Alice and Steve estreia no Disney+ com Nicola Walker e Jemaine Clement

A nova série Alice and Steve chega ao Disney+ e Hulu nesta segunda-feira, 8 de junho, trazendo uma proposta narrativa que mistura drama e comédia em uma dinâmica de relacionamentos complexos. A produção, criada e.

A nova série Alice and Steve chega ao Disney+ e Hulu nesta segunda-feira, 8 de junho, trazendo uma proposta narrativa que mistura drama e comédia em uma dinâmica de relacionamentos complexos. A produção, criada e escrita por Sophie Goodhart, conhecida por seus trabalhos em Rivals e Sex Education, explora as consequências de uma amizade de décadas abalada por uma decisão inesperada. A trama acompanha Alice, interpretada pela indicada ao BAFTA Nicola Walker, cuja vida sofre uma reviravolta quando seu melhor amigo de longa data, Steve, vivido por Jemaine Clement, anuncia que está namorando sua filha de 26 anos, Izzy, papel de Yali Topol Margalith.

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Nicola Walker, Jemaine Clement e o diretor Tom Kingsley no set de Alice and Steve
Nicola Walker, Jemaine Clement e o diretor Tom Kingsley durante as filmagens da série.

A dinâmica entre Nicola Walker e Jemaine Clement

A química entre os protagonistas é o pilar central de Alice and Steve. Nicola Walker, renomada por atuações em Spooks e The Split, descreve o desafio de interpretar uma personagem que lida com um colapso emocional diante de uma situação familiar insustentável. Em uma cena crucial do segundo episódio, filmada durante uma noite de jogos de tabuleiro, a personagem de Walker perde o controle ao confrontar a realidade do relacionamento entre seu amigo e sua filha. A atriz destaca que a abordagem de Goodhart para o roteiro permite uma transição fluida entre o humor ácido e momentos de profunda tristeza.

Jemaine Clement, co-criador de What We Do in the Shadows, traz sua marca registrada de comédia para o papel de Steve, um cabeleireiro de celebridades que tenta, sem sucesso, remediar o caos que criou. O ator comenta que a série explora a falta de reflexão de seu personagem, que se vê preso em uma tentativa impossível de consertar as coisas após o início do namoro com Izzy. A interação entre os dois atores, que nunca haviam trabalhado juntos anteriormente, foi consolidada logo no início das gravações, em uma cena de karaokê que exigiu esforço e sintonia da dupla.

O tom de wrong-com e a recepção crítica

A série é classificada como uma “wrong-com”, um termo que reflete o tom peculiar da obra. Sophie Goodhart construiu uma narrativa que, segundo Walker, é brutalmente honesta ao tratar de temas como traição e o ódio que pode surgir entre pessoas que se amam. A produção, que varreu o Canneseries, busca dialogar com diferentes gerações, abordando conflitos que ressoam tanto com o público mais jovem quanto com o mais maduro. A série se destaca por não oferecer respostas fáceis, mantendo a tensão editorial sobre como cada personagem lida com o isolamento causado por suas próprias escolhas.

Para Yali Topol Margalith, que interpreta Izzy, a série oferece uma perspectiva importante sobre a busca por validação e o impacto das expectativas maternas. A personagem vê em Steve alguém que a trata bem após uma série de relacionamentos frustrados, o que intensifica o conflito com sua mãe. A complexidade da trama é reforçada pela direção de Tom Kingsley, vencedor do BAFTA, que mantém o ritmo dos seis episódios focados na evolução desse triângulo relacional. Assim como em produções que exploram a identidade, a exemplo de The Boy With the Light-Blue Eyes, a série utiliza o drama pessoal para questionar normas sociais e familiares.

Bastidores e produção da série

A produção de Alice and Steve conta com o apoio de Clerkenwell Films, com Petra Fried, Andy Baker e Wim de Greed na produção executiva. A comissão da série foi feita por Lee Mason, vice-presidente de produções roteirizadas da Disney+ EMEA. O cuidado com a construção dos personagens é evidente na forma como cada um reage à crise, com Alice isolando-se por acreditar piamente em sua visão da situação, sem permitir nuances no espectro do conflito. A série evita cair em clichês de comédias românticas tradicionais, preferindo focar na desconstrução de laços afetivos sob pressão.

Yali Topol Margalith e Jemaine Clement em cena de Alice and Steve
Yali Topol Margalith e Jemaine Clement em cena da nova produção do Disney+.

