Backrooms se torna o maior sucesso da história da A24

O terror Backrooms consolidou seu lugar na história do cinema ao se tornar o lançamento de maior bilheteria mundial da A24 . Com um desempenho comercial expressivo, o longa-metragem ultrapassou a marca de US$ 200.

O terror Backrooms consolidou seu lugar na história do cinema ao se tornar o lançamento de maior bilheteria mundial da A24. Com um desempenho comercial expressivo, o longa-metragem ultrapassou a marca de US$ 200 milhões em vendas de ingressos, superando o recorde anterior do estúdio, que pertencia a Marty Supreme, com US$ 191 milhões acumulados. O feito é ainda mais notável considerando que a produção está em cartaz há apenas dez dias.

Dirigido por Kane Parsons, o filme é baseado na popular série da internet sobre espaços liminares, ambientes que evocam uma sensação de estranheza e isolamento. A trajetória de Parsons, que migrou do YouTube para o cinema, reflete uma mudança na indústria, onde criadores digitais conquistam espaço em grandes produções. O sucesso de Backrooms foi impulsionado por um público jovem, majoritariamente da Geração Z, que lotou as salas de exibição desde a estreia.

Recordes de bilheteria e impacto da A24

Backrooms em cena relacionada a Recordes de bilheteria e impacto da A24
Backrooms em cena relacionada a Recordes de bilheteria e impacto da A24.

O desempenho de Backrooms estabeleceu novos patamares para a A24, estúdio conhecido por produções como Everything, Everywhere All at Once e Moonlight. O filme garantiu a maior estreia da história da companhia, arrecadando US$ 81 milhões apenas no mercado doméstico, um valor que supera em três vezes o recorde anterior, estabelecido pelo thriller Civil War, de Alex Garland, em 2024. Mesmo com uma queda natural de 70% na segunda semana, o longa manteve números sólidos, somando US$ 25,8 milhões em 3.565 salas de cinema entre sexta-feira e domingo.

O orçamento de produção, cofinanciado pela A24 e pela Chernin Entertainment, foi de aproximadamente US$ 10 milhões, o que torna o projeto altamente lucrativo em um curto período. Internacionalmente, o filme arrecadou US$ 77 milhões em 57 territórios. O longa quebrou recordes de estreia da A24 em 41 países, incluindo a Espanha, e alcançou o primeiro lugar em 42 mercados, como Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Itália. Na América Latina, o desempenho foi igualmente forte, com US$ 24,2 milhões, consolidando-se como o título de maior bilheteria do estúdio na região.

Enredo e futuro da franquia

Backrooms em cena relacionada a Enredo e futuro da franquia
Backrooms em cena relacionada a Enredo e futuro da franquia.

A trama de Backrooms acompanha um proprietário de uma loja de móveis, interpretado por Chiwetel Ejiofor, que descobre uma passagem secreta levando a um labirinto infinito de salas vazias. Após seu desaparecimento, sua terapeuta, vivida por Renate Reinsve, decide aventurar-se no desconhecido para resgatá-lo. Embora uma sequência ainda não tenha sido confirmada oficialmente, o diretor Kane Parsons já manifestou interesse em expandir a obra, sugerindo a possibilidade de transformar o conceito em uma franquia cinematográfica de longo prazo.

O sucesso de produções de horror no mercado atual, como visto em outros lançamentos recentes, reforça a força do gênero nas bilheterias globais. A A24, que historicamente focou em filmes de autor, demonstra com este resultado que possui capacidade de escalar projetos de baixo orçamento para grandes sucessos comerciais. A recepção positiva do público e a performance em mercados internacionais indicam que o interesse por narrativas baseadas em fenômenos da internet pode ser uma tendência duradoura para o estúdio.

