O longa-metragem transformers: O Último Cavaleiro, dirigido por Michael Bay, está experimentando um crescimento inesperado de audiência na plataforma de streaming MGM+. Lançado originalmente nos cinemas em 2017, o filme é frequentemente citado como o ponto de virada negativo para a franquia de robôs gigantes, marcando o encerramento de um ciclo de uma década que começou em 2007. Embora tenha sido alvo de críticas severas na época de seu lançamento, a produção agora encontra um novo público doméstico que revisita a obra, apesar de seu histórico conturbado nas bilheterias e nos agregadores de crítica especializada.
A trajetória de Michael Bay no cinema é marcada por um estilo visual de excessos, que se tornou sua marca registrada desde a década de 1990. Filmes como The Rock, estrelado por Nicolas Cage e Sean Connery, consolidaram essa estética maximalista, mantendo até hoje uma aprovação de 76% no Rotten Tomatoes. Mesmo produções mais recentes, como Ambulance, conseguiram manter uma recepção crítica razoável, com 68% de aprovação, demonstrando que o cineasta ainda consegue equilibrar sua ambição técnica com a narrativa. No entanto, a linha entre o espetáculo visual e o exagero estilístico é tênue, e Transformers: O Último Cavaleiro acabou caindo no lado menos favorável dessa balança.
O declínio financeiro e crítico da franquia

O desempenho comercial de Transformers: O Último Cavaleiro foi um choque para o estúdio na época. Com um orçamento de produção reportado em US$ 260 milhões, o filme arrecadou pouco mais de US$ 600 milhões mundialmente. Para uma franquia que já havia ultrapassado a marca de US$ 1 bilhão com Transformers: A Era da Extinção, o resultado foi considerado decepcionante. Esse cenário de queda de interesse do público, somado a críticas negativas, forçou a Paramount Pictures a repensar o futuro da propriedade intelectual, levando a uma mudança de direção que se distanciou do estilo característico de Michael Bay.
A recepção crítica do filme foi particularmente dura. Com apenas 16% de aprovação no Rotten Tomatoes, o longa detém o título de pior avaliação na carreira de Michael Bay, superando negativamente até mesmo Transformers: A Vingança dos Derrotados, que registrou 19%, e Bad Boys II, com 23%. Esse histórico de recepção fria contrasta com o sucesso estrondoso do primeiro filme da série, lançado em 2007, que arrecadou mais de US$ 700 milhões com um orçamento de US$ 200 milhões, estabelecendo um padrão de qualidade e entretenimento que o quinto capítulo não conseguiu replicar.
Mudança de rumo após a saída de Bay
Após o encerramento da era Michael Bay, a franquia tentou se reinventar com abordagens distintas. O filme Bumblebee, dirigido por Travis Knight, buscou um tom mais contido e focado na relação entre personagens, enquanto Transformers: O Despertar das Feras, sob a direção de Steven Caple Jr., tentou expandir o universo com novos elementos. Embora tenham sido produções com propostas diferentes, nenhuma delas conseguiu atingir o patamar financeiro alcançado pelos cinco primeiros filmes dirigidos por Bay, que, apesar das críticas, mantiveram uma presença dominante nas bilheterias globais por anos.
A atual popularidade de Transformers: O Último Cavaleiro no MGM+ levanta questões sobre como o público consome obras que foram rejeitadas no passado. Muitas vezes, o streaming permite que produções de grande escala, que exigiram orçamentos massivos, sejam reavaliadas fora da pressão imediata das bilheterias de estreia. Assim como ocorre com produções que exploram gêneros específicos, como Timewasters, que ganha destaque como comédia sci-fi subestimada, o público parece disposto a dar uma nova chance a títulos que, embora falhos, possuem uma escala visual que raramente é vista em produções menores.
O impacto da estética de Bay no cinema de ação
É impossível discutir a carreira de Michael Bay sem reconhecer sua influência no cinema de ação contemporâneo. O diretor foi o arquiteto de um estilo que prioriza o movimento constante, a edição rápida e o uso intensivo de efeitos práticos e digitais. Mesmo em seus momentos de menor sucesso, como no caso de Transformers: O Último Cavaleiro, a ambição técnica é evidente. O filme apresenta sequências de ação complexas que, para muitos espectadores, ainda oferecem um espetáculo visual que justifica o tempo de tela, mesmo que a narrativa tenha sido considerada confusa ou excessiva pela crítica especializada.
A transição de Michael Bay para projetos mais focados, como Ambulance, mostra um cineasta que ainda busca refinar sua técnica. A recepção positiva de seus trabalhos mais recentes sugere que o aprendizado com os erros da franquia Transformers pode ter sido um fator determinante para sua evolução. Enquanto isso, o retorno de Transformers: O Último Cavaleiro ao topo das listas de audiência no MGM+ serve como um lembrete de que, no mundo do entretenimento, o valor de uma obra pode ser percebido de maneiras muito diferentes ao longo do tempo, dependendo do contexto em que ela é apresentada ao espectador.
A busca por novas narrativas no streaming
A dinâmica do streaming tem alterado a forma como as franquias são percebidas. Enquanto o cinema exige um sucesso imediato para justificar sequências, o streaming permite que filmes como Transformers: O Último Cavaleiro encontrem um novo fôlego. Esse fenômeno não é exclusivo da franquia de robôs. Outras produções, como Condor, que ganha destaque no MGM+ e atrai fãs de thrillers de espionagem, demonstram que plataformas específicas conseguem criar nichos de audiência que valorizam certos estilos de narrativa, independentemente da recepção que tiveram em outros meios ou épocas.
A longevidade de uma franquia como Transformers, que atravessou quase duas décadas de mudanças constantes, mostra a resiliência da marca. Mesmo com o fim da era Michael Bay, o interesse do público em revisitar os capítulos anteriores, mesmo os mais criticados, indica que a mitologia criada em torno dos Autobots e Decepticons ainda possui um apelo duradouro. A capacidade de Transformers: O Último Cavaleiro de se manter relevante no catálogo do MGM+ é um testemunho da força da marca, que continua a atrair espectadores curiosos ou nostálgicos, consolidando seu lugar na história do cinema de ação, seja por seus acertos ou por seus excessos notórios.
Em última análise, o sucesso de audiência no streaming não apaga o histórico crítico do filme, mas adiciona uma camada de complexidade à sua recepção. O público atual parece menos preocupado com as críticas de 2017 e mais interessado na experiência visual que Michael Bay sempre prometeu. Com a franquia em constante transformação, o legado dos filmes dirigidos por Bay permanece como um ponto de referência obrigatório para entender a evolução do cinema de grande orçamento, servindo tanto como um exemplo de sucesso comercial quanto como um estudo de caso sobre os limites do excesso criativo em produções de escala global.
O futuro da franquia Transformers continua incerto, mas a presença constante de seus títulos nas plataformas de streaming garante que a saga permaneça viva na mente dos fãs. Seja através de novos projetos ou da redescoberta de obras passadas, o universo criado pela Hasbro e levado às telas por Michael Bay continua a ser um dos pilares do entretenimento moderno, provando que, mesmo após um declínio, o interesse por robôs gigantes que se transformam em veículos nunca desaparece completamente do cenário cultural.
Fonte: Collider