônia na França.

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Infraestrutura de ponta e visão de futuro

O plano de expansão é materializado pela construção de dois complexos de estúdios distintos. O primeiro, localizado na região leste da Estônia, tem inauguração prevista para o final deste ano. O segundo, um complexo construído sob medida em Tallinn, é descrito por Joonas Tartu não como um empreendimento imobiliário comum, mas como uma estrutura concebida por cineastas para cineastas. O objetivo é que este novo complexo sirva como um âncora para toda a região nórdico-báltica. Tartu enfatizou o convite aos produtores globais: ‘Parem de apenas nos visitar. Venham e fiquem’.

Além da funcionalidade técnica, a sustentabilidade é um diferencial do projeto em Tallinn. O complexo está em processo de obtenção da certificação LEED Gold, incorporando tecnologias de ponta como painéis solares, sistemas de energia geotérmica e gestão inteligente de recursos hídricos. Segundo Tartu, essas eficiências não representam um custo adicional para as produções, mas sim uma redução significativa nos gastos operacionais, tornando o ambiente mais atrativo e econômico para os estúdios estrangeiros.

Apoio governamental e desburocratização

O embaixador Viljar Lubi destacou que o governo estoniano está plenamente engajado na expansão. ‘A Estônia não é o mercado, é um país’, afirmou, argumentando que a ausência de um mercado interno vasto sempre forçou a indústria local a competir globalmente desde o início. O governo atua como um facilitador, focando na redução de regulamentações e na eliminação de burocracias desnecessárias, em vez de intervir diretamente nas operações criativas. A meta de triplicar o setor é vista como um objetivo alcançável, tendo a nova infraestrutura como o principal catalisador desse crescimento.

Incentivos fiscais e competitividade internacional

Para fortalecer sua posição no mercado global, a Estônia elevou seu sistema de reembolso em dinheiro (cash rebate) de 30% para 40%. Nele Paves, comissária de cinema, destaca que este novo patamar coloca o país entre os regimes de incentivo mais competitivos de toda a região. A eficácia dessa política já foi comprovada por grandes players, como a Paramount e a Warner Bros., que escolheram o país para locações. Edith Sepp reforça que a vantagem da Estônia em um cenário de produção global cada vez mais acirrado é a sua agilidade institucional. ‘Nós ouvimos nossos cineastas. Permanecemos responsivos a eles, mantemos a flexibilidade e uma palavra-chave para a Estônia é, definitivamente, menos burocracia’, afirmou Sepp.

A produtora Evelin Penttilä, da Stellar Film, que está prestes a iniciar seu décimo projeto utilizando o sistema de reembolso estoniano, compara a experiência de filmar no país a um ‘hotel boutique’: um serviço extremamente pessoal e amigável, mas que mantém um alto nível de confiabilidade e profissionalismo.

Capacidade produtiva e o legado de ‘Tenet’

Sobre a capacidade de absorção de grandes produções, as autoridades locais mantêm uma postura realista. Nele Paves foi direta ao abordar o tema: ‘Não podemos realizar cinco grandes produções de Hollywood ao mesmo tempo. É impossível. Simplesmente não temos a equipe para isso’. A estratégia, portanto, é equilibrar um grande projeto de Hollywood com uma série de produções menores, utilizando equipes complementares da Letônia, Lituânia e Finlândia quando necessário. O país tem investido na formação de novos talentos, e a força de trabalho local praticamente dobrou desde que o filme ‘Tenet’, de Christopher Nolan, foi rodado no país.

O longa-metragem de Nolan permanece como o grande marco de referência para a capacidade logística da Estônia. A experiência de receber uma produção desse porte demonstrou que o país possui a infraestrutura e o talento humano necessários para gerenciar complexidades técnicas e grandes volumes de figurantes. Com a nova infraestrutura de estúdios e o suporte governamental consolidado, a Estônia se prepara para não apenas ser um cenário de passagem, mas um destino permanente para o cinema mundial, consolidando sua reputação como um hub eficiente, sustentável e altamente receptivo para a indústria audiovisual global.

Fonte: Variety