A economia de telas na região da Ásia-Pacífico segue em trajetória de expansão acelerada, com projeções indicando que o setor deve atingir US$ 179 bilhões em 2026 e alcançar a marca de US$ 200 bilhões até 2031. No entanto, o cenário atual não é definido apenas pelo crescimento bruto, mas por uma reestruturação profunda na forma como o valor é gerado e distribuído. A análise foi apresentada por Vivek Couto, diretor executivo da Media Partners Asia, durante a abertura da conferência APOS 2026.

Segundo Couto, o setor passa por um momento de reinicialização impulsionado por quatro forças principais. A primeira é a escala da base de telas, que deve chegar a 5,2 bilhões de dispositivos até 2031. A segunda envolve a mudança na monetização, com foco crescente em comércio e mídia de varejo. A terceira é a convergência de vídeo, redes sociais e comércio em plataformas unificadas. Por fim, a inteligência artificial surge como o fator que redefine custos, velocidade e formatos de produção de conteúdo.
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O desafio da disparidade per capita
Um dos pontos centrais da apresentação foi a disparidade no valor gerado por usuário. Enquanto a região da Ásia-Pacífico registra uma média de US$ 46 por pessoa anualmente, o mercado dos Estados Unidos opera com cerca de US$ 890. Para o executivo, esse hiato representa a maior reserva de valor latente na mídia global. O desafio para os próximos cinco anos não reside apenas em expandir o alcance, mas em converter essa audiência em receita efetiva, superando a barreira de monetização que define a década.
No campo das assinaturas, o debate entre streaming e TV paga parece ter chegado a um consenso. O SVOD superou a TV tradicional em 2022 e a tendência é que, até 2031, o número de assinantes de streaming seja cinco vezes maior. A Índia atua como o principal motor desse crescimento, com a previsão de adicionar 366 milhões de assinaturas de SVOD ao longo da década. O sucesso do pacote JioHotstar, que ultrapassou US$ 1 bilhão em receita no ano passado, exemplifica como o empacotamento deixou de ser uma tática promocional para se tornar um pilar estrutural de defesa e expansão de mercado.
Publicidade e a busca por métricas
O cenário publicitário apresenta desafios mais complexos, com um crescimento projetado de apenas 5,2% em 2026, o ritmo mais lento desde a pandemia. Enquanto a publicidade em TV tradicional enfrenta queda pelo oitavo ano consecutivo, o setor digital, que já representa três quartos do investimento total, cresce 7,8%. Contudo, os ganhos estão concentrados em poucas plataformas com alto poder de segmentação. Como aponta a análise, o alcance sem endereçabilidade deixou de ser atrativo para os orçamentos publicitários.
A TV Conectada (CTV) surge como uma oportunidade ainda subutilizada. Com a projeção de que o número de lares com CTV fora da China triplique até 2031, chegando a 255 milhões, o potencial é vasto. O entrave atual, segundo Couto, é a fragmentação das métricas entre plataformas de streaming e fabricantes de dispositivos. Quem conseguir estabelecer uma camada de medição unificada deve capturar a maior fatia desse mercado.
O papel da inteligência artificial na margem de lucro
A publicidade ligada diretamente a transações, conhecida como mídia de varejo, lidera o crescimento em mercados como Austrália e China. O volume de comércio impulsionado por criadores de conteúdo supera em 20 vezes o valor gerado apenas por anúncios tradicionais. Esse movimento reforça que o centro de gravidade da publicidade está migrando da simples impressão para o ponto de compra. Assim como em produções que exploram o passado de personagens, como visto em House of the Dragon aprofunda passado de Criston Cole na 3ª temporada, o mercado de telas precisa entender a fundo as novas motivações do consumidor.
Para enfrentar o aumento dos custos de produção, que devem subir mais de US$ 3 bilhões nos próximos cinco anos, a indústria aposta na inteligência artificial. A estimativa é que a tecnologia possa gerar entre US$ 9 bilhões e US$ 15 bilhões em melhorias de lucro anuais até 2031. A eficiência na produção representa a maior parte desse ganho. Assim como o sucesso de obras que alcançam House of the Dragon alcança nota máxima no Rotten Tomatoes, a sustentabilidade do setor dependerá da capacidade de industrializar a IA sem comprometer a confiança do público, que permanece como o ativo mais valioso e, ao mesmo tempo, o maior limite para a inovação tecnológica.
Fonte: Variety