O terror Backrooms consolidou seu lugar na história do cinema independente ao se tornar o lançamento de maior bilheteria mundial da A24. Com apenas dez dias em cartaz, a produção superou a marca de US$ 200 milhões em vendas de ingressos, um feito inédito para o estúdio que é conhecido por sucessos como Everything, Everywhere All at Once, Lady Bird e Moonlight. O longa, dirigido pelo cineasta Kane Parsons, já acumula US$ 212 milhões globalmente, sendo US$ 135 milhões provenientes apenas do mercado norte-americano.
Com esse desempenho, Backrooms ultrapassou o recorde anterior de Marty Supreme, estrelado por Timothée Chalamet, que detinha o posto de maior arrecadação global da A24 com US$ 191 milhões. O sucesso financeiro é ainda mais expressivo considerando que o filme foi cofinanciado pela A24 e pela Chernin Entertainment com um orçamento estimado em US$ 10 milhões, garantindo lucratividade imediata para a produção.
Recordes de estreia e recepção do público

Impulsionado por um forte engajamento do público da Geração Z, o filme registrou a maior estreia da história do estúdio, arrecadando US$ 81 milhões domesticamente em seu primeiro fim de semana. O valor mais que triplicou o recorde anterior estabelecido pelo thriller Civil War, de Alex Garland, que somou US$ 25,5 milhões em 2024. Mesmo com uma queda de 70% na segunda semana, o longa manteve números expressivos, arrecadando US$ 25,8 milhões em 3.565 salas de cinema entre sexta-feira e domingo.
Desempenho internacional e expansão da marca

No mercado internacional, Backrooms arrecadou US$ 77 milhões em 57 territórios. O filme estabeleceu novos recordes de abertura para a A24 em 41 países, incluindo a Espanha, e alcançou o primeiro lugar em 42 mercados, como Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Itália. A América Latina lidera o desempenho fora da América do Norte, com US$ 24,2 milhões, tornando-se o título de maior sucesso do estúdio na região.
Na Austrália e na Nova Zelândia, a produção também superou Marty Supreme, acumulando US$ 7,9 milhões. O sucesso da obra, baseada na popular série de vídeos de Kane Parsons sobre espaços liminares, reacende discussões sobre o potencial de franquias de terror no streaming e no cinema, um tema que também movimenta produções como a série baseada em The Kid Detective, desenvolvida pelo Hulu.
Enredo e futuro da franquia

