Anderson Cooper deixa o 60 Minutes após duas décadas na CBS

O jornalista encerra sua trajetória de 20 anos no programa, destacando a importância da independência editorial e da confiança do público na atração.
Pictured: Anderson Cooper, 60 MINUTES Correspondent. Photo: Michele Crowe/CBS ©2023 CBS Broadcasting, Inc. All Rights Reserved

Após duas décadas de colaboração constante, o renomado jornalista Anderson Cooper oficializou sua despedida do programa 60 Minutes, da CBS News, neste último domingo. A saída marca o encerramento de um capítulo significativo na carreira do apresentador, que integrou o time do icônico noticiário por 20 anos. Em uma entrevista concedida ao 60 Minutes Overtime, Cooper aproveitou o momento para enfatizar o valor da independência editorial que sempre norteou o programa, bem como a relação de profunda confiança que a atração cultivou com seus espectadores ao longo de gerações.

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Anderson Cooper Signs Off ’60 Minutes’ After 20 Years, Hailing the Program’s ‘Independence’ and ‘Trust it Has With Viewers’
Anderson Cooper Signs Off ’60 Minutes’ After 20 Years, Hailing the Program’s ‘Independence’ and ‘Trust it Has With Viewers’

Ao refletir sobre o futuro da produção, Cooper expressou um desejo sincero: que o 60 Minutes consiga preservar sua essência fundamental. “Espero que o 60 Minutes permaneça sendo o 60 Minutes“, declarou. O jornalista ressaltou que, embora a evolução seja um processo natural e, por vezes, necessário para qualquer veículo de comunicação, a integridade do formato original é o que sustenta sua longevidade. “Existem pouquíssimas coisas que estão no ar há tanto tempo quanto o 60 Minutes e conseguem manter o nível de qualidade que ele possui. Acredito que as coisas devam evoluir e mudar, e isso é fantástico, mas espero que o núcleo do que o programa representa permaneça inalterado”, pontuou.

A decisão de Cooper de se afastar não foi tomada de forma leviana e, segundo o próprio jornalista, foi influenciada por dois fatores principais: a logística exaustiva de conciliar múltiplas funções e a priorização de sua vida familiar. Cooper explicou que, durante todo o período em que contribuiu para o 60 Minutes, seu emprego em tempo integral permaneceu sendo na CNN. Conciliar as demandas de ambos os veículos tornou-se um desafio logístico complexo. “Tem sido muito difícil realizar o tipo de trabalho que o programa exige”, admitiu, revelando que frequentemente utilizava seus períodos de férias na CNN para se dedicar às reportagens da CBS, trabalhando em horários que deveriam ser de descanso.

O segundo motivo, e talvez o mais pessoal, envolve seus dois filhos, de quatro e seis anos. “Eu tenho um filho de quatro anos e outro de seis, e quero passar o máximo de tempo possível com eles enquanto ainda desejam minha companhia. O relógio está correndo”, afirmou, demonstrando a consciência de que a infância é uma fase passageira. Ele confessou que a realidade de não estar mais envolvido com a produção ainda não havia se consolidado totalmente em sua mente, especialmente por ser um espectador fiel do programa desde a infância.

Cooper compartilhou memórias de sua juventude, descrevendo-se como uma “criança estranha” que nutria um interesse genuíno pelo telejornalismo. Ele relembrou que, após a morte de seu pai, o silêncio em sua casa era preenchido pelo hábito de assistir ao noticiário durante o jantar, acompanhando os lendários correspondentes da CBS. Essa admiração inicial transformou-se em uma carreira onde ele teve a oportunidade de trabalhar ao lado de ícones como Morley Safer, Mike Wallace e Bob Simon. Cooper relembrou com emoção o fato de ter ocupado o escritório de Bob Simon após o falecimento do veterano, descrevendo o 60 Minutes como um espaço onde se podia “entrar no lugar de outra pessoa”, ver o mundo através de olhos alheios e compreender as lutas e desafios enfrentados por diferentes indivíduos.

A saída de Cooper ocorre em um momento de turbulência e transição para a CBS News, que agora opera sob a nova propriedade de David Ellison. A gestão tem sido marcada por decisões editoriais que geraram repercussão pública, incluindo a contratação da editora-chefe Bari Weiss. Recentemente, o programa esteve no centro de polêmicas, como o cancelamento de uma reportagem que abordaria as condições “brutais e torturantes” em uma prisão de El Salvador, para onde o governo Trump enviou deportados. A justificativa oficial foi a necessidade de “reportagem adicional”. Além disso, o programa enfrentou críticas por supostamente marginalizar a veterana Lesley Stahl em favor de Major Garrett para uma entrevista com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, após negociações diretas entre Weiss e o gabinete do premiê.

Outro ponto de tensão recente envolveu o ex-presidente Donald Trump, que obteve uma vitória judicial após processar a emissora pela edição de uma entrevista com a candidata democrata Kamala Harris. O caso resultou em um acordo de 16 milhões de dólares pago pela Paramount Global, empresa controladora da CBS. Como parte do acordo, a emissora concordou em liberar as transcrições das entrevistas com candidatos presidenciais após a exibição. Apesar desse cenário complexo, Cooper manteve seu discurso focado na importância do tempo, paciência e investimento financeiro necessários para produzir as reportagens de qualidade que definiram a história do 60 Minutes, expressando o desejo de que o programa continue existindo para que seus filhos possam, um dia, assisti-lo com seus próprios descendentes.

Fontes: THR Variety