A aguardada segunda temporada de X-Men ’97, a aclamada animação do Disney+, promete expandir os horizontes da equipe mutante, mas também reacende debates sobre a consistência narrativa da obra. Com estreia marcada para 1º de julho, a produção retorna mais de dois anos após o encerramento de seu primeiro ano, trazendo consigo novos desafios temporais e a introdução de personagens clássicos. No entanto, o material promocional recente, incluindo o primeiro trailer oficial, sugere que o Marvel Studios está tornando a cronologia da série ainda mais confusa do que já era em X-Men: The Animated Series.
O conflito central da nova temporada envolve o vilão Apocalypse e uma trama que se estende por diferentes eras, incluindo o Egito Antigo em 3.000 a.C., o ano de 3960 d.C. e o presente da narrativa, fixado em 1997. Entre os personagens que ganham destaque nesta fase estão Psylocke, Havok, Angel e Polaris. A presença desses nomes, embora celebrada pelos fãs, levanta questões sobre o passado desses heróis dentro do universo estabelecido pela animação, especialmente no que diz respeito à formação original dos X-Men.
A trajetória confusa de Polaris na equipe

Um dos pontos que mais gerou especulação após a divulgação do trailer é uma imagem que mostra Polaris, também conhecida como Lorna Dane, posando ao lado de Cyclops, Jean Grey, Iceman, Beast, Angel e o Professor X. Os trajes utilizados pelos personagens remetem diretamente ao visual dos quadrinhos do final da década de 1960, período em que Havok, irmão de Cyclops, também integrava o grupo. O problema reside no fato de que, anteriormente, a série havia estabelecido que esta versão de Lorna deixou os X-Men ao lado de Iceman para se juntar ao grupo X-Factor, onde conheceu e iniciou um relacionamento com Havok.
A nova imagem sugere uma participação de Polaris como se ela fosse um membro fundador da equipe, o que contradiz a tradição estabelecida onde o Professor X seleciona apenas Cyclops, Jean Grey, Iceman, Beast e Angel como seus primeiros recrutas. Essa inconsistência levanta dúvidas sobre se a imagem retrata um período breve de sua estadia na equipe ou se estamos diante de uma variante de Polaris vinda de uma linha do tempo alternativa. Considerando que a nova temporada de X-Men ’97 aposta fortemente em viagens temporais, a explicação pode residir na manipulação da realidade ou em eventos multiversais, algo que o Spider-Noir revela conexão oculta com o multiverso Marvel em outras produções da editora.
O histórico problemático de Angel na animação

Se a situação de Polaris já causa estranheza, o histórico de Angel, ou Warren Worthington III, é ainda mais contraditório. Na série original dos anos 90, o personagem foi apresentado como alguém que não conhecia os X-Men até ser submetido a uma lavagem cerebral por Mystique, tornando-se um dos Cavaleiros de Apocalypse, especificamente a Morte. Embora tenha recuperado o controle e vislumbrado um futuro ao lado da equipe, essa trajetória nunca foi plenamente desenvolvida ou exibida na tela.
Posteriormente, a produção decidiu ignorar esse passado em favor de retratá-lo como um dos membros fundadores, uma mudança que X-Men ’97 tem reforçado de forma ainda mais enfática. No primeiro episódio da nova série, Cyclops e Jean Grey observam um retrato que os coloca ao lado de Angel, Beast, Iceman e Professor X, em uma composição visual idêntica à capa de The X-Men #1, publicada em 1963. Esse tipo de retcon, embora comum no universo dos quadrinhos, torna-se um dos exemplos mais confusos de adaptação para a televisão, dificultando a reconciliação das diferentes versões da história do personagem.
O futuro da equipe e as expectativas para a segunda temporada
Não existe uma forma clara de conciliar as histórias divergentes de Angel, e a inclusão de Polaris apenas adiciona mais camadas de complexidade a uma cronologia que já apresentava falhas. Para os fãs de X-Men ’97, resta aguardar como esses elementos serão integrados aos eventos da segunda temporada. Um dos mistérios que precisa de resolução é a sobrevivência de Angel, que agora aparece em sua forma de Archangel, após o ataque dos Sentinels à nação de Genosha. O personagem chegou a fazer uma aparição na gala das Nações Unidas, o que levanta questões sobre como ele escapou da destruição.
A expectativa é que a série utilize o mesmo mecanismo que pode explicar o retorno de outros personagens, como Gambit, cuja ressurreição é aguardada por muitos, embora não tenha sido confirmada oficialmente. A abordagem do Marvel Studios em relação a essas inconsistências parece ser a de priorizar o impacto emocional e a nostalgia dos fãs em detrimento de uma continuidade rígida. Enquanto a equipe criativa navega por esses dilemas, o público continua acompanhando a jornada dos mutantes, que, apesar das confusões temporais, permanecem como um dos pilares mais fortes da animação de super-heróis atual. A capacidade da série de equilibrar esses elementos será fundamental para manter o sucesso crítico alcançado em sua estreia, provando que, mesmo com falhas na cronologia, o apelo dos personagens continua intacto.
Fonte: ScreenRant