Ubisoft fecha estúdios em Winnipeg e Belgrado com cortes de pessoal

A Ubisoft prossegue com seu plano de reestruturação global, fechando estúdios no Canadá e na Sérvia e reduzindo sua força de trabalho em centenas de posições.

A Ubisoft confirmou o encerramento das operações de dois de seus estúdios globais, localizados em Winnipeg, no Canadá, e em Belgrado, na Sérvia. A medida faz parte de uma reestruturação organizacional mais ampla que visa reduzir custos operacionais e consolidar o modelo de negócios da empresa. Estima-se que as mudanças resultem na perda de aproximadamente 380 postos de trabalho, afetando diversas divisões da companhia ao redor do mundo. Este movimento ocorre em um momento em que a gigante dos jogos busca otimizar sua estrutura interna, focando em um modelo mais sustentável para os próximos anos.

Desde 2023, a Ubisoft tem adotado uma postura agressiva de redução de subsidiárias, tendo fechado seis estúdios até o momento. Em janeiro de 2026, a empresa anunciou publicamente seus planos de médio prazo, que incluem a divisão de suas operações em cinco grandes casas criativas. Uma dessas novas entidades, a Vantage Studios, foi estabelecida em parceria com a Tencent no final de 2025, com o objetivo de centralizar o desenvolvimento de suas franquias mais lucrativas, como assassin’s creed, Rainbow Six e Far Cry. A estratégia reflete uma mudança na forma como a empresa gerencia seus ativos intelectuais e recursos humanos.

Impacto da reestruturação no estúdio de Barcelona

Além dos fechamentos em Winnipeg e Belgrado, o estúdio da Ubisoft em Barcelona passará por uma reestruturação significativa. Segundo informações divulgadas, a unidade focará exclusivamente na franquia Rainbow Six, abandonando outros projetos em que estava envolvida. Historicamente, a equipe de Barcelona contribuiu para o desenvolvimento de Beyond Good and Evil 2 e outros projetos AAA que ainda não haviam sido anunciados oficialmente. A decisão de limitar o escopo do estúdio é um reflexo direto da necessidade de concentrar talentos em títulos que garantam retorno financeiro imediato e estável para a corporação.

O estúdio de Winnipeg, que operava desde 2019, possuía cerca de 100 funcionários no início de 2026. Durante seus sete anos de existência, a equipe contribuiu para o desenvolvimento de motores internos da Ubisoft, como o Anvil e o Snowdrop, além de prestar suporte em títulos como XDefiant. Já o estúdio de Belgrado, inaugurado em 2016, possuía um quadro de funcionários de tamanho similar e atuou como suporte em produções de grande escala, incluindo Assassin’s Creed Shadows, avatar: Frontiers of Pandora, Steep, Ghost Recon Wildlands e The Crew 2. A perda dessas unidades representa um golpe para a capacidade de suporte técnico da empresa.

Histórico de fechamentos e mudanças na indústria

A série de cortes da Ubisoft não é um evento isolado, mas parte de uma tendência observada em toda a indústria de jogos, onde empresas buscam eficiência operacional. Assim como a Games Workshop nega uso de inteligência artificial em arte para manter a integridade de seus processos criativos, a Ubisoft tenta equilibrar a inovação tecnológica com a viabilidade financeira. O fechamento de estúdios como o Future Games of London em 2023, seguido pelas unidades de San Francisco e Osaka em 2024, e o encerramento do estúdio em Leamington em 2025, ilustram a escala da reestruturação.

Recentemente, a empresa também reduziu o tamanho da Red Storm Entertainment, desenvolvedora conhecida pela série Ghost Recon. O estúdio deixou de produzir jogos próprios para focar exclusivamente no motor gráfico Snowdrop, assumindo parte das responsabilidades que antes eram atribuídas a outras divisões. Esse movimento de realocação de competências é uma tentativa de manter a expertise técnica dentro da organização, mesmo com a redução do número total de estúdios ativos. A busca por eficiência é comparável a outros movimentos de mercado, como quando a Paramount Games sinaliza interesse em adaptar universo de Yellowstone, buscando maximizar o valor de suas propriedades intelectuais existentes.

Perspectivas para o futuro da Ubisoft

Mesmo com o fechamento de diversas subsidiárias, a Ubisoft ainda mantém uma força de trabalho estimada em cerca de 17 mil funcionários. A empresa indicou que o processo de reestruturação deve continuar por um período de três anos, o que sugere que novos fechamentos ou consolidações podem ocorrer até o início de 2029. O objetivo final é criar uma estrutura mais enxuta, capaz de responder rapidamente às demandas do mercado de jogos, que se tornou extremamente competitivo e volátil nos últimos anos.

A gestão da Ubisoft enfrenta o desafio de manter a qualidade de suas franquias enquanto reduz drasticamente seus custos fixos. A centralização em casas criativas, como a Vantage Studios, é a aposta principal para garantir que os recursos sejam direcionados para os projetos com maior potencial de sucesso comercial. Para os funcionários afetados, o cenário é de incerteza, enquanto para os investidores, a expectativa é de uma melhora nas margens de lucro a longo prazo. A trajetória da empresa nos próximos anos será determinante para definir se essa estratégia de enxugamento será suficiente para recuperar o vigor criativo e financeiro da organização em um mercado global cada vez mais exigente.

Abaixo, apresentamos um resumo dos estúdios fechados pela Ubisoft durante a década de 2020, evidenciando a frequência das mudanças estruturais:

  • 2023:Ubisoft London/Future Games of London(~54 funcionários)
  • 2024:Ubisoft San Francisco(~143 funcionários)
  • 2024:Ubisoft Osaka(~90 funcionários)
  • 2025:Ubisoft Leamington(~50 funcionários)
  • 2026:Ubisoft Halifax(~71 funcionários)
  • 2026:Ubisoft Stockholm(~90-100 funcionários)
  • 2026:Ubisoft Winnipeg(~100 funcionários)
  • 2026:Ubisoft Belgrade(~100 funcionários)

O encerramento dessas unidades marca o fim de uma era de expansão para a Ubisoft, que agora prioriza a consolidação. A empresa continua a monitorar o desempenho de seus estúdios remanescentes, garantindo que cada unidade contribua diretamente para os pilares estratégicos definidos pela alta gestão. A transição para um modelo de operações mais centralizado é, sem dúvida, a maior transformação pela qual a companhia passou em sua história recente, alterando permanentemente a dinâmica de desenvolvimento de seus títulos mais icônicos.

Fonte: GameRant


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