O gênero fantasia na TV precisava de uma renovação na década de 2020. Após o fim controverso de game of thrones, outras séries de fantasia tentaram salvar o gênero, como The Wheel of Time e The Lord of the Rings: The Rings of Power, do Prime Video, e The Witcher, da Netflix. No entanto, em 2024, a Netflix lançou uma nova série que revitalizou o gênero, reinventando seus clichês e reacendendo o amor pela fantasia.


Desde a publicação de The Hobbit por J.R.R. Tolkien em 1937, o gênero fantasia tem se apoiado em convenções como batalhas épicas entre o bem e o mal, orcs, anões, reinos em conflito e magia. Embora esses elementos não sejam inerentemente ruins, muitas séries de fantasia acabaram soando como cópias umas das outras. É nesse cenário que surge Delicious in Dungeon (ou Dungeon Meshi).
Adaptada do mangá de Ryoko Kui, o Studio Trigger (conhecido por cyberpunk: Edgerunners) transformou Delicious in Dungeon em uma série de fantasia épica de 24 episódios para a Netflix. Lançada em 2024, a produção trouxe uma abordagem inovadora e necessária para o gênero. A história se passa em um cenário de fantasia típico, inspirado na Europa Medieval, com elfos, anões, humanos e diversas outras raças e monstros. Contudo, é a forma como a série utiliza esse cenário que a torna verdadeiramente única.
A Construção de Mundo de ‘Delicious in Dungeon’ é Incomparável
A construção de mundo é um dos pilares do gênero fantasia. A maneira como o mundo é criado e como os reinos e povos interagem pode ser o elemento mais distintivo de uma história fantástica, e Delicious in Dungeon explora seu cenário ao máximo. A série acompanha um grupo de aventureiros que busca resgatar alguém das profundezas de uma masmorra após um encontro desastroso com um dragão. O que deu errado? Eles estavam famintos. Em sua missão de resgate, eles decidem sobreviver cozinhando os monstros que abatem. Com a ajuda de Senshi, um anão com afinidade culinária, o grupo atravessa a masmorra, preparando refeições deliciosas pelo caminho.
Essa premissa pode parecer um artifício para uma história de fantasia, e em certo sentido é. No entanto, dessa ideia central floresceu um ecossistema complexo com uma cadeia alimentar bem definida que impacta o ambiente explorado. Cada criatura e monstro possui um design distinto e uma razão clara para seu comportamento. Ryoko Kui não criou criaturas fantásticas aleatoriamente; ela as integrou especificamente à construção do mundo, conferindo ao cenário um ar de intencionalidade e vivacidade. Como resultado, Delicious in Dungeon ostenta um dos mundos mais imersivos de todo o gênero fantasia, não apenas no universo dos animes.
O Que Séries de Fantasia Precisam Aprender com ‘Delicious in Dungeon’
Seria fácil afirmar que outras séries de fantasia precisam se dedicar mais à construção de seus mundos, e em muitos casos, isso é verdade. Contudo, Delicious in Dungeon nos ensina algo mais profundo. A fantasia não precisa ser sempre uma saga grandiosa com um elenco gigantesco, tramas intrincadas e políticas excessivamente complexas que, eventualmente, se esvaziam de seu propósito original (lembre-se de The Witcher). Uma boa série de fantasia precisa apenas de um elemento central que seja plenamente explorado e expandido de forma única. Nem tudo precisa ser a próxima game of thrones. Delicious in Dungeon não tentou ser, e é por isso que funcionou tão bem.
Fonte: Movieweb