Yuji Horii defende uso de inteligência artificial em Dragon Quest

Criador da franquia explora a integração de companheiros virtuais em Dragon Quest 10 e gera debates sobre o futuro da série principal.

O criador da lendária franquia Dragon Quest, Yuji Horii, manifestou recentemente seu entusiasmo com a implementação de inteligência artificial em jogos. O foco atual do desenvolvedor é o projeto conhecido como “Chatty Slimey”, um chatbot que funcionará como um companheiro virtual dentro de Dragon Quest 10, o MMORPG da série que permanece exclusivo do mercado japonês desde o seu lançamento, há 14 anos. Para muitos fãs ocidentais, a existência de um recurso tão específico em um título que nunca foi localizado reforça a percepção de que o jogo dificilmente chegará a outros territórios.

A iniciativa, fruto de uma parceria estratégica entre a Square Enix e o Google, foi apresentada por Horii durante o evento Google Cloud Next 2026. O desenvolvedor destacou que a tecnologia permite que personagens não jogáveis possuam diálogos mais próximos da fala humana, superando as limitações dos roteiros tradicionais. Segundo ele, a ideia não é substituir os habitantes das cidades por IAs, o que ele considera que não seria divertido, mas sim criar suportes que acompanhem o jogador durante a jornada. Horii acredita que, ao contrário da IA convencional, que pode causar constrangimento ao ser tratada como um ser humano, um personagem de jogo oferece uma barreira menor, permitindo que o usuário se sinta mais à vontade para conversar sobre diversos tópicos, inclusive assuntos fora do contexto do jogo.

Yuji Horii discute o futuro da inteligência artificial em Dragon Quest
Yuji Horii busca integrar IAs como companheiros empáticos em Dragon Quest.

O papel da inteligência artificial como suporte

Durante sua apresentação, Yuji Horii enfatizou que a barreira para interações sociais é menor dentro de um ambiente virtual. Ele acredita que os jogadores podem se sentir mais confortáveis ao compartilhar preocupações com um personagem de jogo do que com outras pessoas reais. O objetivo é que esses companheiros digitais atuem como guias para iniciantes e, eventualmente, desenvolvam uma relação de amizade com o usuário, mantendo o vínculo mesmo após o encerramento da sessão de jogo. Horii vê essa tecnologia como um ponto de entrada para novos jogadores, sugerindo que a exploração desses companheiros em Dragon Quest 10 poderia ser expandida para outros títulos da série.

Apesar da visão otimista do criador, a recepção da comunidade tem sido mista e, em muitos casos, negativa. O anúncio levantou preocupações imediatas sobre a possibilidade de elementos de inteligência artificial serem incorporados em Dragon Quest 12, título que foi anunciado há cinco anos e sobre o qual a Square Enix mantém um silêncio prolongado. Fãs da franquia expressaram receio de que a experiência central do próximo jogo principal seja comprometida por mecânicas de conversação automatizadas. Discussões em fóruns como o ResetEra mostram que muitos jogadores consideram a ideia de uma IA ser tratada como “amiga” algo insalubre, com usuários declarando abertamente que perderam o interesse na compra do próximo título caso essa tecnologia seja implementada.

Reações da comunidade e o futuro da série

O debate sobre a implementação de IAs em Dragon Quest ganhou força em fóruns especializados, onde jogadores discutem os limites éticos e criativos dessa tecnologia. Enquanto alguns entusiastas veem potencial na inovação, uma parcela significativa do público afirma que a presença de personagens “sem alma” poderia desencorajar a compra do próximo título da saga. A discussão reflete um receio crescente na indústria sobre a substituição de elementos narrativos tradicionais por sistemas gerados por algoritmos. Críticos da ideia argumentam que esses companheiros artificiais podem acabar sendo apenas personagens vazios que elogiam o jogador sem motivo real, enquanto evoluem seus históricos de forma automatizada.

Até o momento, não há confirmação oficial de que o sistema de chatbot será integrado a Dragon Quest 12, conhecido pelo subtítulo The Flames of Fate. A expectativa dos jogadores é que a Square Enix forneça mais detalhes sobre o desenvolvimento do jogo em breve, esclarecendo se a visão de Yuji Horii para a inteligência artificial será aplicada apenas em projetos secundários ou se terá um papel central na próxima grande aventura da franquia. Por enquanto, resta aos fãs aguardar para saber se o entusiasmo de Horii pela tecnologia será traduzido em uma mecânica amada ou em um ponto de discórdia que afastará parte da base de jogadores fiel à série.

Fonte: Thegamer