O renomado ator de Hong Kong Tony Leung Chiu-wai iniciou os trabalhos como presidente do júri internacional da 28ª edição do Festival Internacional de Cinema de Xangai com uma promessa clara: abordar a seleção dos vencedores do Golden Goblet com total abertura e disposição para debater suas opiniões. Esta é a primeira vez que o astro assume a liderança de um júri em um festival de cinema chinês, um marco em sua carreira de quatro décadas dedicada à atuação.
Durante a conferência de imprensa oficial, Tony Leung enfatizou que, embora o processo de premiação seja um esforço coletivo, ele pretende defender suas escolhas com convicção. O ator destacou que sua trajetória profissional moldou sua forma de observar a sétima arte, sempre buscando compreender a perspectiva completa de cada obra apresentada na competição principal. Ele reconheceu a importância de contar com o apoio e a visão técnica de seus colegas de júri, valorizando as contribuições de diretores e outros atores que compõem o grupo.

Composição do júri e diversidade de olhares
O júri internacional deste ano reflete uma diversidade geográfica e artística significativa, essencial para uma avaliação abrangente das produções. Além de Tony Leung, o grupo conta com a produtora tunisiana Dora Bouchoucha, o diretor chinês Guan Hu, o cineasta quirguiz Aktan Arym Kubat, a cineasta georgiana Déa Kulumbegashvili, a diretora mexicana Fernanda Valadez e a atriz chinesa Xin Zhilei. Essa variedade de backgrounds permite que o júri analise os filmes sob diferentes prismas culturais e estéticos.
A produtora Dora Bouchoucha, única representante do continente africano no júri, trouxe uma reflexão importante sobre o cinema independente e as produções de baixo orçamento. Ela citou o título egípcio Happy Birthday, presente na seleção do Golden Goblet, como um exemplo da realidade de sua região. Para ela, embora os recursos financeiros sejam fundamentais, o talento, a qualidade da atuação e a proposta cinematográfica do diretor são os elementos que realmente definem o valor de um filme.
Impacto sensorial e comunicação cultural
O diretor Guan Hu, cujo filme Black Dog foi premiado na mostra Un Certain Regard em Cannes, compartilhou suas expectativas para a competição. Ele ressaltou que busca obras com forte impacto sensorial e cinematográfico. Segundo o cineasta, uma das funções primordiais do cinema é servir como ferramenta de comunicação cultural, transcendendo barreiras linguísticas. Para Guan Hu, os bons filmes não precisam de explicações verbais, pois possuem a capacidade de tocar o público de maneira universal.
O cineasta Aktan Arym Kubat, que retorna ao festival após ter vencido o prêmio Golden Goblet no ano passado com Black Red Yellow, trouxe um tom descontraído ao comentar sua transição de competidor para jurado. Ele brincou sobre como, caso não tivesse vencido anteriormente, poderia questionar o gosto dos jurados, mas garantiu que se esforçará para que os competidores deste ano sintam que o júri atual é justo e qualificado. A experiência de Kubat no festival reforça a importância da continuidade e do diálogo entre as diferentes edições do evento.
Perspectivas sobre o cinema global e novos talentos
A cineasta Déa Kulumbegashvili, estreante no festival, expressou seu entusiasmo com a recepção calorosa em Xangai. Mesmo com uma agenda de exibições intensa que limita o tempo para passeios turísticos, ela enfatizou que a experiência de caminhar pelas ruas e observar o cotidiano da cidade é mais valiosa do que visitar pontos turísticos formais. Essa imersão no ambiente local reflete a sensibilidade da diretora em relação ao contexto humano, algo que ela busca aplicar em suas próprias obras.
Já a diretora Fernanda Valadez abordou o momento vibrante do cinema latino-americano no cenário global. Ela observou que os cineastas da região estão explorando novos gêneros e formas narrativas, buscando uma autenticidade que, paradoxalmente, aumenta sua capacidade de dialogar com audiências internacionais. Para Valadez, quanto mais particular e autêntica for a voz do realizador, maior será o alcance emocional e intelectual de seu trabalho, independentemente da origem geográfica.
