Aos 70 anos, Bryan Cranston demonstra que seu legado em Breaking Bad não o impediu de retornar às suas raízes cômicas. Após o lançamento de Malcolm in the Middle: Life’s Still Unfair, o aguardado revival da sitcom dos anos 2000 com Cranston como o patriarca Hal, o público redescobre o talento do ator como comediante. Embora Cranston seja eternamente lembrado por Hal, sua interpretação de Walter White em Breaking Bad é, sem dúvida, a joia de sua filmografia.

Anos após retornar ao papel de Hal, o trabalho de Cranston na nova produção é estelar. Críticas ao revival de Malcolm in the Middle elogiam a performance hilária e emocionante de Cranston, provando que Breaking Bad não diminuiu suas habilidades cômicas. Enquanto seu papel icônico como Walter White não será esquecido, a atuação em Life’s Still Unfair contém a maior cena de sua carreira, que valida seu papel em Breaking Bad.
A Experiência de Hal em ‘Malcolm in the Middle’ é uma das Performances Mais Poderosas de Bryan Cranston
A sessão de “terapia” de Hal no Episódio 3 é brilhante. Em instantes, a performance de Cranston transita do hilário para o profundamente comovente. Embora pareça um pouco fora do tom para Malcolm In The Middle, por ser extensa e explorar a psique de Hal mais do que o usual, a cena funciona maravilhosamente. Ao longo dos anos, Cranston entregou performances incríveis, cômicas e dramáticas. Existem monólogos e discursos icônicos de Walter White em Breaking Bad, mas o maior é, possivelmente, em “Felina”, em sua interação final com Skyler antes de sucumbir ao seu destino.
Tanto Walt quanto Hal refletem sobre seus papéis no mundo e suas maiores paixões: o primeiro sobre o tráfico de drogas, o segundo sobre seus filhos. No entanto, suas atitudes em relação às suas situações diferem. O jogo do tráfico de drogas dá a Walt um propósito, introduzindo-o a um mundo onde ele pode prosperar, em vez de se sentir sempre em desvantagem. Hal, por outro lado, teme que seu principal propósito nos últimos 40 anos como pai dedicado esteja chegando ao fim. Ironicamente, Hal está sob a influência de drogas durante tudo isso.
Walter White poderia se beneficiar da mesma experiência catártica que Hal. O pai de seis filhos se vê passando pelo processo de parto novamente e conversa com versões de si mesmo em diferentes fases da vida, questionando o que virá a seguir. Com todos fora de casa, o que Hal faz agora? Ele já sabe a resposta, e sabe desde o Episódio 1. Hal sabe, no fundo, que Reese não precisa continuar consertando a casa, e ele diz isso ao filho enquanto trocam os azulejos do banheiro, mas há também uma parte subconsciente que permite isso porque ele se sente necessário.
Felizmente, Hal eventualmente percebe isso por si mesmo. Ao longo desta sequência, as emoções de Hal oscilam, permitindo que Cranston exiba sua destreza cômica e teatral. No final de Breaking Bad, Walt é movido por poder e controle; ele sabe exatamente o que quer e precisa ser compreendido. Mas Hal é completamente diferente. Ele carece de controle e não sabe como expressar suas preocupações, mas assim que ele se liberta e reflete, seu caminho a seguir fica mais claro do que nunca. Nunca veríamos Walter White ficar tão chateado ou ridículo; esse é o modo de Hal, e é impressionante ver Cranston retornar a um papel tão diferente de seu personagem em Breaking Bad.
Fonte: Movieweb