Zendaya aborda o tema de armas em The Drama e Euphoria

A atriz Zendaya explora facetas opostas sobre o controle de armas em seus projetos recentes, destacando contrastes narrativos entre o cinema e a TV.

Zendaya vive um momento de destaque absoluto em sua carreira, consolidando-se como uma das maiores estrelas de Hollywood com projetos que dominam as conversas do público. Em 2026, a atriz protagoniza The Drama, um longa-metragem que alcançou a marca de 100 milhões de dólares em bilheteria, e retorna como a protagonista da terceira temporada de euphoria, série da HBO. Embora os projetos possuam tons distintos, ambos trazem a atriz interpretando personagens que se conectam, de formas opostas, ao complexo e sensível tema do uso de armas de fogo.

Em The Drama, a personagem Emma revela um passado marcado pela intenção de cometer um ataque escolar, transformando-se posteriormente em uma ativista pelo controle de armas após encontrar apoio em um grupo comunitário. Já em euphoria, a trajetória de Rue toma um rumo inesperado e controverso na terceira temporada, com a personagem atuando no mercado negro como traficante de armas de fogo impressas em 3D para criminosos. Essa coincidência temática coloca em evidência como diferentes produções abordam questões sociais sob perspectivas variadas.

Abordagens distintas sobre o controle de armas

A forma como cada obra trata o assunto revela diferenças fundamentais na construção narrativa. Enquanto The Drama mergulha nas implicações éticas e na complexidade psicológica da violência armada, explorando o tema sob diversos ângulos, euphoria utiliza a temática de forma mais superficial. Na série da HBO, a atividade criminosa de Rue serve como um elemento de estilo, com foco em visuais impactantes, mas sem aprofundar as consequências morais ou sociais do tráfico de armamentos.

A série, que já foi comparada a outras produções como Girls em sua representação da juventude, parece priorizar a estética em detrimento da substância nesta nova fase. Enquanto o filme de comédia ácida propõe uma reflexão sobre a dificuldade de encontrar respostas simples para problemas complexos, a série parece utilizar o tema apenas como um artifício dramático passageiro, sem o mesmo peso reflexivo apresentado no cinema.

Zendaya e Robert Pattinson em cena de The Drama
Zendaya e Robert Pattinson protagonizam o sucesso de bilheteria The Drama.

O sucesso estratégico de The Drama

O impacto de The Drama também se deve a uma campanha de marketing exemplar. O estúdio A24 optou por uma estratégia de contenção, escondendo o núcleo central da trama nos trailers. Ao focar na dinâmica entre os personagens de Zendaya e Robert Pattinson, o marketing evitou rotular o filme como uma obra puramente política, o que permitiu que o público fosse surpreendido pela profundidade da discussão sobre violência armada apenas durante a exibição.

Essa escolha permitiu que o filme fosse acessível a uma audiência mais ampla, mantendo o interesse do público sem antecipar os conflitos morais que definem a jornada de Emma. Ao evitar o estigma de um “filme de mensagem”, a produção conseguiu equilibrar o entretenimento com uma crítica social contundente, algo que se diferencia da abordagem atual de Euphoria, que enfrenta críticas sobre a falta de substância em seus episódios mais recentes.

Zendaya e Robert Pattinson em cena de mesa em The Drama
A cena da mesa em The Drama foi um dos pontos altos da campanha de marketing do filme.

A comparação entre os dois papéis de Zendaya evidencia a versatilidade da atriz, mas também destaca como o roteiro e a direção moldam a percepção do público sobre temas tabus. Enquanto o cinema parece ter encontrado em The Drama uma forma de tratar a violência com a seriedade necessária, a televisão, através de Euphoria, segue um caminho onde o estilo visual muitas vezes se sobrepõe à profundidade temática.

Fonte: ScreenRant