A desenvolvedora Build a Rocket Boy, estúdio por trás do ambicioso projeto MindsEye, atravessa um dos momentos mais turbulentos de sua história recente. Poucos meses após a empresa anunciar planos para um “reset” no desenvolvimento do jogo — uma tentativa de reorientar o título em uma direção similar ao que foi feito com cyberpunk 2077 —, o estúdio confirmou uma nova rodada de demissões em massa. Este movimento representa a terceira reestruturação significativa da companhia em um intervalo inferior a doze meses, evidenciando uma crise profunda que se arrasta desde o lançamento do jogo em 10 de junho de 2025.






Um ciclo contínuo de cortes e instabilidade
Relatos indicam que esta rodada de cortes pode resultar na perda de até 170 postos de trabalho. O cenário é alarmante, especialmente considerando que, em junho do ano passado, a empresa já havia desligado cerca de 100 colaboradores. Embora a Build a Rocket Boy ainda não tenha emitido um comunicado oficial detalhando a extensão total das demissões, a confirmação tem ocorrido de forma fragmentada através de ex-funcionários em plataformas profissionais como o LinkedIn. Profissionais de diversas áreas, incluindo James Tyler (Technical Level Designer), Tom Cross (Audio Designer), Gary Iain Gough (QA Analyst) e Leah Philpot (Level Designer), utilizaram suas redes para comunicar que não fazem mais parte da organização.
A postura da liderança e alegações de sabotagem
A gestão da Build a Rocket Boy tem adotado uma postura defensiva e controversa desde antes da chegada de MindsEye ao mercado. O co-CEO, Mark Gerhard, foi uma das figuras centrais na tentativa de justificar a recepção negativa do público, chegando a afirmar publicamente que o feedback desfavorável era fruto de uma campanha coordenada por bots e influenciadores pagos. Essa narrativa de perseguição persistiu ao longo de 2026, com Gerhard alegando que o estúdio estaria sendo vítima de “sabotagem corporativa”. O executivo chegou a declarar que a empresa havia identificado os responsáveis e que o caso estava sendo tratado pelas autoridades competentes no Reino Unido e nos Estados Unidos, prometendo que prisões seriam realizadas em decorrência das investigações.
Desafios judiciais e condições de trabalho
A crise na Build a Rocket Boy transcende a performance comercial do jogo. Atualmente, o estúdio enfrenta ações judiciais movidas por ex-funcionários, que acusam a empresa de instalar softwares de monitoramento em dispositivos de trabalho sem o devido consentimento ou transparência sobre os dados coletados. Além disso, o sindicato The Independent Workers of Great Britain tem liderado contestações formais contra a desenvolvedora. As denúncias apontam para um ambiente de trabalho marcado por jornadas de “crunch” consideradas “horríveis”, com relatos de funcionários que se sentiram “usados e descartados” pelos líderes da empresa, os quais, segundo as alegações, se recusaram a assumir a responsabilidade pelo fracasso comercial e crítico de MindsEye.
Com uma recepção crítica desastrosa — ostentando uma média de apenas 33/100 no OpenCritic e uma taxa de recomendação de críticos de apenas 5% — o futuro de MindsEye e da própria Build a Rocket Boy permanece envolto em incertezas. O jogo, desenvolvido na Unreal Engine 5 e classificado como M (Mature 17+), enfrenta agora o desafio de sobreviver a uma reestruturação constante enquanto lida com o desgaste de sua imagem perante a indústria e seus próprios colaboradores.
Fonte: Thegamer