A ficção científica é um dos gêneros mais populares do cinema, mas a avaliação técnica de suas tramas costuma ser um desafio para críticos especializados. Embora muitos analistas possuam vasto conhecimento sobre o gênero, poucos tiveram a experiência real de vivenciar o ambiente fora da Terra. O senador Mark Kelly, veterano de quatro missões espaciais, decidiu compartilhar sua perspectiva técnica ao listar os três filmes de exploração espacial que considera mais precisos e interessantes.
Em suas redes sociais, Mark Kelly, que representa o Arizona no Senado dos Estados Unidos desde 2020, colocou o longa Perdido em Marte, dirigido por Ridley Scott, no topo de sua lista. Para o astronauta, a obra funciona menos como um filme sobre o espaço e mais como uma narrativa sobre a aplicação prática de engenharia para resolver problemas complexos. Ele destacou que a dinâmica entre os membros da tripulação retratada na tela pareceu muito realista, embora tenha apontado uma pequena falha técnica: o uso do termo ‘Comandante Lewis’ pelos subordinados. Segundo Kelly, a relação entre os membros de uma missão espacial é muito mais informal do que o filme sugere.
O segundo lugar na lista de Mark Kelly ficou com Interestelar, produção estrelada por Matthew McConaughey. O interesse do senador pela obra reside na abordagem da física, especificamente no conceito de dilatação temporal. Ele explicou que o filme ilustra corretamente como o tempo passa de forma diferente dependendo da velocidade de deslocamento e da proximidade com campos gravitacionais intensos. O astronauta possui uma conexão pessoal com o tema, já que seu irmão gêmeo, Scott Kelly, também é astronauta. Durante uma missão de um ano, Scott passou mais tempo no espaço do que Mark, o que gerou uma diferença real na contagem de tempo entre os dois devido à relatividade geral.
A precisão científica em Interestelar e o paradoxo dos gêmeos

A experiência de Mark Kelly com o chamado paradoxo dos gêmeos reforça a precisão teórica de Interestelar. Enquanto Scott Kelly acumulou 520 dias no espaço ao longo de sua carreira, Mark contabilizou 54 dias em suas quatro missões. O senador brinca que, embora tenha nascido seis minutos antes do irmão, o cálculo atual sugere que ele agora é seis minutos e 13 milissegundos mais velho devido aos efeitos da relatividade. Diferente do personagem de Matthew McConaughey, que perde décadas da vida de sua filha devido às viagens espaciais, a diferença de milissegundos vivida pelos irmãos Kelly é, felizmente, menos traumática.
Project Hail Mary conquista o astronauta
Para a terceira posição, Mark Kelly escolheu um título mais recente: Project Hail Mary. O senador apreciou a premissa sobre civilizações alienígenas e a complexidade dos desafios enfrentados pelos personagens para salvar o planeta. Embora tenha admitido que o filme apresenta um início um pouco lento, ele afirmou ter gostado bastante do resultado final. A obra, que explora temas de sobrevivência e cooperação interplanetária, tem sido um sucesso de público e crítica, acumulando números expressivos de bilheteria e avaliações positivas em agregadores como o Rotten Tomatoes. A produção reforça o interesse do público por histórias que misturam ciência e drama humano, algo que também pode ser visto em outras obras do gênero, como quando Project Hail Mary chega ao MGM+ e forma dobradinha de ficção para os assinantes da plataforma.
A trajetória de Mark Kelly fora das telas também é marcada por resiliência. Casado com a ex-deputada Gabby Giffords, que sobreviveu a um atentado em 2011, ele se tornou um defensor ativo de políticas de controle de armas. Sua entrada na política ocorreu após a morte do senador John McCain, consolidando uma carreira que transita entre a exploração científica e o serviço público. A análise de Kelly oferece uma visão única sobre como o cinema interpreta os desafios da vida real fora da atmosfera terrestre, validando o esforço dos cineastas em manter o rigor científico em produções de grande orçamento.
Fonte: Collider