A atriz Xin Zhilei, vencedora da Copa Volpi de Melhor Atriz no Festival de Veneza no ano passado por sua atuação em The Sun Rises on Us All, admitiu sentir uma leve pressão por ser sua primeira vez em um júri de festival. No entanto, ela encara a responsabilidade como uma grande honra e comprometeu-se a cumprir seu dever com o máximo de dedicação. A presença de talentos como Xin Zhilei no júri demonstra o prestígio que o Festival Internacional de Cinema de Xangai mantém ao atrair profissionais premiados internacionalmente.
Conclusão e cronograma do evento
A 28ª edição do Festival Internacional de Cinema de Xangai ocorre entre os dias 12 e 22 de junho de 2026. A expectativa em torno da premiação é alta, com a cerimônia de encerramento, onde serão entregues os prêmios Golden Goblet, marcada para o dia 20 de junho. A liderança de Tony Leung promete trazer um olhar criterioso e respeitoso para a competição, consolidando o festival como um espaço vital para o intercâmbio cinematográfico global.
O compromisso de Tony Leung em ouvir seus colegas e considerar diferentes pontos de vista, aliado à diversidade do corpo de jurados, sugere que as decisões finais serão fruto de um debate profundo e equilibrado. Enquanto o público aguarda os vencedores, o festival continua a ser um ponto de encontro essencial para cineastas, produtores e entusiastas que buscam descobrir novas vozes e tendências no cinema mundial. Assim como em outras grandes produções, a dinâmica entre os jurados será um dos aspectos mais observados até o anúncio final dos premiados.
Para aqueles que acompanham o desenvolvimento de novos projetos, o cenário atual de festivais como o de Xangai é um termômetro importante para o que veremos nas telas nos próximos anos. A busca por autenticidade, mencionada por Fernanda Valadez, parece ser o fio condutor que une as diversas visões presentes no júri deste ano. Acompanhar essas discussões é fundamental para entender como o mercado cinematográfico está evoluindo e quais histórias estão ganhando destaque em um mundo cada vez mais conectado.
O Festival Internacional de Cinema de Xangai reafirma, portanto, sua posição de destaque ao reunir nomes de peso e promover um ambiente de troca intelectual. A dedicação de profissionais como Tony Leung e seus colegas de júri garante que a seleção final não apenas honre a tradição do prêmio, mas também aponte para o futuro da sétima arte. A expectativa agora se volta para as exibições dos filmes em competição e para o veredito que será anunciado ao final do evento, encerrando mais um capítulo importante na história do cinema asiático e internacional.
É interessante notar como a trajetória de Tony Leung, um ator que construiu sua carreira através de interpretações sutis e profundas, se alinha com a proposta de um júri que valoriza a sensibilidade e a visão artística. Sua disposição em aprender com os outros jurados, mesmo após décadas de experiência, é um exemplo de humildade e profissionalismo que certamente influenciará a dinâmica do grupo. O resultado dessa colaboração será conhecido em breve, quando os troféus Golden Goblet forem entregues aos cineastas que melhor souberam traduzir suas visões para as telas.
Enquanto o festival segue seu curso, a cidade de Xangai se torna o centro das atenções para a indústria cinematográfica, recebendo talentos de diversas partes do mundo. A troca de experiências entre os jurados e os cineastas competidores é, por si só, um dos maiores legados do evento. A cada edição, o Festival Internacional de Cinema de Xangai prova que a arte de contar histórias continua sendo uma das formas mais poderosas de conexão humana, capaz de unir diferentes culturas sob o mesmo teto, ou melhor, sob a mesma tela.
Acompanhar o desenrolar desta edição é uma oportunidade para observar como os critérios de premiação evoluem em resposta às mudanças no cenário global. Com um júri tão diversificado e liderado por uma figura tão respeitada, as expectativas para os vencedores deste ano são elevadas. O compromisso de Tony Leung com a imparcialidade e o diálogo é um sinal positivo de que a integridade do processo de seleção está em boas mãos, garantindo que o prestígio do Golden Goblet continue a crescer no cenário internacional.
Por fim, a 28ª edição do festival não apenas celebra o cinema, mas também reafirma a importância de espaços onde a diversidade de vozes pode ser ouvida e valorizada. A presença de cineastas de diferentes continentes e backgrounds garante que a competição seja um reflexo da riqueza e da complexidade do mundo contemporâneo. O Festival Internacional de Cinema de Xangai, sob a liderança de Tony Leung, promete ser um evento memorável, marcado pela excelência artística e pelo espírito de colaboração entre os profissionais que dedicam suas vidas à arte cinematográfica.
Fonte: Variety