A Senha mantém status de thriller de ação mais insano do cinema

Vinte e cinco anos após sua estreia, o longa estrelado por Hugh Jackman e John Travolta continua sendo um exemplo puro do estilo exagerado dos anos 2000.

Lançado em junho de 2001, A Senha (Swordfish) representa um momento muito específico e irrepetível da história de Hollywood. O filme traz a marca registrada das produções da virada do milênio: grandes estrelas, óculos escuros caros, trilhas sonoras eletrônicas que parecem permanentemente cafeinadas e tramas que dão a impressão de terem sido concebidas em reuniões de última hora, logo antes do almoço. O longa é, possivelmente, um dos exemplos mais puros dessa era do entretenimento, capturando uma estética que só poderia existir naquele momento exato.

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John Travolta em A Senha
John Travolta interpreta o vilão Gabriel Shear em A Senha.

O espetáculo do crime cibernético

O filme chegou aos cinemas pouco antes da tragédia de 11 de setembro, um evento que alterou drasticamente o tom das produções de ação da época. Inicialmente, o longa teve um desempenho abaixo do esperado nas bilheterias, perdendo dinheiro, mas encontrou uma vida longa e bem-sucedida no mercado de DVD. O que fascina ao revisitar A Senha hoje é o seu compromisso total com o próprio caos. O filme não chega ao absurdo de forma gradual; ele abre a porta chutando e começa a citar Um Dia de Cão antes mesmo que os créditos de abertura terminem.

A trama acompanha Stanley Jobson, um hacker brilhante interpretado por Hugh Jackman, que é forçado a retornar ao submundo do crime por Gabriel Shear, um vilão vivido por John Travolta. O personagem de Travolta parece ter sido montado a partir de uma mistura de café expresso, nicotina e uma autoconfiança inabalável. Tudo ao redor deles opera no volume máximo. Os diálogos parecem ter sido escritos por pessoas que acreditavam que cada frase deveria, obrigatoriamente, provocar, ameaçar ou filosofar. O filme mal desacelera o suficiente para explicar o plano antes que alguém comece a brandir uma arma, discursar ou oferecer uma maleta cheia de segredos governamentais a Jackman.

Stanley é um hacker tão perigoso que o governo o proibiu de tocar em teclados, o que, segundo a lógica dos filmes do início dos anos 2000, o torna o homem mais valioso do mundo. Enquanto isso, o vilão de Travolta se veste como um dono de cassino vilão de James Bond que leu metade de um livro de ciência política e decidiu que isso o qualificava para remodelar o mundo. Ele arrasta Stanley para uma confusão envolvendo operações secretas, terrorismo e traições suficientes para deixar todos os personagens com aparência de exaustão. Paralelamente, Halle Berry, no papel de Ginger Knowles, transita pela trama com uma energia fascinante, equilibrando sedução e cumplicidade, sendo a única pessoa na sala que parece perceber que todos ao seu redor soam completamente insanos.

O carisma de Jackman e Travolta

Nada no filme é fundamentado na realidade, o que acaba sendo parte do seu charme. A Senha trata o hacking como um esporte de contato. Stanley não está digitando silenciosamente em um porão; ele é forçado a invadir sistemas sob pressão extrema enquanto distrações explodem ao seu redor. O filme transforma processos digitais invisíveis em espetáculo puro, descartando qualquer sutileza. Travolta, por sua vez, ataca cada cena como se tentasse superar o próprio filme. Ele profere monólogos sobre moralidade, violência governamental e hipocrisia da mídia enquanto fuma charutos e veste trajes de luxo. O filme sobrevive a tudo isso porque entende sua missão: sobrecarregar o espectador.

Essa energia atinge seu ápice na famosa sequência da explosão com esferas de metal, que permanece gloriosamente excessiva mesmo 25 anos depois. A cena congela o tempo para que o público admire a destruição de todos os ângulos possíveis. Enquanto blockbusters modernos esconderiam tal momento sob uma camada de efeitos digitais cinzentos, A Senha para o filme inteiro para admirar sua própria loucura. É um tipo de cinema que não pede desculpas por ser barulhento e excessivo, mantendo seu legado através da tensão entre o Stanley de Jackman, um homem preso em um filme alheio, e o Gabriel de Travolta, que trata o terrorismo como uma filosofia de vida.

Fonte: Collider