O lançamento conturbado de Cyberpunk 2077 ainda reverbera nos corredores da CD Projekt Red, influenciando diretamente a estratégia do estúdio para o futuro. Segundo o co-CEO da empresa, Michał Nowakowski, a desenvolvedora polonesa reconhece que o caminho para a redenção total ainda não foi concluído. A esperança da liderança é que o aguardado The Witcher 4, ou um dos projetos subsequentes, consiga restaurar a reputação e a boa vontade dos consumidores que foram abaladas pelo estado técnico do jogo de ficção científica em seu lançamento.
O histórico de Cyberpunk 2077 é um dos episódios mais marcantes da indústria recente. O título chegou ao mercado com falhas graves de performance, especialmente nos consoles da geração anterior, o que levou a uma situação sem precedentes: a remoção temporária do jogo da PlayStation Store. A CD Projekt Red precisou redirecionar seus recursos, pausando planos de expansão para focar em correções de estabilidade. Esse esforço de três anos, que culminou na atualização 2.0 e na expansão Phantom Liberty, custou cerca de US$ 126 milhões, mas foi essencial para que o jogo alcançasse a qualidade esperada pelo público. CD Projekt Red busca redenção total com The Witcher 4, tentando deixar para trás o estigma de um lançamento desastroso.
A visão de Michał Nowakowski sobre a reputação do estúdio

Em entrevista recente, Nowakowski foi honesto sobre a percepção interna da empresa. Ele afirmou não estar convencido de que o estúdio tenha atravessado um arco de redenção completo. Para o executivo, é justo admitir que a confiança de parte da base de jogadores foi perdida de forma indefinida. O foco agora é olhar para frente, utilizando as próximas grandes produções para reconquistar o público. Embora o estúdio tenha se consolidado como uma referência em RPGs, a gestão atual entende que a reputação é o seu maior ativo e que não há margem para erros semelhantes aos cometidos anteriormente.
Transição para Unreal Engine 5 como aposta técnica

Um dos pontos centrais dessa nova fase é a migração do motor gráfico proprietário REDengine para a Unreal Engine 5, da Epic Games. A decisão é vista como um passo estratégico para otimizar o desenvolvimento e permitir que a empresa crie jogos com maior agilidade. A parceria entre as duas companhias visa não apenas o desenvolvimento de The Witcher 4, mas também o aprimoramento da arquitetura de mundo aberto da própria engine, que historicamente enfrentou desafios com otimização em computadores. Se a colaboração for bem-sucedida, o resultado pode elevar os padrões técnicos de toda a indústria de jogos.
O roteiro de dez anos e o futuro da franquia
A CD Projekt Red opera atualmente com um planejamento de conteúdo para os próximos dez anos. O objetivo é transformar a empresa em uma potência de entretenimento mais eficiente, sem necessariamente buscar lançamentos anuais de títulos AAA. A ambição é clara na nova trilogia de The Witcher, que o estúdio pretende lançar em um intervalo de seis anos. Para alcançar essa meta, a equipe planeja otimizar processos e reutilizar ativos de forma inteligente entre os jogos. Enquanto o mercado de hardware enfrenta incertezas, a aposta em uma trilogia com fidelidade gráfica consistente parece ser uma estratégia calculada para manter o engajamento dos fãs sem exigir atualizações constantes de sistemas por parte dos jogadores.