Criadores de The Expanse revelam desafios de nova série de ficção

Daniel Abraham e Ty Franck discutem a complexidade de adaptar a saga The Captive’s War para a televisão, destacando obstáculos técnicos e narrativos.

Os autores da aclamada série The Expanse, que escrevem sob o pseudônimo James S.A. Corey, estão compartilhando detalhes sobre o complexo processo de desenvolvimento de sua nova obra, The Captive’s War. Daniel Abraham e Ty Franck, responsáveis pela saga de nove livros que deu origem à série de TV exibida pelo Syfy e, posteriormente, pelo Prime Video, agora enfrentam o desafio de transpor seu novo universo literário para as telas. Em uma entrevista recente, os escritores admitiram que a natureza do material original impõe obstáculos significativos, tornando a adaptação uma tarefa árdua, mesmo para veteranos da indústria.

Desafios técnicos e narrativos na adaptação

O showrunner Naren Shankar, figura central no sucesso de The Expanse, também está à frente deste novo projeto. Segundo Abraham, Shankar demonstrou surpresa e até certa frustração com a complexidade da nova obra, chegando a comentar que os autores tornaram o material “extremamente difícil de adaptar”. O principal entrave reside na densa “interioridade” dos personagens, um aspecto literário que não se traduz facilmente para a linguagem visual. Além disso, a presença de alienígenas espetaculares exige um investimento massivo em efeitos especiais e design de produção, elementos que os autores reconhecem ter inserido deliberadamente na trama, sem facilitar o trabalho de quem precisará transformar o texto em roteiro.

Ty Franck comparou o processo de adaptação a um esforço de empilhar “um milhão de pequenos blocos”. Atualmente, a equipe criativa encontra-se apenas no terceiro bloco dessa estrutura monumental. O estágio atual de desenvolvimento é tão inicial que a equipe ainda debate questões fundamentais, como a própria viabilidade de escrever um roteiro, antes mesmo de cogitar discussões sobre efeitos visuais ou orçamentos de produção. O objetivo é encontrar formas de externalizar sentimentos complexos, como a “culpa secreta” que persegue o protagonista Dafyd Alkhor, sem recorrer apenas a monólogos internos.

Os autores relembram que essa não é a primeira vez que enfrentam tal dilema. No primeiro livro de The Expanse, Leviathan Wakes, o personagem Miller passava grande parte do tempo bebendo e refletindo sozinho, uma atitude que, se filmada literalmente, resultaria em uma televisão pouco dinâmica. A solução encontrada foi utilizar ferramentas visuais e a atuação de Thomas Jane para transmitir o mesmo estado emocional, uma estratégia que pretendem replicar em The Captive’s War.

Mudança de escopo e lições aprendidas

Diferente da saga anterior, que se estendeu por nove volumes, além de contos e novelas, The Captive’s War foi concebida como uma trilogia. Esta decisão foi tomada de forma consciente, após os autores vivenciarem o desgaste físico e mental de produzir The Expanse enquanto ainda escreviam os livros. Franck descreveu a experiência anterior como “brutal”, citando jornadas de trabalho de 12 a 14 horas diárias no set, o que tornava quase impossível cumprir os prazos literários. “Você chega ao quarto ou quinto livro e percebe que ainda tem mais quatro pela frente”, explicou Franck, justificando a escolha por um escopo menor desta vez.

A nova série, que inclui o livro The Mercy of Gods (2024), a sequência The Faith of Beasts (2026) e a novela Livesuit, marca também uma mudança na atuação dos autores. Eles agora operam através de sua própria produtora, a Expanding Universe, assumindo responsabilidades de produção executiva ainda mais amplas. The Captive’s War, que narra a luta pela sobrevivência de Dafyd e sua equipe após serem capturados pela sociedade alienígena Carryx, será o projeto de estreia da empresa no Prime Video. Embora a escala da história seja intencionalmente mais contida do que a de The Expanse, a dupla de escritores continua a enfrentar o desafio de equilibrar a profundidade narrativa com as exigências técnicas de uma produção de alto nível para o streaming.

Fonte: ScreenRant