A trama de Backrooms acompanha um proprietário de uma loja de móveis, interpretado por Chiwetel Ejiofor, que descobre uma passagem secreta levando a um labirinto infinito de salas vazias. Após seu desaparecimento, sua terapeuta, vivida por Renate Reinsve, decide entrar no desconhecido para resgatá-lo. Embora uma sequência ainda não tenha sido confirmada oficialmente, o diretor Kane Parsons já manifestou interesse em expandir a história para uma franquia cinematográfica.
O fenômeno de Backrooms reflete a força do gênero de terror no cenário atual, que também viu o sucesso de produções como a aclamada minissérie Chernobyl, que continua a atrair audiência. A capacidade da A24 em transformar um conceito viral da internet em um sucesso de bilheteria global marca um novo capítulo para o estúdio, que equilibra produções autorais com grandes apostas comerciais.
A ascensão dos criadores digitais no cinema
O sucesso estrondoso de Backrooms não é um evento isolado, mas sim o ápice de uma tendência crescente em Hollywood: a migração de talentos nativos do YouTube para a cadeira de direção de grandes produções cinematográficas. Kane Parsons, aos 20 anos, representa uma nova geração de cineastas que não apenas compreendem a linguagem do horror moderno, mas que construíram comunidades globais antes mesmo de assinarem com um grande estúdio. Essa transição, que também vemos em nomes como Curry Barker, demonstra que a A24 está na vanguarda ao identificar criadores que possuem uma base de fãs consolidada e uma visão estética já testada e aprovada pelo público jovem.
A estratégia da A24 de apostar em conceitos virais, como os espaços liminares de Parsons, provou ser financeiramente mais segura do que o desenvolvimento de propriedades intelectuais tradicionais de alto custo. Ao manter orçamentos controlados, como os US$ 10 milhões investidos em Backrooms, o estúdio consegue margens de lucro que rivalizam com grandes blockbusters, provando que a autenticidade da internet, quando refinada com recursos profissionais, tem um apelo massivo e imediato.
Impacto cultural e a estética dos espaços liminares
O conceito de Backrooms, que nasceu como uma creepypasta e evoluiu para uma série de vídeos curtos, toca em um nervo exposto da cultura digital contemporânea: o medo do vazio e a estranheza de ambientes familiares que se tornam hostis. A transposição dessa estética para o cinema de longa-metragem exigiu um trabalho minucioso de design de produção, que conseguiu traduzir a sensação de claustrofobia dos vídeos originais para a tela grande. O impacto cultural foi tão profundo que o filme se tornou um ponto de encontro para a Geração Z, que viu na obra uma representação visual de sua própria ansiedade em um mundo hiperconectado e, ao mesmo tempo, isolado.
Comparativamente, o sucesso de Backrooms pode ser colocado ao lado de marcos históricos do gênero, como A Bruxa de Blair (1999), que também utilizou uma estética de baixo orçamento e uma narrativa viral para redefinir o horror. Enquanto A Bruxa de Blair definiu o estilo found footage, Backrooms parece estar definindo a era do horror liminar, onde a arquitetura e o espaço são os verdadeiros antagonistas da história.
O cenário do terror em 2026 e a concorrência
O ano de 2026 tem se mostrado um período excepcional para o gênero de horror, com produções como 28 Years Later: The Bone Temple, Send Help e Ready or Not 2: Here I Come dominando as conversas. Mesmo em um mercado saturado, Backrooms conseguiu se destacar, provando que o público ainda tem um apetite voraz por histórias originais que desafiam as convenções. A concorrência é feroz, com franquias consagradas como Scary Movie retornando aos cinemas e alcançando recordes de abertura, mas o fenômeno da A24 manteve sua relevância através de um marketing orgânico e um boca a boca digital sem precedentes.
A capacidade de Backrooms de sustentar sua bilheteria mesmo após a queda natural da segunda semana indica que o filme possui um fator de repetibilidade, algo raro para produções de terror. O público brasileiro, em particular, tem demonstrado um interesse crescente por essas produções, com o mercado local contribuindo significativamente para os números expressivos da América Latina, consolidando o Brasil como um território estratégico para os lançamentos globais da A24.
Disponibilidade e futuro nos cinemas brasileiros
Para os espectadores brasileiros, o sucesso de Backrooms reflete a força da distribuição cinematográfica atual, que tem priorizado o lançamento simultâneo ou com janelas reduzidas para evitar a pirataria de conteúdos virais. O filme encontra-se disponível em grande parte das redes de cinema do país, com sessões que variam entre formatos tradicionais e salas premium, visando capturar a experiência imersiva que o design sonoro e visual de Kane Parsons exige. A expectativa é que, após a janela de exibição nos cinemas, o título chegue às plataformas de streaming que possuem parceria com a A24, mantendo o ciclo de vida da obra por um longo período.
O futuro da franquia, embora ainda não oficializado em termos de uma sequência direta, é visto pelo mercado como uma inevitabilidade. A estrutura narrativa de Backrooms, baseada em um labirinto infinito, permite infinitas expansões, spin-offs e explorações de diferentes níveis e personagens. A A24, conhecida por sua curadoria criteriosa, certamente avaliará o potencial de longo prazo antes de anunciar qualquer expansão, mas o sucesso financeiro atual coloca a franquia em uma posição privilegiada para se tornar o novo pilar de terror do estúdio para a próxima década.