Vought Rising explora tom sombrio em prelúdio de The Boys

Criador Eric Kripke revela que nova série do Prime Video aposta em mistério noir e uma visão crua dos anos 1950 para expandir o universo da franquia.

O universo de The Boys, a aclamada série satírica de super-heróis do Prime Video, está oficialmente se expandindo. Com o encerramento da série principal, a atenção dos fãs se volta agora para Vought Rising, um aguardado prelúdio com estreia prevista para o próximo ano. A nova produção promete mergulhar nas raízes da sinistra corporação Vought, oferecendo uma perspectiva inédita sobre a formação desse império midiático e heroico.

A trama de Vought Rising é ambientada precisamente no ano de 1950. O foco central da narrativa recai sobre dois personagens que conquistaram o público: o icônico Soldier Boy, interpretado por Jensen Ackles, e a personagem revelação da segunda temporada, Stormfront, vivida por Aya Cash. A história foi descrita pelos produtores como um mistério de assassinato distorcido, que serve como o fio condutor para desvendar as origens obscuras da Vought.

Um tom noir e uma estética crua

Em entrevista ao The Hollywood Reporter, o criador da franquia, Eric Kripke, detalhou como a nova série se diferencia da produção original. Segundo Kripke, Vought Rising mantém o DNA característico de The Boys, sendo uma obra irreverente e gráfica, mas que se diferencia pela sua estrutura narrativa. O criador descreveu o estilo como um “mistério noir” — enfatizando que não se trata de uma referência ao personagem Black Noir, mas sim ao gênero cinematográfico de investigação. A série contará com detetives, reviravoltas constantes e um crime central que desencadeia uma conspiração de proporções muito maiores.

Um dos pontos mais interessantes destacados por Kripke é a abordagem visual da década de 1950. Enquanto muitas produções contemporâneas tendem a higienizar o passado, apresentando uma visão nostálgica e limpa da época, Vought Rising busca o oposto. Kripke afirmou que a equipe criativa deseja retratar uma versão “suja e sombria” daquele período. A série pretende explorar o submundo da cultura popular da época, incluindo a existência de bares frequentados pelo público LGBTQIA+ e antros de uso de substâncias ilícitas, expondo uma realidade crua que raramente é vista em produções de época.

A sátira como pilar central

Questionado sobre o desafio de manter a sátira política e social — marca registrada de The Boys — em um cenário histórico, Kripke foi enfático: “nossos dentes satíricos continuam tão afiados quanto antes”. Para o criador, a história é cíclica, e muitos dos problemas enfrentados na década de 1950 são espelhados nos dias atuais. Ele cita exemplos como a religião sendo usada como arma política e a natureza autocentrada da mídia. A série, sob a liderança do showrunner Paul Grellong, utiliza esse cenário para mostrar a gênese dessas dinâmicas.

Kripke ressaltou que a escolha do ano de 1950 foi estratégica. Foi um momento em que os Estados Unidos definiram grande parte das estruturas que moldariam o século seguinte. A série explora a ascensão da televisão como uma invenção revolucionária e a introdução da publicidade invasiva diretamente nos lares das famílias americanas. “É a origem do mundo em que vivemos hoje”, explicou o criador.

Soldier Boy em cena de The Boys
Jensen Ackles retorna como Soldier Boy em Vought Rising, explorando o passado do personagem.

Em declarações recentes ao Entertainment Tonight, Jensen Ackles também comentou sobre o projeto, reforçando que a experiência será distinta da série principal. Embora mantenha o coração e a essência que tornaram The Boys um sucesso global, o ator sugere que o público deve esperar uma atmosfera diferente, condizente com o período histórico e o mistério que envolve a ascensão da Vought. Com a promessa de uma narrativa densa e uma exploração profunda das raízes do poder corporativo, Vought Rising se posiciona como uma peça fundamental para entender o universo cruel criado por Garth Ennis e adaptado por Kripke.

Fonte: THR