A estreia de Alice and Steve marca um momento importante para o catálogo do Disney+ e Hulu, que continuam investindo em histórias originais com forte apelo autoral. A série, que já gerou burburinho antes mesmo de seu lançamento, promete ser um dos destaques do streaming nesta temporada, especialmente pela qualidade do elenco e pela escrita afiada de Sophie Goodhart. A capacidade da obra de equilibrar o humor com a dor da traição familiar garante que o público se identifique com as situações apresentadas, mesmo que elas sejam, em última análise, desconfortáveis. O sucesso da produção no Canneseries serve como um indicativo da qualidade técnica e narrativa que os espectadores podem esperar ao longo dos seis episódios disponíveis.

A série também se insere em um contexto de produções que buscam inovar na forma como as relações intergeracionais são retratadas na televisão contemporânea. Enquanto o mercado de streaming busca constantemente por novos formatos, Alice and Steve se destaca pela honestidade com que aborda a falibilidade humana. A série não tenta justificar as ações de seus personagens, mas sim expor as consequências de suas decisões, criando um ambiente onde o espectador é convidado a refletir sobre os limites da amizade e da lealdade familiar. Com a direção precisa de Tom Kingsley e atuações memoráveis de Nicola Walker e Jemaine Clement, a obra se consolida como uma adição relevante ao cenário das séries atuais.

Contexto e a ascensão das produções autorais no streaming

A chegada de Alice and Steve ao catálogo do Disney+ e Hulu não é um evento isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla da Disney em investir em produções originais de nicho que possuem um forte apelo autoral. A série, que conquistou o prestigiado Canneseries, reflete uma mudança no comportamento do consumidor de streaming, que tem buscado narrativas mais curtas e densas, distantes das temporadas intermináveis de outrora. O formato de seis episódios permite uma coesão narrativa que valoriza a escrita de Sophie Goodhart, consolidando a série como uma obra de prestígio dentro da plataforma.

Impacto no mercado e a tendência das ‘wrong-coms’

O termo ‘wrong-com’ tem ganhado força na crítica internacional, descrevendo produções que subvertem as expectativas das comédias românticas tradicionais. Ao colocar Nicola Walker e Jemaine Clement em uma dinâmica de desconforto absoluto, a série desafia o público a encontrar humor em situações socialmente inaceitáveis. Esse tipo de narrativa tem um impacto direto na forma como as plataformas de streaming segmentam seu público, atraindo espectadores que buscam produções que misturam o drama psicológico com o cinismo da comédia moderna, um nicho que tem se mostrado extremamente lucrativo e engajador.

Bastidores: A construção da tensão em cena

Durante as filmagens em Londres, a atmosfera no set era descrita como um equilíbrio delicado entre a leveza técnica e a intensidade emocional exigida pelo roteiro. A escolha de Tom Kingsley para a direção foi estratégica, dado seu histórico em extrair performances autênticas de elencos que precisam transitar entre o absurdo e o realismo. A cena do karaokê, citada pelo elenco como o momento de maior conexão entre Walker e Clement, foi um desafio técnico que exigiu horas de ensaio para garantir que a tensão subjacente da traição familiar fosse sentida pelo espectador sem que a comédia perdesse o seu timing.

Disponibilidade e onde assistir no Brasil

Para os espectadores brasileiros, Alice and Steve está disponível na plataforma Disney+ a partir desta segunda-feira, 8 de junho. A série integra o catálogo de conteúdos voltados para o público adulto, seguindo a política de expansão da marca que busca diversificar seu portfólio para além das franquias de super-heróis e animações infantis. A disponibilidade simultânea com o mercado internacional reforça o compromisso do serviço de streaming em oferecer lançamentos globais, permitindo que o público brasileiro acompanhe a repercussão da série em tempo real com as discussões nas redes sociais e na crítica especializada.

Análise de recepção e o futuro da franquia

Embora a série tenha sido concebida como uma minissérie fechada, o sucesso estrondoso no circuito de festivais e a recepção positiva da crítica abrem precedentes para que o formato de ‘dramédia’ de autor continue sendo explorado pela Disney. O desempenho de Nicola Walker, que já é uma figura carimbada em produções de alta qualidade, eleva o patamar da série, tornando-a uma candidata natural a premiações futuras. A série não apenas diverte, mas serve como um estudo de caso sobre como o streaming pode ser o lar ideal para histórias que, em outros tempos, seriam consideradas ‘difíceis demais’ para o grande público.

Fonte: THR