O mercado cinematográfico registrou um marco histórico em maio de 2026, com a bilheteria doméstica dos Estados Unidos e Canadá superando a marca de US$ 1 bilhão pela primeira vez sem o auxílio de qualquer produção da Marvel. Após anos de resultados abaixo das expectativas, o setor apresenta sinais claros de recuperação, atingindo esse patamar pela nona vez na história e pela primeira vez desde o início da pandemia de COVID-19.
De acordo com dados do Box Office Mojo, as salas de cinema geraram aproximadamente US$ 1,06 bilhão em receita durante o mês. O feito ganha relevância especial ao considerar que, nas oito ocasiões anteriores em que o mercado ultrapassou a barreira do bilhão em maio, um filme da Marvel Studios ou de franquias licenciadas, como x-men, foi o principal motor de vendas de ingressos. A ausência de um título do gênero em 2026 não impediu o sucesso financeiro, que foi sustentado por uma diversidade de produções originais e sequências de diferentes estúdios.
Histórico de dependência das produções de super-heróis
O histórico de maio mostra como a indústria se acostumou a depender de grandes lançamentos de super-heróis para impulsionar o faturamento. O primeiro mês de maio a superar US$ 1 bilhão foi em 2009, impulsionado por X-Men Origins: Wolverine. Nos anos seguintes, sucessos como Thor (2011), Iron Man 3 (2013) e The Amazing spider-man 2 (2014) mantiveram a tendência. Além disso, os anos de lançamento de filmes da franquia Avengers — 2012, 2015, 2018 e 2019 — também registraram o mesmo desempenho.
A expectativa inicial do mercado era de que 2026 seguiria o mesmo padrão, com Avengers: Doomsday ocupando a janela de lançamento de final de abril e início de maio. No entanto, após a Disney alterar a data de estreia do longa para dezembro, o cenário mudou. A Lionsgate aproveitou a oportunidade com o filme Michael, que se tornou o maior arrecadador do mês, acumulando US$ 210 milhões domesticamente.
Diversidade de sucessos impulsiona a recuperação
Além de Michael, outros títulos contribuíram para o resultado expressivo. A Disney manteve presença relevante com The Devil Wears Prada 2, da 20th Century, que gerou US$ 209 milhões. Embora Mandalorian and Grogu tenha tido um desempenho abaixo do esperado, com US$ 137 milhões, o impacto foi mitigado pelo sucesso de produções que surpreenderam o público e a crítica.
O filme Obsession, que abriu com US$ 17,1 milhões, alcançou um total doméstico de US$ 104,7 milhões, impulsionado pelo boca a boca positivo. Paralelamente, o terror Backrooms, da A24, registrou uma estreia de US$ 81 milhões, superando o recorde anterior do estúdio em mais de três vezes e consolidando-se como a quarta maior abertura para um filme de terror na história da bilheteria.
Este cenário de diversidade reflete uma mudança nas expectativas da indústria. Enquanto o público demonstra interesse por novas franquias e histórias originais, como visto em Project Hail Mary (US$ 677 milhões) e Hoppers (US$ 434 milhões), o mercado parece encontrar um novo equilíbrio. A ausência de um blockbuster da Marvel no período não apenas desafiou as previsões, mas também abriu espaço para que outros gêneros e estúdios ocupassem o topo das paradas, provando que a saúde financeira do cinema pode ser sustentada por uma oferta variada de conteúdos, algo que fãs de Spider-Noir e sua conexão com o multiverso Marvel acompanham com atenção, observando como a indústria se adapta a novos modelos de consumo e sucesso comercial.
Fonte: ScreenRant