Girls Like Girls estreia com sensibilidade sobre primeiro amor

A estreia na direção de Hayley Kiyoko captura a melancolia e a euforia do primeiro amor em um retrato sensível sobre a descoberta da identidade juvenil.

O longa-metragem Girls Like Girls, estreia na direção da cantora e compositora Hayley Kiyoko, chega aos cinemas trazendo uma abordagem delicada sobre a descoberta da identidade e os dilemas do primeiro amor na adolescência. Inspirado na música homônima lançada por Kiyoko em 2015, o filme expande a narrativa que originalmente conquistou o público em um videoclipe viral, transformando uma história curta em um retrato cinematográfico sobre o amadurecimento e a melancolia juvenil.

A trama se passa no verão de 2006, em uma ambientação que evoca nostalgia com o uso de comunicadores instantâneos e a estética visual característica da época. A protagonista Coley, interpretada por Maya da Costa, é uma jovem introspectiva que se muda para uma nova cidade após a morte de sua mãe, passando a viver com seu pai, vivido por Zach Braff. Enquanto tenta se adaptar a uma rotina solitária, ela conhece Sonya, interpretada por Myra Molloy, uma garota popular e extrovertida que rapidamente se torna o centro de seu mundo.

Leia tambem: Patton Oswalt confirma condição para retorno em Ratatouille 2

A construção da conexão entre Coley e Sonya

Girls Like

O filme se destaca pela forma como captura a intensidade das emoções adolescentes. A direção de Hayley Kiyoko, em colaboração com os roteiristas Chloe Okuno e Stefanie Scott, prioriza a sutileza em vez de grandes conflitos dramáticos. A relação entre as duas personagens cresce de forma orgânica, marcada por momentos de cumplicidade, passeios de bicicleta e conversas noturnas que definem a transição da amizade para algo mais profundo. A fotografia de Sonja Tsypin utiliza uma paleta de cores quentes, quase douradas, que reforça a atmosfera de um verão inesquecível.

A atuação de Maya da Costa é um dos pilares da obra. Ela consegue transmitir volumes de emoção apenas pelo olhar, capturando a hesitação e o desejo contido de uma adolescente que descobre sua sexualidade sem que isso seja tratado como um trauma ou um ponto de insegurança. Por outro lado, Myra Molloy entrega uma performance que evolui conforme a personagem lida com a complexidade de seus sentimentos, trazendo uma vulnerabilidade que contrasta com sua persona pública confiante.

Contexto histórico e representatividade

Girls Like 2

Embora o cenário de 2006 possa parecer distante para a geração atual, o filme utiliza esse recorte temporal para ilustrar como a visibilidade LGBTQ+ mudou nas últimas décadas. Diferente de produções contemporâneas como House of the Dragon, que explora dinâmicas de poder em mundos de fantasia, Girls Like Girls foca no realismo cotidiano. A obra ressoa com um público que cresceu sem as referências culturais que hoje são mais acessíveis, oferecendo uma visão empática sobre a solidão e a busca por pertencimento.

A escolha de ambientar a história no passado também serve para destacar a ausência de ferramentas digitais modernas, como os smartphones, que hoje mediam quase todas as interações sociais. Essa decisão narrativa força as personagens a estarem presentes uma com a outra, intensificando a carga emocional de cada encontro. O filme evita os clichês de histórias de “saída do armário”, tratando a atração de Coley por outras garotas como um fato natural de sua existência, algo que ela aguarda com paciência e autoconhecimento.

O olhar de Hayley Kiyoko na direção

A transição de Hayley Kiyoko da música para o cinema demonstra uma sensibilidade aguçada para a narrativa visual. A diretora consegue equilibrar a melancolia da perda com a euforia da descoberta, mantendo um ritmo que, embora lento, é constante em sua carga emocional. A trilha sonora, composta por Jessica Rose Weiss, complementa a experiência, funcionando como um elemento que eleva a melancolia da juventude sem sobrecarregar a cena.

A produção é um lembrete de que, apesar de o tema do primeiro amor ser recorrente no cinema, a forma como ele é sentido por cada indivíduo permanece única. Ao evitar o sensacionalismo e focar na pureza dos sentimentos, Girls Like Girls se estabelece como uma obra que, embora familiar, consegue se sentir nova e necessária. O filme não tenta reinventar o gênero, mas sim honrar a experiência de quem já viveu, ou ainda vive, o turbilhão emocional que define a adolescência.

Ao final, a obra se consolida como um registro sensível sobre a transição para a vida adulta. A capacidade de Kiyoko em dirigir um elenco jovem com tanta precisão sugere um futuro promissor para a artista atrás das câmeras, provando que sua habilidade de contar histórias transcende o formato musical. O filme é, acima de tudo, um convite para revisitar as dores e as alegrias de um tempo onde tudo parecia maior do que a própria vida.

Fontes: THR Variety

Este conteúdo foi produzido pela Redação Máquina Nerd com apoio de inteligência artificial e passa por curadoria editorial.