A ascensão dos criadores digitais no cinema

O sucesso estrondoso de Backrooms não é um evento isolado, mas sim o ápice de uma mudança tectônica na forma como Hollywood enxerga o talento vindo das plataformas de vídeo. Kane Parsons, aos 20 anos, representa uma nova geração de cineastas que não precisou passar pelo caminho tradicional de festivais de curtas ou escolas de cinema convencionais. Sua habilidade em traduzir a estética de found footage e o horror de espaços liminares — conceitos que viralizaram no YouTube — para uma narrativa coesa de longa-metragem provou que o público está faminto por novas linguagens visuais. A transição de Parsons é comparável a outros prodígios da era digital, como Curry Barker, que também migraram do YouTube para o cinema com projetos de alto impacto, consolidando a ideia de que a curadoria de talentos online é a nova fronteira para grandes estúdios como a A24.

O fenômeno dos espaços liminares e a cultura da internet

Para entender o impacto de Backrooms, é preciso olhar para a origem do conceito. Os espaços liminares, que retratam locais de transição (como corredores de hotéis vazios, escritórios abandonados ou áreas de serviço) de forma perturbadora, tornaram-se um pilar da cultura de horror na internet. A A24, ao apostar em um projeto que já possuía uma base de fãs dedicada e uma estética visualmente reconhecível, minimizou riscos e maximizou o engajamento orgânico. Diferente de produções que tentam forçar uma mitologia complexa, Backrooms aproveita o desconforto psicológico inerente ao ambiente, algo que ressoa profundamente com a Geração Z, que cresceu consumindo esse tipo de conteúdo em fóruns e redes sociais.

Análise de mercado: O horror como motor da bilheteria

O mercado de horror em 2026 tem se mostrado um dos mais resilientes e lucrativos da indústria cinematográfica. Enquanto grandes franquias de super-heróis enfrentam fadiga, o gênero de terror continua a atrair multidões aos cinemas, provando que o público busca experiências coletivas intensas. O sucesso de Backrooms, somado a outros títulos de peso no gênero, reforça que o custo-benefício dessas produções é imbatível. Com um orçamento de apenas US$ 10 milhões, a rentabilidade alcançada coloca o filme em um patamar histórico, comparável a marcos como The Blair Witch Project, que definiu o gênero de horror de baixo orçamento no final dos anos 90. A A24, ao equilibrar sua reputação de estúdio de prestígio com a agressividade comercial necessária para blockbusters, encontrou a fórmula ideal para o mercado atual.

Disponibilidade e janela de exibição no Brasil

Para os espectadores brasileiros, a expectativa em torno de Backrooms é alta, dado o forte desempenho do filme na América Latina. O longa segue o modelo de distribuição global da A24, que prioriza janelas de exibição exclusivas em salas de cinema antes de migrar para plataformas de streaming. No Brasil, o filme está disponível nas principais redes de cinema, com uma estratégia de lançamento que buscou capitalizar o hype das redes sociais. A distribuição local tem sido fundamental para manter o filme em cartaz, com sessões que continuam a atrair um público jovem, ávido por conferir a adaptação cinematográfica de um fenômeno que acompanharam durante anos online. A expectativa é que, após a janela de exclusividade nos cinemas, o título seja disponibilizado em plataformas de streaming que possuem parcerias de licenciamento com a A24 no território brasileiro, embora nenhuma data oficial tenha sido confirmada até o momento.

O futuro da A24 e a expansão de franquias

Backrooms em cena relacionada a O futuro da A24 e a expansão
Backrooms em cena relacionada a O futuro da A24 e a expansão.

A pergunta que fica para o mercado é: a A24 continuará a investir em franquias baseadas em fenômenos da internet ou voltará a focar exclusivamente em filmes de autor? O sucesso de Backrooms sugere que não é preciso escolher um caminho. A capacidade do estúdio de manter sua identidade visual e narrativa, mesmo em projetos de maior escala, é o que garante a fidelidade de seu público. A possibilidade de uma sequência para Backrooms, embora ainda não oficializada, é vista por analistas como um passo natural. Se confirmada, a franquia tem o potencial de explorar novos níveis do labirinto, expandindo a mitologia sem perder a essência de isolamento e estranheza que tornou o primeiro filme um sucesso histórico.

Fontes: Collider Variety