Twister, lançado em 10 de maio de 1996, consolidou-se como um dos maiores sucessos de bilheteria da década de 90, definindo o padrão para filmes de desastre. Três décadas após sua estreia, a obra dirigida por Jan de Bont ainda mantém um impacto visual considerável, mas uma revisão atenta revela que nem todos os elementos do longa envelheceram bem.






A trama acompanha os caçadores de tempestades Jo Harding, interpretada por Helen Hunt, e Bill Harding, vivido por Bill Paxton, enquanto tentam implantar o dispositivo de rastreamento Dorothy em tornados no Oklahoma. Embora a química entre o elenco e os efeitos práticos ainda sejam pontos altos, a estrutura do filme apresenta fragilidades que saltam aos olhos do público moderno.
O roteiro e a lógica dos tornados
Para um filme focado em ciência e meteorologia, Twister ignora frequentemente suas próprias regras. A tecnologia Dorothy é apresentada como um sistema complexo que exige preparo, mas, em momentos de tensão, a equipe consegue operá-la em segundos. Além disso, a física dos tornados é inconsistente, com objetos voando de forma aleatória conforme a necessidade da cena, o que enfraquece a imersão.

Efeitos visuais e CGI datado
Embora os efeitos práticos de Twister continuem impressionantes, o uso de computação gráfica (CGI) em cenas de larga escala mostra o peso do tempo. Elementos como vacas voando e detritos digitais frequentemente lembram cenas de jogos antigos, criando um contraste desconfortável com a destruição realista capturada em locações reais. O filme, que faz parte de uma era de ouro do cinema dos anos 90, sofre quando a tecnologia digital tenta substituir a força da natureza.

O comportamento questionável de Bill Harding
O protagonista Bill Harding é retratado como um herói carismático, mas suas atitudes atuais parecem egoístas. Ele ignora constantemente as preocupações de sua noiva, Melissa, e demonstra uma arrogância que beira a imprudência. O roteiro trata Melissa como um obstáculo, enquanto o comportamento de Bill é romantizado, algo que o público contemporâneo tende a questionar com mais facilidade.

Problemas de ritmo e comunicação
O filme sofre com transições abruptas entre o drama pessoal e as sequências de ação. Muitas vezes, a tensão é interrompida por diálogos expositivos que não avançam a trama. Além disso, a falta de comunicação clara entre os personagens é um motor artificial para o conflito, fazendo com que situações perigosas sejam criadas apenas para justificar a próxima cena de destruição.
A ausência de um desfecho para o trauma de infância de Jo, envolvendo sua mãe, também deixa uma lacuna narrativa. Embora a Tia Meg, interpretada por Lois Smith, traga calor à história, o arco emocional iniciado no prólogo do filme nunca é devidamente concluído, tornando a jornada da protagonista menos satisfatória do que poderia ser.
Fonte: ScreenRant